quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Te Deum de acção de graças por 2014

Te Deum laudámus: te Dóminum confitémur. Te ætérnum Patrem, omnis terra venerátur.Tibi omnes ángeli, tibi cæli et univérsæ potestátes: tibi chérubim et séraphim incessábili voce proclámant: Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dòminus Deus Sábaoth. Pleni sunt cæli et terra maiestátis glóriæ tuæ.

Te gloriósus apostolórum chorus, te prophetárum laudábilis númerus, te mártyrum candidátus laudat exércitus. Te per orbem terrarum sancta confitétur Ecclésia, Patrem imménsæ maiestátis; venerándum tuum verum et únicum Filium; Sanctum quoque Paráclitum Spíritum.

Tu rex glòriæ, Christe. Tu Patris sempitérnus es Filius. Tu, ad liberándum susceptúrus hóminem, non horrúisti Virginis úterum. Tu, devícto mortis acúleo, aperuísti credéntibus regna cælórum. Tu ad déxteram Dei sedes, in glória Patris. Iudex créderis esse ventúrus.

Te ergo quǽsumus, tuis famulis súbveni, quos pretiòso sanguine redemísti. Ætérna fac curo sanctis tuis in glória numerári. Salvum fac pópulum tuum, Dómine, et bénedic hereditáti tuæ. Et rege eos, et extólle illos usque in ætérnum. Per síngulos dies benedícimus te; et laudámus nomen tuum in sǽculum, et in sǽculum sǽculi.

Dignáre, Dòmine, die isto sine peccáto nos custodíre. Miserére nostri, Dómine, miserére nostri. Fiat misericórdia tua, Dómine, super nos, quemádmodum sperávimus in te. In te, Dómine, sperávi: non confúndar in ætérnum.
Nós Vos louvamos, ó Deus, nós Vos bendizemos, Senhor. Toda a terra Vos adora, Pai eterno e omnipotente. Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar: Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do Universo, o céu e a terra proclamam a vossa glória.

O coro glorioso dos Apóstolos, a falange venerável dos Profetas, o exército resplandecente dos Mártires cantam os vossos louvores. A santa Igreja anuncia por toda a terra a glória do vosso nome: Deus de infinita majestade, Pai, Filho e Espírito Santo.

Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, Filho do Eterno Pai, para salvar o homem, tomastes a condição humana no seio da Virgem Maria. Vós despedaçastes as cadeias da morte e abristes as portas do céu. Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.

Socorrei os vossos servos, Senhor, que remistes com vosso Sangue precioso; e recebei-os na luz da glória, na assembleia dos vossos Santos. Salvai o vosso povo, Senhor, e abençoai a vossa herança; sede o seu pastor e guia através dos tempos e conduzi-o às fontes da vida eterna. Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida e louvaremos para sempre o vosso nome.

Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado. Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós. Desça sobre nós a vossa misericórdia, Porque em Vós esperamos. Em Vós espero, meu Deus, não serei confundido eternamente.



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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

O Papa Francisco de 2014 - Todo o ano num discurso

Estamos naquela altura do ano em que todos os blogs, jornais e canais de televisão põem o ano que passou em revista. 

Aqui no Senza, para rever o ano, iremos olhar para um dos discursos do Papa Francisco de 2014 que irá marcar definitivamente o próximo 2015.

Refiro-me ao discurso que o Papa Francisco fez no final do Sínodo pela Família. Este discurso foi muito importante não só pelos seus conteúdos, mas também pela forma e contexto em que foi feito.

Poucos dias depois do Sínodo, o Sr. Patriarca de Lisboa deu uma conferência no Oratório de S. Josemaria para contar como tinha sido a sua experiência naqueles dias em Roma. Uma das coisas que disse foi que, ao contrário de Bento XVI, o Papa Francisco quase não falou durante o Sínodo e raramente manifestou qualquer expressão que indicasse o que pensava.

Por isso foi como se o Santo Padre se estivesse a guardar para este discurso. O discurso completo do Papa pode ser encontrado aqui.

Há uns dias o Papa Francisco falou nas doenças da cúria. Pois bem, já há uns meses, nesse discurso, tinha falado nas tentações dos Bispos, no Sínodo. No seu texto, o Papa referiu quatro tentações:
1. A tentação "de querer fechar-se dentro do escrito (a letra) e não deixar-se surpreender por Deus (...) é a tentação dos zelosos, dos escrupulosos, dos cuidadosos e dos assim chamados – hoje – “tradicionalistas”."
Das quatro, esta é a única tentação que se pode aplicar ao que a imprensa chama "lado conservador". Todas as outras foram um aviso ao chamado "lado liberal" do Sínodo. Mas esta é uma nomenclatura perigosa e, diga-se, pouco Católica.

Mas a tentação em si é justíssima. É verdade que a doutrina da Igreja em relação à Comunhão dos recasados não pode ser alterada. Mas não podemos ficar de braços cansados a pensar que já está tudo feito, diz o Papa. É preciso que os Cristãos trabalhem para melhorar e procurem novas soluções que ajudem quem mais precisa, neste caso os cristãos com "segundos casamentos" ou a família num sentido mais geral.
2. "A tentação do “bonismo” destrutivo, que em nome de uma misericórdia enganadora, enfaixa as feridas sem antes curá-las e medicá-las (...)"
Segundo esta tentação, seria muito fácil pegar na misericórdia de Deus e usá-la para fechar os olhos a problemas concretos. Não foi isso que Jesus fez com a mulher adúltera. Nesse episódio, a misericórdia de Deus implicou uma mudança de vida real: "Vai e não voltes a pecar." Há uns meses cinco eminentes Cardeais escreveram um livro em que explicam que seria prejudicial permitir a Comunhão às pessoas recasadas.
Papa Francisco com o Cardeal Muller, Prefeito da Doutrina da Fé e um dos cinco autores do livro sobre os recasados.
3. "A tentação de descer da cruz, para contentar as pessoas, e não permanecer lá, para realizar a vontade do Pai."
Esta tentação é parecida com a anterior. Às vezes, como cristãos, esquecemo-nos que a Cruz foi o caminho escolhido por Deus para nos salvar. Mas o sofrimento é uma auto-estrada para o Céu: ou aprendemos isto ou ficamos no mesmo ponto. Temos que reaprender sempre que, para ser Santos, devemos enfrentar o sofrimento e passar por ele em vez de fugir. Há uns meses, um psicólogo dinamarquês, Católico converso e especialista em aconselhamento matrimonial, esteve a falar em Lisboa. Ele explicou que a união dos casais com problemas passa precisamente por aqui, pois os conflitos surgem quando cada cônjuge está à procura de fugir das suas dificuldades e começa a meter as culpas no outro, em vez de as enfrentar.

É importante perceber que, neste discurso, o Papa não se referia apenas à questão da Comunhão dos recasados, nem era esse o objectivo principal do Sínodo. Mas foi sem dúvida nesse tema que houve mais polémica, por isso como se pode aplicar esta tentação aqui? Bem, percebendo que fechar os olhos para passar por cima do que custa (ou seja, fugir do não poder comungar) é errado.
4. "A tentação de negligenciar o “depositum fidei”, considerando-se não custódios, mas proprietários ou donos (...)"
Ao ler isto não podemos deixar de nos alegrar! Estamos fartos de ouvir dizer que o Papa Francisco quer mudar a lei e a doutrina da Igreja, mas aqui o Papa diz explicitamente que não é isso que ele quer fazer. Mais ainda, se o fizesse estaria a cair numa tentação.

Mais uma vez se prova que não é intenção do Papa Francisco alterar a doutrina da Igreja no que toca à Comunhão de pessoas recasadas mas também em relação à aceitação dos actos homossexuais, por exemplo.

Reparem, não sou eu que digo isto, mas o próprio Papa:
"(...) senti que [no Sínodo] foi colocado diante dos próprios olhos o bem da Igreja, das famílias e a “suprema Lex”, a “salus animarum”. E isto sempre (...) sem colocar nunca em discussão as verdades fundamentais do Sacramento do Matrimônio: a indissolubilidade, a unidade, a fidelidade e a ‘procriatividade’, ou seja, a abertura à vida."
Por fim, quase como resposta a tudo o que se houve na imprensa sobre a Igreja nos dias de hoje, o Papa Francisco explicou que não faz sentido falar em divisões numa Igreja guiada pelo Espírito Santo:
"Muitos comentaristas, ou pessoas que falam, imaginaram ver uma Igreja em atrito, onde uma parte está contra a outra, duvidando até mesmo do Espírito Santo, o verdadeiro promotor e garante da unidade e da harmonia na Igreja. O Espírito Santo que ao longo da história sempre conduziu a barca através dos seus Ministros, mesmo quando o mar era contrário e agitado e os Ministros infiéis e pecadores."
E o Papa reforça esta ideia de unidade na Igreja com o seu poder petrino:
"(...) como vos ousei dizer no início do Sínodo, era necessário viver tudo isto com tranquilidade, com paz interior, porque o Sínodo se desenvolve cum Petro et sub Petro, e a presença do Papa é garantia para todos."
E, não podia faltar, termina esta ideia citando o grande Papa Bento XVI:
"(...) como explicou com clareza o Papa Bento XVI, com palavras que cito textualmente: “(...) o Senhor Jesus, Pastor Supremo das nossas almas, quis que o Colégio Apostólico, hoje os Bispos, em comunhão com o sucessor de Pedro... participassem desta missão de cuidar do Povo de Deus, de serem educadores na fé (...)"
No final do discurso, o Papa Francisco voltou a reforçar a fidelidade à tradição da Igreja.
"O Papa, neste contexto, não é o senhor supremo, mas sim um supremo servidor – o “servus servorum Dei”; o garante da obediência e da conformidade da Igreja à vontade de Deus, ao Evangelho de Cristo e à Tradição da Igreja, deixando de lado todo arbítrio pessoal"
Ou seja, o Papa tem a função de guardar a tradição, independentemente do que acha.

Depois disto é fácil pensar que este foi um discurso único, diferente de tudo o que o Papa tem dito. Mas eu pergunto, será mesmo?

A verdade é que no fim-de-semana de conclusão do Sínodo, o Papa Francisco beatificou o Papa Paulo VI, famoso por ter escrito a encíclica Humanæ Vitæ onde explica que não se deve usar contracepção no acto conjugal. E, poucos dias depois, no encontro com o movimento de Schoenstatt, o Papa Francisco disse que a família e o matrimónio nunca sofreram tantos ataques como nos dias de hoje. Em Novembro, num congresso sobre a complementaridade entre o homem e a mulher, o Papa afirmou que "as crianças têm o direito a nascer com um pai e uma mãe"E ainda esta semana o Papa Francisco disse que as famílias numerosas são a esperança da sociedade.

Nuno CB


Papa Francisco e o Papa Bento XVI na Santa Missa de Beatificação do Papa Paulo VI


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D. Manuel Clemente reza o Rosário todos os dias

Numa entrevista ao jornal Público, o Patriarca de Lisboa disse que reza diariamente o Rosário:

"Na oração pessoal, que faço todos os dias, há muitos anos que rezo o rosário completo. Dantes havia três séries de orações: os mistérios gozosos, lembrando a infância de Jesus, os mistérios dolorosos, sobre a paixão de Jesus, e os mistérios gloriosos sobre a ressurreição. O Papa João Paulo II juntou os mistérios luminosos, que dizem respeito à vida pública de Jesus. Isto dá duzentas Avé Marias, mais os Pai Nossos. Não deve haver muitos dias que não reze [todos]. Aproveito o tempo. As deslocações.

Para que a minha imaginação não dispare e eu permaneça sempre ligado, com a recitação dessas orações, aos episódios da vida de Jesus. As cenas em que medito são as do dia-a-dia. Por exemplo, no tráfico de Lisboa, a conduzir o carro. Penso no mistério da visitação. Maria leva Jesus até Isabel. Rezo para que a vida das pessoas, dos carros, dos autocarros, seja também uma visitação. Que levem Jesus umas às outras.

Essas cenas evangélicas contracenam com a vida das pessoas. Saem das páginas bíblicas para o dia a dia. E ajudam-me a interpretar a vida, na sua tragédia e na sua glória. As crianças que nascem, as pessoas que sofrem, os outros que a gente encontra, os momentos de festa. [riso] Eu sou muito simples, como vê. Gosto muito de ver estas coisas que, acredito, Deus representou na terra."


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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Famílias numerosas são “a esperança da sociedade” diz o Papa

O Papa Francisco considerou este domingo que as famílias numerosas são “a esperança da sociedade”, elogiando o facto de “várias gerações se encontrarem e se ajudarem”. Jorge Bergoglio fez estas reflexões durante o primeiro encontro que teve em quase dois anos de pontificado com milhares de membros de famílias numerosas de todo o mundo.
“Estou contente de estar hoje convosco, representantes da Associação Nacional de Famílias Numerosas. Amais a família e amais a vida”, afirmou o pontífice perante os fiéis católicos que se encontravam na sala Paulo VI, no Vaticano.
O Papa Francisco defendeu que “nas famílias numerosas, várias gerações se encontram e se ajudam. A presença dos avós é preciosa tanto para servir de apoio como para a educação, ao ajudarem os pais a transmitir valores aos filhos”.
Para o pontífice, estas famílias são “a esperança da sociedade”, “um exemplo de amor e de vida”.
O mais alto representante da Igreja Católica referiu a “baixa taxa de natalidade que existe em Itália”, apelando às autoridades políticas e à administração pública para que apoiem as famílias.
in Agência Lusa via Observador.pt


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Is there a Santa Claus?

Um editorial do jornal norte-americano «The Sun», de 1897 (sim!, do século XIX!), ficou tão popular que ainda hoje é conhecido e considerado um clássico. Dizem que faz parte da história dos EUA. O pequeno texto, intitulado «Is there a Santa Claus?», é a resposta a uma minúscula carta ao Director, enviada por uma menina de 8 anos. O editorial teve um tal impacto que inspirou filmes e programas de televisão, canções, livros e peças de museu. E o original da pequenina carta, na realidade um pequeno quadrado de papel rabiscado por uma criança, está avaliado em dezenas de milhares de dólares, mais cobiçado que muitos documentos históricos importantes.

Esta parte do jornal de 1897 pode ler-se nesta reprodução fotográfica.

Porque é que este editorial teve tanto impacto? O que dizia a carta?

A criança, Virginia O’Halon, perguntou se o Pai Natal (Santa Claus, em inglês) existia e o jornal respondeu que sim. A frase mais célebre do artigo é «Yes, Virginia, there is a Santa Claus» (pois é, Virginia, existe um Pai Natal) que, de tão repetida, se tornou uma expressão idiomática nos Estados Unidos.

Se alguém não conhece este editorial do «The Sun», pode ler estas quatro citações, que resumem o essencial:

«Virginia, os teus amiguinhos [que desconfiam do Pai Natal] não têm razão. Eles estão influenciados pelo cepticismo destes tempos cépticos. Eles só acreditam no que vêem».

«Pois é, Virginia, existe um Pai Natal. É tão certo ele existir, como o amor e a generosidade e a dedicação, e sabes como eles se encontram em todo o lado e enchem a vida com a sua beleza mais sublime e a alegria».

«O mundo seria terrível sem o Pai Natal (...). Não haveria poesia, nem romance para tornarem esta vida tolerável. Não teríamos gosto, excepto no que se toca e se vê».

«Isto é real? Ah, Virginia, só isto, neste mundo, é real e eterno».

Não sei o que um leitor açoriano acha destas divagações. A cidade de Nova York comoveu-se e a emoção alastrou a todo o país e continua, passado mais de um século.
Claro que há qualquer coisa de importante neste elogio do sonho; se não tocasse o coração humano, já ninguém se lembrava do episódio.

As histórias de crianças têm valor, transmitem a realidade. A Bela Adormecida, ou o Pinóquio, ou os Três Porquinhos, significam algo para além do enredo. Como a história da água que dança, da maçã que canta e do pássaro que fala. Ou a história pungente do rouxinol e da rosa («The Nightingale and the Rose»), de Oscar Wilde.

Eu compreendo todas estas histórias, excepto a do Pai Natal. Não nasci nos Estados Unidos. Aqueles gorduchos vermelhos não me dizem respeito. Gosto mais da água que dança e do pássaro que fala.

De qualquer modo, o Natal, o nascimento de Jesus Cristo, é outra história, absolutamente incomparável. Com muito mais ternura! Com uma lição muito mais forte de amor, de alegria de viver, de capacidade de resistir. É a diferença entre um conto pelo qual ninguém arriscaria a vida e um facto que justifica a lealdade heróica dos mártires. É a diferença entre a simples imagem e a realidade propriamente dita.

O Natal é de um realismo impressionante, por isso precisa também do sonho. A parte do sonho são os presépios enfeitados com musgo e estrelas de papel, são as guloseimas e as canções. Todos nós precisamos disso, desse bocadinho de sonho que nos empurra para dentro da realidade. A barriga do Pai Natal não empurra para lado nenhum, mas, minha querida Virginia, Jesus verdadeiro sorri. Sabemos que nos vê e gosta de nós, mas precisamos do presépio para olhar para Ele e sorrirmos também.

José Maria C.S. André in «Correio dos Açores», Natal 2014


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domingo, 28 de dezembro de 2014

O próximo Sínodo sobre a Família segundo o Cardeal Napier

O Cardeal Wilfrid Napier, escolhido pelo Papa Francisco como um dos presidentes do próximo Sínodo sobre a Família de Outubro de 2015, deu uma entrevista onde garantiu que o próximo Sínodo será marcado pela "Verdade, fidelidade e autenticidade".

À pergunta sobre o que terá a Igreja em África para oferecer à Igreja no Ocidente, o cardeal sul-africano respondeu desta forma:

"A primeira coisa a dizer é que a Igreja em África é feita de pessoas que sabem e têm consciência que precisam de Deus. Por causa disto Deus está verdadeiramente presente nas suas vidas.

A segunda é que a Igreja em África está muito mais preocupada em viver a Fé do que em contestá-la ou debatê-la. Acredito que a Igreja no Ocidente poderia beneficiar se tivesse fé em Deus, com os sacrifícios que essa fé implica, antes de e mais do que as subtilezas da explicação de doutrinas, etc..."


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Beato Paulo VI explica o não à contracepção

"Nós carregamos o peso da humanidade presente e futura. É necessário compreender que, se o homem aceita dissociar no amor o prazer da procriação, se, portanto, pode pegar no prazer como se pega uma xícara de café; se a mulher, usando um aparelho ou tomando um ‘remédio’ se torna para o homem um objecto, um instrumento, fora da espontaneidade, das ternuras e das delicadezas do amor, então, não se compreende porquê esta maneira de proceder (a união conjugal no matrimónio) seja proibida fora. 

Se a Igreja de Cristo, que nós representamos nesta Terra, deixasse de subordinar o prazer ao amor e o amor à procriação, favoreceria uma saturação erótica da humanidade, que teria como lei apenas o prazer." 

Jean Guitton in Paulo VI secreto


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sábado, 27 de dezembro de 2014

A Cúria tem "15 doenças". E tu?

Nos últimos dias, além do rebuliço natalício, aconteceu um rebuliço extra porque o Papa Francisco denunciou as “15 doenças da Cúria”. O apoio às palavras do Papa foi total e os comentários unânimes, afinal de contas todos sabemos que aquela gente da Cúria é do piorio!

É fácil pensar assim: eles são maus por isso têm que mudar, eu sou bom por isso posso continuar na mesma. Mas isto está errado! As “15 doenças” enunciadas pelo Papa não são da Cúria, são minhas e são tuas, são nossas.

Eu revejo-me em muitas daquelas “doenças” e percebo que tenho que ir ao Médico o mais depressa possível. Preciso de ser curado, preciso de ser acompanhado...sozinho não consigo.

A nossa salvação depende cerca de 0% da forma como os membros da Cúria levam as suas vidas pessoais e depende cerca de 100% da forma como levamos as nossas.

A resposta à graça de Deus e as lutas de cada um de nós contra as suas próprias “doenças” é incomparavelmente mais importante para o seu destino do que as “doenças” desta Cúria ou de outra que venha a seguir.

João Silveira


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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

No Natal festejamos um triplo nascimento

No Natal festejamos um triplo nascimento. O primeiro e mais sublime nascimento é o do Filho único, gerado pelo Pai celeste na essência divina, na distinção de Pessoas. O segundo nascimento foi o que aconteceu de uma mãe que, na sua fecundidade, manteve a pureza absoluta da sua castidade virginal. O terceiro é aquele pelo qual, todos os dias e a toda a hora, Deus nasce em verdade, espiritualmente, pela graça do amor, numa alma boa.

Para este terceiro nascimento, não deve haver em nós senão uma procura simples e pura de Deus, sem mais nenhum desejo de ter como próprio seja o que for, com a vontade única de Lhe pertencer, de Lhe dar lugar da forma mais elevada e mais íntima, para que Ele possa realizar a Sua obra e nascer em nós sem Lhe colocarmos qualquer obstáculo. É por isso que Santo Agostinho nos diz: «Esvazia-te para que possas ser preenchido; sai para que possas entrar» e ainda: «Alma nobre, nobre criatura, porque procuras fora de ti o que está em ti todo inteiro, da maneira mais verdadeira e mais manifesta? E, uma vez que és participante da natureza divina, que te importam as coisas criadas e que fazes tu com elas?» 

Se o homem preparasse assim um lugar dentro de si mesmo, Deus ver-Se-ia, sem qualquer dúvida, obrigado a preenchê-lo completamente; se não, o céu romper-se-ia se fosse preciso para preencher esse vazio. Deus não pode deixar as coisas vazias; seria contrário à Sua natureza, à Sua justiça. 

É por isso que te deves calar; então o Verbo desse nascimento, a Palavra de Deus, poderá ser pronunciada em ti e tu poderás ouvi-la. Mas tens de compreender que, se tu queres falar, Ele tem de Se calar. A melhor maneira de servir o Verbo é calar e ouvir. Se, portanto, saíres completamente de ti mesmo, Deus entrará por inteiro em ti; na medida em que saíres, Ele entrará, nem mais nem menos.

Jean Tauler in Sermão para o Natal 


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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Há 100 anos: Noite de tréguas na Primeira Guerra Mundial

Um pouco por todo no mundo, crianças, jovens e graúdos, do sexo feminino e do sexo masculino, comemoram o dia de Natal. É interessante perceber que estes se deixam contagiar por uma magia cheia de esperança, de amor e de fraternidade. Contactam-se os amigos, que durante o ano foram esquecidos pelo tempo, reúne-se a família para com pompa festejar, e trocam-se presentes.

Ainda que nem todos vivam o Natal pela sua verdadeira razão de ser – o nascimento de Deus menino – quase todos partilham dos bons sentimentos do Natal cristão.

A esperança que é dada à humanidade pelo nascimento de Jesus, o amor familiar que Ele nos pede para dar, a humildade e partilha que durante a Sua vida exemplificou, são as razões para esse preenchimento de alma que a todos cativa. É pena que não se consigam perpetuar estes sentimentos de paz e união ao longo de todo o ano.

Certa noite, em plena guerra, separados por apenas algumas dezenas de metros, encontravam-se guardas britânicos e guardas alemães. Protegidos pelas suas respectivas trincheiras, os militares mantinham-se bem protegidos, e ao mínimo sinal, disparavam para matar a quem do lado inimigo se expusesse.

A lua cheia dessa noite clareava a cor escura do céu e deixava visível o campo que existia entre eles, destruído pelas explosões de até então e onde se encontravam os corpos dos soldados abatidos de ambos os lados. O silêncio imperava. Não se ouviam tiros nem nenhum soldado gritava de dores. O frio do Inverno era rigoroso.

Foi então que dentre o silêncio alguns militares alemães começaram a cantar a música “Stille Nacht, Heilige Nacht”. Os militares ingleses duplicaram a sua atenção e ficaram à escuta. A melodia não deixava dúvidas. Era da música “Silent Night”. Terminada a cantoria, o silêncio voltava a envolver o campo de batalha.

Passados uns segundos, um soldado inglês entusiasmado grita na sua própria língua “Boa alemães!” obtendo do outro lado a resposta “Feliz Natal ingleses! Nós não disparamos e vocês não disparam”.

Os ingleses, sem estarem certos da última parte da mensagem, voltaram a reforçar a atenção. Do outro lado, um militar alemão desarmado sai da sua trincheira e caminha em direcção às trincheiras inglesas. O lado inglês retribui enviando um soldado nas mesmas condições. Depois de algumas conversas, acordaram um período de tréguas.
Estamos na noite 24 de Dezembro. Durante aquela noite, as forças alemãs e forças inglesas enterraram os seus compatriotas e confraternizam. Ajudaram-se mutuamente a escavar sepulturas e conversaram sobre as suas terras e famílias. Trocaram cigarros e alimentos, riram-se das piadas que iam dirigindo uns aos outros… A língua não era impedimento. O recurso gestual era permanentemente utilizado e todos se entendiam.

No dia seguinte, dia de Natal, um sacerdote inglês celebrou a Missa ajudado por um ex seminarista alemão, que traduzia as orações. Todos rezaram o salmo 23 com que o sacerdote começou a missa: “O Senhor é o meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados e conduz-me às águas refrescantes. Reconforta a minha alma e guia-me por caminhos rectos, por amor do seu nome. Ainda que atravesse vales tenebrosos, de nenhum mal terei medo porque Tu estás comigo.” Dedicaram a missa aos seus colegas defuntos.

Depois, juntos, cozinharam o almoço e fizeram, dentro das possibilidades de um local de guerra, um banquete. Trocaram brasões da unidade e botões de uniforme como lembranças.

As forças inglesas, habituadas a ouvir e a ler nos jornais que os alemães eram bárbaros e sem escrúpulos, descobriram que estes eram em tudo idênticos a eles, com sentimentos e anseios, com famílias e amores, com esperanças e desejos de paz.

Após o almoço, surgiram duas equipas de futebol e, improvisando uma bola com trapos, defrontou-se um jogo. Os alemães venceram por três bolas a duas.
Paralelamente decorreu uma luta de boxe entre lutadores das duas nacionalidades. Bastante acesa, a disputa foi terminada com a separação dos lutadores, para que nenhum se aleijasse mais que o suposto. Seguido disto e de comum acordo geral, manteve-se o cessar-fogo por mais alguns dias. Fizeram-se amizades e partilharam-se experiências.

É hora de regressar. De despedidas feitas, cada nação regressou às suas trincheiras. Foram disparados vários tiros, de um lado e de outro, para o ar, como forma de aviso de que tudo estava de volta. A guerra era retomada. A Alemanha queria vencer e conquistar o espaço Inglês e a Inglaterra queria defendê-lo.

Muitas daquelas amizades, feitas uns minutos, umas horas, uns dias antes, terminaram com a morte. Morreram uns milhares de soldados. A guerra só terminou 4 anos depois, com a Alemanha derrotada.

Este foi o Natal, não oficializado, daqueles homens, em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial, que ficou conhecida como a Trégua de Natal e que ocorreu numa linha de 43 km que ligava Ypres até ao Canal de La Bassée.

Tiago Rodrigues


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A cama do Rei




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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Conto de Natal: Uma Família Especial

- Pst! Já estás a dormir? – perguntou-lhe em tons de sussurro o pai.

Ouviu a resposta do filho que estava deitado e meio estonteado:

- Ainda não, papá...

Já era tarde. O pai, que há quase uma hora estava ali ao seu lado a contar-lhe histórias para lhe preparar o sono, lembrou-se de mais uma, no seu entender a mais importante do seu reportório, e que seria a última daquele dia. No estado ensonado em que o filho já se encontrava, só bastava mais uma para que ele adormecesse.

Durante aquele dia, ainda que tivessem sido regulares as suas visitas a casa, cabia-lhe agora a responsabilidade de tomar conta do menino. A sua mulher tentava descansar um pouco no quarto da frente ainda que permanecesse muito atenta e preocupada com o cachopo. Também ela aproveitava para ouvir as histórias do marido, que a serenavam e encantavam.

A criança, que pouco mais de cinco anos tinha, continuava febril, e isso dificultava-lhe o adormecer.

- Filhote, o pai vai contar-te uma última história para de seguida dormires.

Permanecendo de olhos fechados, o menino ficou a ouvir silenciosamente.

- Certo dia, numa pequena terra, havia um homem de tenra idade, que procurava ser obediente à lei de Deus, como Deus quer que todos os homens sejam. Trabalhava durante o dia ganhando justo dinheiro para as suas despesas e normalmente ao final da tarde orava, entoando salmos, umas vezes na sinagoga outras vezes em sua casa.

Durante aquele tempo e segundo os profetas, um Rei, o Redentor, estaria para nascer o que o deixava, e a grande parte dos habitantes da sua terra, ansiosos. Era solteiro mas já estava comprometido. Os esponsais, que é a cerimónia onde um homem e uma mulher prometem casar um com o outro, já tinha sido celebrada. A noiva era a mulher mais bonita dessa terra, o que lhe era aprazível e não deixava de agradecer essa grande graça a Javé.

Olhando com atenção para os pés da cadeira em que estava sentado e que pareciam tremer, o pai continuou:

- Esta graciosa mulher estava assim noiva dele, usando uma aliança de ouro como forma do seu compromisso, mas ainda não viviam juntos. Também ela, como manda a Torá, era fiel à Lei de Deus, pelo que os dois respeitavam-se escrupulosamente até ao dia do seu casamento. O amor crescia entre os dois e o homem, jubiloso, não queria que viesse a faltar nada à sua futura família, ocupando parte dos seus dias na construção de uma casa acolhedora para habitarem. 

Não foi muito tempo depois que a sua noiva o informou que tinha de ir visitar uma prima direita e que vivia longe. O homem da história que te conto não ficou muito agradado. Aliás, ninguém o ficaria na sua situação. Ver a sua amada partir por tempo incerto, ainda para mais a pouco tempo do casamento, é algo doloroso. Mas a vontade dela era tão grande que, pelos seus princípios, nunca se oporia. Pelo contrário, sendo esse o seu desejo, participou activamente na organização da viagem. 

Seguiram-se três longos meses de espera, separados. As muitas saudades eram sentidas por ambos e não havia meio de chegar o dia do reencontro.

Interrompido novamente pelo tremer da cadeira em que estava sentado, o pai aproveitou para colocar a sua mão forte na testa do menino para verificar se este ainda estaria com febre. Aparentemente já não estava. O menino, agora desperto e de olhos arregalados, esperava o desfecho da história.

- Bem, continuando, quando a sua noiva chegou da viagem, a alegria que sentiu ao vê-la foi enorme e reciprocamente retribuída. Porém, rapidamente se apercebeu que esta trazia uma criança no seu ventre. A elegância da sua noiva deixava agora sobressair a barriga própria da maternidade. O homem, invadido de tristeza, abalado, não sabia o que fazer. Ele não era o pai da criança. Mantinha-se seguro sobre todos os assuntos relacionados com a pureza e lealdade da sua noiva, mas não entendia o sucedido. Que amor enaltecia por ela e que dor esmagava o seu coração! 

Mas o único assunto que o preocupava e lhe ocupava naquele momento o pensamento era sobre que atitude tomar. A sua noiva nada lhe adiantava sobre o tema, e isso dificultava-lhe ainda mais a decisão. A Lei de Moisés impele, nestes casos, a denunciar, mas se assim o fizesse a sua noiva seria acusada de traição e tratada como adúltera, resultando na condenação à morte. E isso ele não queria porque a amava e também confiava nela. 

Por outro lado, não podia consumar um casamento e ser pai de uma criança que não era dele. Depois de muito pensar acabou por decidir fugir. Na sua lógica, ao fazê-lo, todos pensariam que ele era o pai da criança mas não assumia a paternidade. Moralmente seria condenado, mas como estaria longe da sua terra, nada lhe iria acontecer e com a sua noiva tudo ficaria bem. Arrumou as suas coisas e durante a noite fez-se ao caminho. 

Já longe e com o raiar do sol resolveu descansar e dormir um pouco. Em sonhos apareceu-lhe um anjo que lhe explicou que o bebé que a sua noiva esperava era filho do Altíssimo e que ele devia regressar para junto dela.

Pensativo de como continuar a contar o resto da história ao seu filho, prosseguiu com uma serenidade acrescida:

- Quando o homem acordou, não tinha quaisquer dúvidas. O sonho tinha sido demasiado real para ser fruto da sua imaginação. Ele tinha de regressar para apoiar a sua noiva no que fosse necessário. O menino que ia nascer era O tão esperado Emanuel que o povo judeu aguardava e de quem ele iria ser o pai adoptivo. 

responsabilidade que o esperava não lhe retirava uma felicidade irradiante. Foi então que regressou o mais rápido que pôde, mais rápido ainda do que quando fugia. Encontrou-se com a sua noiva e contou-lhe o sucedido. Também ela lhe confirmou a história sobre O menino que trazia nas suas entranhas.

O pai dirigindo-se ao filho disse-lhe:

- Pronto, hoje ficamos por aqui. Noutro dia conto-te o resto da história.

O filho de forma sábia, enroscado no cobertor, respondeu-lhe agradecido:

- Papá! Gostei muito da história. Se não fosse a mamã e o papá eu nunca iria compreender a minha missão no mundo. Obrigado.

Apreensivo com a resposta do menino, deu-lhe um beijo e despediu-se dizendo:

- Dorme bem filho. Procurarei continuar a ser o melhor pai do mundo.

Soprou a vela que iluminava o quarto e levou consigo a cadeira, com o propósito de a consertar no dia seguinte.

Tiago Rodrigues


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Diz o Papa no Natal: "vai rezar... à Confissão, limpar um pouco..."

O Papa Francisco no Domingo passado, no Vaticano, convidou a viver um Natal “verdadeiramente cristão”, menos centrado em aspectos exteriores, e deixou votos de “esperança”, “alegria e fraternidade” para esta celebração.
“Confiemo-nos à interecessão da nossa Mãe e de São José para viver um Natal verdadeiramente cristão, livres de toda a mundanidade, prontos a acolher o Salvador, o Deus connosco”, disse, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, para a recitação do Angelus.
Num espaço já decorado com a tradicional árvore e um presépio em tamanho real, Francisco centrou a sua reflexão no nascimento de Jesus “no coração de cada cristão”.
“Cada um de nós é chamado a responder, como Maria, com um ‘sim’ pessoal e sincero, colocando-se totalmente à disposição de Deus e da sua misericórdia, do seu amor”, declarou.
O Papa disse aos presentes que Jesus “passa” e “bate à porta” do coração de cada um, “muitas vezes envia um anjo”.
“Quantas vezes não nos apercebemos, porque estamos presos, mergulhados nos nossos pensamentos, nos nossos assuntos e até mesmo, nestes dias, nos nossos preparativos de Natal”, alertou.
Segundo Francisco, quando se sente o desejo de “ser melhor” é “o Senhor que bate à porta” e faz sentir “o desejo de estar mais perto dos outros, de Deus”.
“Se sentes isso, pára. É o Senhor que está aí. Vai rezar, talvez à Confissão, limpar um pouco… isso faz bem. Lembra-te: se sentes esta vontade de melhorar, É ele que bate à porta, não o deixes ir embora”, referiu.
O Papa apresentou o exemplo de Maria e José, capazes de “acolher com total abertura de espírito Jesus”, que vem trazer ao mundo “o dom da paz”.
“O dom precioso do Natal é a paz e Cristo é a nossa verdadeira paz. Cristo bate à porta dos nossos corações para dar-nos a paz, a paz de espírito. Abramos as portas a Cristo”, apelou.
Após a recitação do Angelus, Francisco voltou a insistir na necessidade de estar atento ao “Senhor que passa” neste Natal.
Na quarta-feira, a ‘Missa do Galo’, na véspera de Natal, vai iniciar-se 21h30 locais (menos uma em Lisboa), na Basílica de São Pedro, e a bênção ‘Urbi et Orbi’, no dia 25, ao meio-dia de Roma, antecedida pela mensagem natalícia do Papa.
in Agência Ecclesia
Recomendação blog Senza:
Benção do Santo Padre amanhã (25) às 11h00m de Portugal, recebida pela televisão (TVI).


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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A necessidade de atender às desculpas dos outros

Sabes bem desculpar e colorir as tuas acções, mas não queres atender às desculpas dos outros. Seria mais justo que te acusasses, e desculpasses o teu irmão. Se queres ser suportado, suporta tu os outros. Vê quão longe estás ainda da verdadeira caridade e humildade, que só sabe irritar-se e indignar-se contra si própria. 

Não tem valor conviver com os que são bons e pacientes, pois isso agrada naturalmente a todos; qualquer pessoa quer de boa vontade a paz, e gosta mais do que pensam como ela. Mas poder viver em paz com os duros e os maus, com os indisciplinados, com os que se nos opõem, é grande graça e acção digna de louvor e corajosa.

Aquele que melhor sabe sofrer, maior paz conseguirá. Este é o que se vence a si mesmo e o senhor do mundo, o amigo de Cristo e o herdeiro do céu.

in Imitação de Cristo, Livro II, cap. 3 


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Advento significa expectativa - Beato Álvaro del Portillo

Advento significa expectativa e quanto mais se avizinha o acontecimento esperado, maior é o desejo por vê-lo realizado. Nós, juntamente com tantos outros cristãos, desejamos que Deus ponha ponto final à dura prova que aflige a Igreja, já há muitos anos. Desejamos que este longo advento chegue finalmente ao seu termo: que as almas se movam para a verdadeira contrição; que o Senhor se faça presente mais intensamente nos membros da sua amada Esposa, a Igreja Santa. 

Desejamo-lo e pedimo-lo com toda a alma: magis quam custodes auroram, mais do que a sentinela deseja a aurora, ansiamos que a noite se transforme em pleno dia.

in Caminhar com Jesus ao ritmo do ano litúrgico 


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domingo, 21 de dezembro de 2014

De geração em geração até Francisco

A liturgia da Igreja prevê que o «sprint» final que antecede o Natal comece no dia 17 de Dezembro, mas no actual pontificado esse dia tem mais qualquer coisa: faz anos o Papa Francisco. Poderia parecer pouco importante, soprar as velas (78 velas) e cortar umas fatias de bolo, mas é uma coisa muito séria.

À primeira vista, o Evangelho da Missa do dia 17, que marca o «sprint» de preparação para o Natal, não se parece com a partida para uma corrida de velocidade. Julgamos mesmo que S. Mateus perde tempo com uma lengalenga interminável: «Abraão gerou Isaac, Isaac gerou Jacob, Jacob gerou…» e lá vão catorze gerações de personagens estranhos, e mais catorze gerações de uma genealogia ainda mais incompreensível, e mais outras catorze gerações… até concluir finalmente em «José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus». É raro o Evangelho da Missa ser tão comprido e, sobretudo, nenhum outro tem tantos personagens e tão pouco argumento. Poderia suspeitar-se que o Evangelho do dia 17 de Dezembro está em competição renhida com a lista telefónica.

De facto, à primeira vista, é um relatório cansativo. Só Deus parece interessado em cada um daqueles homens e mulheres e conhece o sentido das suas vidas. Por isso, lido no dia 17 de Dezembro, no começo do «sprint» do Natal, aquela lista tem sabor a um sinal de partida pouco incisivo. Ou talvez não.

A surpreendente mensagem de S. Mateus é que Deus se fez Homem e quis misturar-se connosco. Quis ter antepassados, quis nascer numa família e quis rodear-se de pessoas. Mais tarde, quando começou a sua vida pública, Cristo aparece sempre rodeado dos seus discípulos. Podia dispensá-los, mas convoca-os. Atrapalham um pouco, mas quere-os junto a si. Viver acompanhado foi uma opção pessoal tão forte, que se transformou num programa para o mundo: Cristo quer chegar a todos os povos através de uma corrente de pessoas.

Em consequência, Simão ficou «Pedro», isto é, «rocha», porque Cristo o colocou como elo entre nós e Deus, fundamento sobre o qual assentaria a sua Igreja. Nem Pedro compreendeu o mistério. Nem dava para perceber: todos conhecem os inconvenientes de contar com a colaboração de seres humanos; porque é que Deus conta com eles?! Porque é que Deus chamou Pedro? Em vez de uma comunicação directa, eficiente, Deus fala connosco através de um intermediário. Que processo mais complicado, sob todos os pontos de vista! A fraqueza humana não tem limites e a tarefa exige, com alguma frequência, arriscar a vida. Nenhum homem pensaria num sistema tão complexo, mas Cristo não tem só uma inteligência humana, de modo que foi mesmo assim que estabeleceu a sua Igreja.

«Abraão gerou Isaac, Isaac gerou Jacob»… geração após geração, Deus não saltou nenhum elo na cadeia que o liga às raízes da humanidade. Analogamente, nós, como diz uma oração habitual da Missa, «em comunhão com toda a Igreja, veneramos a memória da gloriosa sempre Virgem Maria (…), a de S. José, seu esposo, e a dos bem-aventurados Apóstolos e Mártires Pedro, (…) Lino, Cleto, Clemente, Anastásio…». A lista dos Papas, que começa com Pedro e continua com Lino, Cleto, Clemente, … prolonga-se pelos séculos, geração após geração, até …João Paulo, Bento e Francisco.

É este Francisco, escolhido por Deus para governar a Igreja, que soprou as velas do bolo no dia 17 de Dezembro. Ele podia não ser importante para a nossa relação com Deus, mas Cristo quis que fosse indispensável.
José Maria C.S. André in «Correio dos Açores», 21-XII-2014


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sábado, 20 de dezembro de 2014

Ser capaz de amar os inimigos

Algum de vós dirá: «Não sou capaz de amar os meus inimigos.» Deus não cessa de te dizer nas Escrituras que és capaz, e tu respondes-Lhe dizendo que não és? Reflecte comigo: em quem devemos acreditar, em Deus ou em ti? Uma vez que Aquele que é a própria Verdade não pode mentir, que a fraqueza humana abandone desde agora as suas desculpas fúteis. Aquele que é justo não pode ordenar coisas impossíveis, nem Aquele que é misericordioso condenará um homem por algo que este não era capaz de evitar. 

Nesse caso, a que se devem as nossas hesitações? Ninguém sabe melhor aquilo de que somos capazes do que Aquele que nos tornou capazes. Há tantos homens, tantas mulheres e crianças, tantas jovens delicadas que por amor de Cristo suportaram as chamas, o fogo, o gládio e os animais selvagens de forma imperturbável, e nós dizemos que não somos capazes de suportar insultos de gente estúpida?

Com efeito, se só tivéssemos de amar os bons, que haveríamos de dizer do comportamento do nosso Deus, sobre quem está escrito: «De tal modo amou Deus o mundo que lhe deu o seu Filho unigénito»? (Jo 3,16) Pois que bem tinha o mundo feito para que Deus assim o amasse? Cristo nosso Senhor veio encontrar todos os homens, não somente maus, mas mortos por causa do pecado original; e contudo, «amou-nos e entregou-Se a Si mesmo por nós» (Ef 5,2). 

Deste modo, amou também aqueles que não O amavam, como observa o apóstolo Paulo: «Cristo morreu pelos culpados» (Rm 5,6); e, na sua misericórdia inexprimível, deu este exemplo a todo o género humano, dizendo: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29).

S. Cesário de Arles in Sermões ao povo, n° 37; SC 243 


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Canção a Maria: "Mary, did you know"

Maria, sabias que o teu bebé um dia irá andar sobre as águas?
Maria, sabias que o teu bebé irá salvar nossos filhos e filhas?

Sabias que o teu bebé vem para te renovar?
Esta criança que darás à luz em breve te dará a Luz.

Maria, sabias que o teu bebé dará visão a um cego?
Maria, sabias que o teu bebé irá acalmar uma tempestade com a  mão?
Maria, sabias que o teu bebé andou onde os anjos ?
Quando beijas o teu pequeno bebé beijas a face de Deus?

Maria, sabias?

O cego verá.
O surdo ouvirá.
E o morto viverá novamente.
O coxo saltará.
O mudo falará.
Os louvores do Cordeiro.

Maria, sabias que o teu bebé é o Senhor de toda a criação?
Maria, sabias que o teu bebé um dia irá governar as nações?
Sabias que o teu menino é o Cordeiro perfeito dos Céus?
Esta criança que seguras enquanto dorme é o Grande, Eu Sou.


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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

7 grandes razões para se confessar hoje mesmo (e sempre)

A confissão é um presente: aproveite já, aproveite muitas vezes e leve os seus filhos consigo!

"A renovação da Igreja na América depende da renovação da prática da penitência", disse-nos o Papa Bento XVI no National Stadium, em Washington.

O Papa João Paulo II passou os últimos anos da sua vida na Terra pedindo que os católicos retornassem à confissão, inclusive mediante um motu proprio urgente e através da encíclica sobre a Eucaristia.

O Papa chamou à crise na Igreja uma “crise da confissão” e escreveu aos sacerdotes: "Sinto a necessidade premente de exortá-los, como fiz no ano passado, a redescobrirem para vós mesmos e ajudarem os outros a redescobrirem a beleza do sacramento da reconciliação."

Porquê toda esta importância dada à confissão?

Porque quando fugimos dela perdemos a noção do pecado. E a perda da noção do pecado é a raiz de muitos males do nosso tempo, do abuso de crianças à desonestidade financeira, do aborto ao ateísmo.

Como, então, promover novamente a confissão?

Sugiro 7 motivos, tanto naturais quanto sobrenaturais, para voltarmos à confissão:

1. Porque o pecado impõe um fardo sobre as nossas costas

Um terapeuta conta a história de um paciente que passava por um ciclo terrível de depressão e de repulsa por si mesmo desde o tempo escolar. Nada parecia ajudá-lo. Um dia, o terapeuta encontrou o paciente à frente de uma igreja católica. Eles entraram na igreja porque tinha começado a chover e viram uma fila de pessoas fora do confessionário.

"Será que eu não devia ir também?", perguntou o paciente, que tinha recebido o sacramento quando criança. "Não!", respondeu o terapeuta.

O paciente desobedeceu e foi à mesma. Saiu do confessionário com o seu primeiro sorriso em anos e começou um processo de melhora que se prolongou durante as semanas seguintes. O terapeuta começou a estudar mais sobre a confissão, converteu-se ao catolicismo e hoje aconselha a confissão regular a todos os seus pacientes católicos.

O pecado leva-nos à depressão porque não é apenas uma violação arbitrária de regras: é uma violação da finalidade proposta por Deus ao nosso próprio ser. A confissão elimina a culpa e a ansiedade causadas pelo pecado e traz a cura.

2. Porque o pecado vicia

Aristóteles disse: "Nós somos o que fazemos repetidamente". O Catecismo diz: "O pecado cria uma propensão ao pecado". As pessoas não mentem apenas: tornam-se mentirosas. Nós não roubamos apenas: tornamo-nos ladrões. O pecado vicia. A ruptura com o pecado redefine-nos, permitindo que iniciemos novos hábitos de virtude.

"Deus está determinado a libertar os seus filhos da escravidão e conduzi-los à liberdade", disse o Papa Bento XVI. "E a escravidão pior e mais profunda é a do pecado".

3. Porque precisamos desabafar

Se alguém destrói um objecto de grande valor afectivo pertencente a um amigo, nunca ficará satisfeito só com o facto de sentir remorso. Sentir-se-á obrigado a explicar-lhe o que fez, expressar a sua tristeza e fazer o que for necessário para consertar o estrago.

Acontece o mesmo quando “destruimos” algo no nosso relacionamento com Deus. Precisamos dizer-Lle que sentimos muito e tentar corrigir o erro.


4. Porque a confissão nos ajuda a nos conhecer

Nós vemo-nos, normalmente, de forma errada. A nossa opinião sobre nós mesmos é como uma série de espelhos distorcidos. Às vezes, vemos uma versão maravilhosa e imponente de nós mesmos. Às vezes, vemos uma versão grotesca.

A confissão obriga-nos a olhar para as nossas vidas objectivamente, a separar os verdadeiros pecados dos maus sentimentos e a vermo-nos como realmente somos.

O Papa Bento XVI afirmou: "A confissão ajuda-nos a ter uma consciência mais alerta, mais aberta e, portanto, também nos ajuda a amadurecer espiritualmente e como pessoas humanas".

5. Porque a confissão ajuda as crianças

As crianças também precisam se confessar. Alguns autores têm enfatizado os aspectos negativos da confissão na infância: segundo eles, a confissão "forçaria a pensar em coisas que geram culpa". Mas isto não é necessariamente verdade.

Danielle Bean, da Catholic Digest, explicou uma vez que os seus irmãos e irmãs se confessavam e depois rasgavam o papel em que tinham escrito a confissão, deitando-o para o lixo da igreja. "Que libertação! Deitar fora os meus pecados, de volta ao lixo de onde vieram! 'Bati na minha irmã seis vezes' e 'respondi mal quatro vezes para a minha mãe' já não eram fardos que eu tinha que carregar!"

A confissão pode ajudar as crianças a desabafar sem medo, a receber o aconselhamento gentil de um adulto quando estão preocupadas ou com medo de falar com os pais. Um bom exame de consciência pode orientar as crianças a pensar nas coisas apropriadas para confessar. Muitas famílias fazem da confissão um passeio seguido de um gelado!

6. Porque confessar os pecados mortais é necessário

O Catecismo diz que o pecado mortal não confessado exclui-nos do Reino de Cristo e causa-nos a morte eterna no inferno, porque a nossa liberdade tem o poder de fazer escolhas definitivas. A Igreja lembra-nos reiteradamente que os católicos em pecado mortal não podem receber a comunhão sem antes se confessarem.

O pecado é mortal quando reúne simultaneamente três condições: matéria grave, pleno conhecimento e consentimento deliberado, explica o Catecismo.

Os pecados que implicam matéria grave incluem, por exemplo, o aborto e a eutanásia, qualquer actividade sexual fora do casamento, o roubo, a pornografia, a calúnia, o ódio, a inveja, a não participação da missa aos Domingos e nos dias de preceito, entre outros.

7. Porque a confissão é um encontro pessoal com Cristo

Na confissão, é Cristo quem nos cura e nos perdoa através do ministério do sacerdote. Temos um encontro pessoal com Cristo no confessionário. Assim como os pastores e os magos na gruta de Belém, encontramos reverência e humildade. E, assim como os santos na crucificação, encontramos gratidão, arrependimento e paz.

Não há maior realização na vida do que ajudar outra pessoa a voltar à confissão.

Temos que estar dispostos a falar da confissão da maneira como falamos de todos os outros eventos significativos da nossa vida. O comentário espontâneo "A essa hora não vou poder ir porque me vou confessar" pode ser mais convincente do que um discurso teológico. E se a confissão é um evento significativo em nossas vidas, é também uma resposta apropriada para a pergunta "O que vais fazer neste fim de semana?". Além disso, muitos de nós têm histórias engraçadas ou interessantes para compartilhar sobre a confissão: por que não contá-las com naturalidade aos amigos?

Ajudemos a tornar a confissão normal novamente! Ajudemos o máximo possível de pessoas a descobrir a beleza deste sacramento libertador!

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