quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Nas alturas de crise, agarra-te ao mais importante

Estragos provocados pelo furacão Sandy, em Nova Iorque



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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Diário dos 40 dias de Oração pela Vida

Dia 24 de 40.
Estiveram 25 pessoas a rezar.
Hoje muitas mulheres abortaram. Várias adolescentes. Uma de 14 anos. Mas todas sairam tocadas e pareciam arrependidas. Um casal de universitários, depois de ela ter abortado, pararam e, após falarmos com eles, o pobre rapaz começou a chorar, vendo-se o arrependimento no seu rosto.
Duas mulheres desistiram de abortar e têm consulta marcada num dos nossos médicos.
Pedem-me para vos avisar que haverá amanhã, dia 25, como todos os meses, terço pela vida às 21h30 na porta da clínica dos arcos. Apareçam.

Dia 23 de 40.
Houve gente a rezar em todos os turnos, embora pouca, são precisos reforços!!
Hoje apareceu na casa de Nazaré para ser apresentado às pessoas das Mãos Erguidas que o salvaram, graças a Deus, há nove meses atrás, o William, um lindo bebé de 2 meses que é a alegria da sua mãe, apesar das muitas dificuldades que esta tem. Ao ver a mãe a dar de mamar e contar os seus problemas, uma grávida de 7 semanas que estava angustiada e indecisa de decidiu não abortar.
Outra grávida que já passava das 10 semanas e por isso não pode abortar saiu da clínica chocada com a frieza e falta de humanidade com que a tinham tratado lá.
Um pobre homem sexagenário amargurado repetia à porta da casa que tinha a filha a abortar naquele momento e que estava arrependido de a ter "empurrado" para aquilo e torturava-se com a culpa. Amanhã vão 3 grávidas que desistiram de abortar ao nosso médico.

Dia 22 de 40.
Cerca de 30 pessoas a rezar em todos os turnos. Logo ao princípio da manhã uma mulher grávida de 5 semanas entrou na clínica e voltou a sair rapidamente e dirigiu-se à casa de Nazaré para dizer que estava numa situação difícil mas não conseguia abortar. Foi animada e apoiada e ficou confirmada na sua decisão. Também apareceu uma rapariga de 16 anos a  chorar convulsivamente mas a mãe e mais outra amiga diziam que tinha de abortar que não há outra opção. Inscrevam-se por favor.

Dias 20 e 21 de 40.
Graças a Deus e à boa vontade de muitas pessoas conseguimos ter gente a rezar em todos os turnos no fim de semana, não interrompendo, a não se de noite, esta corrente de oração.
Ainda temos mais 19 dias para rezar pelas grávidas em sofrimento e angústia, pelas mulheres que já abortaram, pelos pais e avós dos bebés que empurram as grávidas a abortar, pelos profissionais da clínica que ainda não viram a verdade ou que vendo-a não querem sair do erro, pelos bebés não nascidos que nos pedem a todos nós que lhes demos voz, que digamos por eles às suas mães: "mãe deixa-me viver.". Venham rezar connosco pelo menos uma vez, e também dar alternativas às grávidas aflitas.

Dia 19 de 40.
Ver hoje o pequeno Leandro acabado de nascer e o olhar feliz (embora exausto) da sua jovem mãe, foi uma experiência comovedora. Aquele ser pequenino e cheio de vida não teria nascido se há 7 meses atrás não tivesse havido gente a rezar em frente à clínica e se uma pessoa das Mãos Erguidas não tivesse falado com a sua mãe. E hoje o olhar desta mãe não seria brilhante, apesar das preocupações.
Hoje também 2 grávidas desistiram de abortar, com o aborto marcado para hoje. Uma delas, depois de ter sido abordada por alguém das Mãos Erguidas, entrou e saiu da clínica 5 vezes até que chegou à conclusão que não conseguia abortar. Precisa de orações para ter força para aguentar a oposição do marido! Durante o fim de semana venham com a família rezar um pouco por estas pessoas na casa de Nazaré em frente à clínica. Podem trazer a guitarra e rezar a cantar pois a clínica está fechada.


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Frase do dia

“Quando envelhecemos ou ficamos doentes tendemos a desanimar. Devemos estar rodeados de pessoas que nos querem ajudar. Merecemos poder envelhecer numa sociedade que vê os nossos cuidados e as nossas necessidades com uma compaixão enraizada no respeito, oferecendo-nos um verdadeiro apoio para os nossos últimos dias.” 

Cardeal Sean O’Malley, a lutar contra a legalização da eutanásia em Boston


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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Homilia de Bento XVI no encerramento do Sínodo dos Bispos

Venerados Irmãos,
Ilustres Senhores e Senhoras,
Amados irmãos e irmãs!

O milagre da cura do cego Bartimeu ocupa uma posição significativa na estrutura do Evangelho de Marcos. De facto, está colocado no fim da secção designada «viagem para Jerusalém», isto é, a última peregrinação de Jesus para a Cidade Santa, para a Páscoa em que, como Ele sabe, O aguardam a paixão, a morte e a ressurreição. Para subir a Jerusalém a partir do vale do Jordão, Jesus passa por Jericó, e o encontro com Bartimeu tem lugar à saída da cidade, «quando – observa o evangelista – ia a sair de Jericó com os seus discípulos e uma grande multidão» (10, 46), a mesma multidão que, dali a pouco, aclamará Jesus como Messias na sua entrada em Jerusalém. Precisamente na estrada estava sentado a mendigar Bartimeu, cujo nome significa «filho de Timeu», como diz o próprio evangelista. Todo o Evangelho de Marcos é um itinerário de fé, que se desenvolve gradualmente na escola de Jesus. Os discípulos são os primeiros actores deste percurso de descoberta, mas há ainda outros personagens que desempenham papel importante, e Bartimeu é um deles. A sua cura prodigiosa é a última que Jesus realiza antes da sua paixão, e não é por acaso que se trata da cura dum cego, isto é, duma pessoa cujos olhos perderam a luz. A partir de outros textos, sabemos também que a condição de cegueira tem um significado denso nos Evangelhos. Representa o homem que tem necessidade da luz de Deus – a luz da fé – para conhecer verdadeiramente a realidade e caminhar pela estrada da vida. Condição essencial é reconhecer-se cego, necessitado desta luz; caso contrário, permanece-se cego para sempre (cf. Jo 9, 39-41).

Situado naquele ponto estratégico da narração de Marcos, Bartimeu é apresentado como modelo. Ele não é cego de nascença, mas perdeu a vista: é o homem que perdeu a luz e está ciente disso, mas não perdeu a esperança, sabe agarrar a possibilidade deste encontro com Jesus e confia-se a Ele para ser curado. Na realidade, ouvindo dizer que o Mestre passa pela sua estrada, grita: «Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim!» (Mc 10, 47), e repete-o vigorosamente (v. 48) E quando Jesus o chama e lhe pergunta que quer d’Ele, responde: «Mestre, que eu veja!» (v. 51). Bartimeu representa o homem que reconhece o seu mal, e grita ao Senhor com a confiança de ser curado. A sua imploração, simples e sincera, é exemplar, tendo entrado na tradição da oração cristã da mesma forma que a súplica do publicano no templo: «Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador» (Lc 18, 13). No encontro com Cristo, vivido com fé, Bartimeu readquire a luz que havia perdido e, com ela, a plenitude da sua própria dignidade: põe-se de pé e retoma o caminho, que desde então tem um guia, Jesus, e uma estrada, a mesma que Jesus percorre. O evangelista não nos diz mais nada de Bartimeu, mas nele mostra-nos quem é o discípulo: aquele que, com a luz da fé, segue Jesus «pelo caminho» (v. 52).

Num dos seus escritos, Santo Agostinho observa um particular acerca da figura de Bartimeu, que pode ser interessante e significativo também hoje para nós. O santo Bispo de Hipona reflecte sobre o facto de Marcos referir, neste caso, não só o nome da pessoa que é curada, mas também de seu pai, e chega à conclusão de que «Bartimeu, filho de Timeu, era um personagem decaído duma situação de grande prosperidade, e a sua condição de miséria devia ser universalmente conhecida e de domínio público, enquanto não era apenas cego, mas um mendigo que estava sentado na berma da estrada. Por esta razão, Marcos não o quis recordar só a ele, porque o facto de ter recuperado a vista conferiu ao milagre tão grande ressonância como grande era a fama da desventura que atingira o cego» (O consenso dos evangelistas, 2, 65, 125: PL 34, 1138) . Assim escreve Santo Agostinho!

Esta interpretação de Bartimeu como pessoa decaída duma condição de «grande prosperidade» é sugestiva, convidando-nos a reflectir sobre o facto que há riquezas preciosas na nossa vida que podemos perder e que não são materiais. Nesta perspectiva, Bartimeu poderia representar aqueles que vivem em regiões de antiga evangelização, onde a luz da fé se debilitou, e se afastaram de Deus, deixando de O considerarem relevante na própria vida: são pessoas que deste modo perderam uma grande riqueza, «decaíram» duma alta dignidade – não económica ou de poder terreno, mas a dignidade cristã –, perderam a orientação segura e firme da vida e tornaram-se, muitas vezes inconscientemente, mendigos do sentido da existência. São as inúmeras pessoas que precisam de uma nova evangelização, isto é, de um novo encontro com Jesus, o Cristo, o Filho de Deus (cf. Mc 1, 1), que pode voltar a abrir os seus olhos e ensinar-lhes a estrada. É significativo que, no momento em que concluímos a Assembleia sinodal sobre a Nova Evangelização, a Liturgia nos proponha o Evangelho de Bartimeu. Esta Palavra de Deus tem algo a dizer de modo particular a nós que nestes dias nos debruçamos sobre a urgência de anunciar novamente Cristo onde a luz da fé se debilitou, onde o fogo de Deus, à semelhança dum fogo em brasas, pede para ser reavivado a fim de se tornar chama viva que dá luz e calor a toda a casa.

A nova evangelização diz respeito a toda a vida da Igreja. Refere-se, em primeiro lugar, à pastoral ordinária que deve ser mais animada pelo fogo do Espírito a fim de incendiar os corações dos fiéis que frequentam regularmente a comunidade reunindo-se no dia do Senhor para se alimentarem da sua Palavra e do Pão de vida eterna. Aqui gostaria de sublinhar três linhas pastorais que emergiram do Sínodo. A primeira diz respeito aos Sacramentos da iniciação cristã. Foi reafirmada a necessidade de acompanhar, com uma catequese adequada, a preparação para o Baptismo, a Confirmação e a Eucaristia; e reiterou-se também a importância da Penitência, sacramento da misericórdia de Deus. É através deste itinerário sacramental que passa o chamamento do Senhor à santidade, que é dirigido a todos os cristãos. Na realidade, várias vezes se repetiu que os verdadeiros protagonistas da nova evangelização são os santos: eles falam, com o exemplo da vida e as obras da caridade, uma linguagem compreensível a todos.

Em segundo lugar, a nova evangelização está essencialmente ligada à missão ad gentes. A Igreja tem o dever de evangelizar, de anunciar a mensagem da salvação aos homens que ainda não conhecem Jesus Cristo. No decurso das próprias reflexões sinodais, foi sublinhado que há muitos ambientes em África, na Ásia e na Oceânia, onde os habitantes aguardam com viva expectativa – às vezes sem estar plenamente conscientes disso – o primeiro anúncio do Evangelho. Por isso, é preciso pedir ao Espírito Santo que suscite na Igreja um renovado dinamismo missionário, cujos protagonistas sejam, de modo especial, os agentes pastorais e os fiéis leigos. A globalização provocou um notável deslocamento de populações, pelo que se impõe a necessidade do primeiro anúncio também nos países de antiga evangelização. Todos os homens têm o direito de conhecer Jesus Cristo e o seu Evangelho; e a isso corresponde o dever dos cristãos – de todos os cristãos: sacerdotes, religiosos e leigos – de anunciarem a Boa Nova.

Um terceiro aspecto diz respeito às pessoas baptizadas que, porém, não vivem as exigências do Baptismo. Durante os trabalhos sinodais, foi posto em evidência que estas pessoas se encontram em todos os continentes, especialmente nos países mais secularizados. A Igreja dedica-lhes uma atenção especial, para que encontrem de novo Jesus Cristo, redescubram a alegria da fé e voltem à prática religiosa na comunidade dos fiéis. Para além dos métodos tradicionais de pastoral, sempre válidos, a Igreja procura lançar mão de novos métodos, valendo-se também de novas linguagens, apropriadas às diversas culturas do mundo, para implementar um diálogo de simpatia e amizade que se fundamenta em Deus que é Amor. Em várias partes do mundo, a Igreja já encetou este caminho de criatividade pastoral para se aproximar das pessoas afastadas ou à procura do sentido da vida, da felicidade e, em última instância, de Deus. Recordamos algumas missões urbanas importantes, o «Átrio dos Gentios», a missão continental, etc.. Não há dúvida que o Senhor, Bom Pastor, abençoará abundantemente estes esforços que nascem do zelo pela sua Pessoa e pelo seu Evangelho.

Queridos irmãos e irmãs, Bartimeu, uma vez obtida novamente a vista graças a Jesus, juntou-se à multidão dos discípulos, entre os quais havia seguramente outros que, como ele, foram curados pelo Mestre. Assim são os novos evangelizadores: pessoas que fizeram a experiência de ser curadas por Deus, através de Jesus Cristo. Eles têm como característica a alegria do coração, que diz com o Salmista: «O Senhor fez por nós grandes coisas; por isso, exultamos de alegria» (Sal 126/125, 3). Com jubilosa gratidão, hoje também nós nos dirigimos ao Senhor Jesus, Redemptor hominis e Lumen gentium, fazendo nossa uma oração de São Clemente de Alexandria: «Até agora errei na esperança de encontrar Deus, mas porque Vós me iluminais, ó Senhor, encontro Deus por meio de Vós, e de Vós recebo o Pai, torno-me herdeiro convosco, porque não Vos envergonhastes de me ter por irmão. Cancelemos, portanto, cancelemos o esquecimento da verdade, a ignorância; e, removendo as trevas que nos impedem de ver como a névoa nos olhos, contemplemos o verdadeiro Deus...; já que, sobre nós sepultados nas trevas e prisioneiros da sombra da morte, brilhou uma luz do céu mais pura que o sol, mais doce que a vida nesta terra » (Protrettico, 113, 2–114, 1). Amen.


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Há 1700 anos Constantino vencia a batalha da Ponte Mílvio

Autor: Rafael. Museus do Vaticano



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sábado, 27 de outubro de 2012

Frase do dia

"The heart itself is but a small vessel, yet dragons are there, and there are also lions; there are poisonous beasts and all the treasures of evil. But there too is God, the angels, the life and the kingdom, the light and the apostles, the heavenly cities and the treasuries of grace—all things are there." 

St.Macarius, Homilies 43,7


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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

"Eis que estou à porta e bato" - São Macário

Acolhamos o nosso Deus e Senhor, o verdadeiro médico, o único capaz de curar a nossa alma ao vir a nós, Ele que tanto penou por nós. Ele bate sem cessar à porta do nosso coração, para que Lha abramos e O deixemos entrar para Ele repousar na nossa alma, para que Lhe lavemos os pés e O cubramos com perfume, para que faça em nós a Sua morada. Com efeito, Jesus acusa aquele que não Lhe lavou os pés, dizendo: «Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa» (Ap 3,20). Efectivamente, foi para isso que Ele suportou tantos sofrimentos, que entregou o Seu corpo à morte e nos resgatou da servidão: para vir à nossa alma e fazer dela Sua morada.

É por isso que o Senhor diz àqueles que, no julgamento, estiverem à Sua esquerda e forem enviados para a geena: «Tive fome e não Me destes de comer, tive sede e não Me destes de beber» (Mt 25,42ss). Porque a Sua comida, a Sua bebida, as Suas roupas, o Seu tecto, o Seu repouso estão no nosso coração. Por isso Ele bate sem cessar, querendo entrar em nós. Acolhamo-Lo, portanto, e recebamo-Lo dentro de nós, pois Ele é também o nosso alimento, a nossa bebida, a nossa vida eterna. 

E toda a alma que não O acolhe agora dentro de si, para Ele aí encontrar repouso, ou antes, para que ela repouse n'Ele, não herdará o Reino dos Céus com os santos e não poderá entrar na cidade celeste. Mas Tu, Senhor Jesus Cristo, deixa-nos entrar, a nós que glorificamos o Teu nome, com o Pai e o Espírito Santo, por todos os séculos. Amen.


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Frase do dia

"Sempre tive este dilema: o que devo ler? Buscava escolher aquilo que fosse mais essencial. A produção editorial é tão vasta! Nem todos os livros têm o mesmo valor e utilidade. É preciso saber escolher e pedir conselho a respeito do que merece ser lido." 

Beato João Paulo II in 'Levantai-vos, vamos!'


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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Carta do bispo chinês D.Lucas Ly Jingfeng, lida no Sínodo

Reverendíssimos e Excelentíssimos Padres da XIII Assembleia Geral do Sínodo,

Quero dizer que a nossa Igreja na China, especialmente os leigos, manteve até agora a piedade, a fidelidade, a sinceridade e a devoção dos primeiros cristãos, apesar de ter suportado cinquenta anos de perseguição. Quero acrescentar que rezo intensamente e constantemente a Deus Todo-Poderoso para que a nossa compaixão, a nossa fidelidade, a nossa sinceridade e a nossa devoção curem a indiferença, a infidelidade e a secularização que surgiram no exterior, por causa de uma abertura e de uma liberdade sem travões.

No Ano da Fé, nas discussões sinodais, vossas excelências podem indagar porque é que a fé na China foi preservada até hoje. É como disse o grande filósofo chinês Lao Tse: "Assim como a calamidade gera prosperidade, também o conforto esconde a calamidade". Nas igrejas fora da China, a tibieza, a infidelidade e a secularização dos fiéis infectaram muitos clérigos. Já na Igreja chinesa, os leigos são mais fervorosos do que o próprio clero. Será que a piedade, a fidelidade, a sinceridade e a devoção dos leigos chineses cristãos não poderia sacudir os clérigos estrangeiros?

Eu fiquei profundamente comovido com o lamento do papa Bento XVI: "Como sabemos, em vastas áreas do mundo a fé corre o perigo de se apagar, como uma chama que não é mais alimentada. Estamos diante de uma profunda crise de fé, de uma perda do sentido religioso, que constitui o maior desafio para a Igreja de hoje. A renovação da fé deve ser a prioridade no compromisso de toda a Igreja nos nossos dias" (Discurso do Santo Padre Bento XVI aos participantes da Assembleia Plenária da Congregação para a Doutrina da Fé, 27 de janeiro de 2012).

Eu acredito, porém, que a nossa fé de cristãos chineses pode consolar o Papa. Não falarei da política, que é sempre transitória.


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Às vezes dá vontade...




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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Homilia do Papa Bento XVI nas 7 canonizações de ontem

Venerados irmãos,
Queridos irmãos e irmãs!

Hoje a Igreja escuta mais uma vez estas palavras de Jesus, pronunciadas durante o caminho rumo a Jerusalém, onde devia cumprir-se o seu mistério de paixão, morte e ressurreição. São palavras que manifestam o sentido da missão de Cristo na terra, marcada pela sua imolação, pela sua doação total. Neste terceiro domingo de outubro, no qual se celebrar o Dia Mundial das Missões, a Igreja as escuta com uma intensidade particular e reaviva a consciência de viver totalmente em um perene estado de serviço ao homem e ao Evangelho, como Aquele que se ofereceu a si mesmo até o sacrifício da vida.

Dirijo a minha cordial saudação a todos vós, que encheis a Praça de São Pedro, nomeadamente as Delegações oficiais e os peregrinos vindos para festejar os novos sete Santos. Saúdo com afeto os Cardeais e Bispos que nestes dias estão participando da Assembléia sinodal sobre a Nova Evangelização. É providencial a coincidência entre esta Assembléia e o Dia das Missões; e a Palavra de Deus que acabamos de escutar se mostra iluminadora para ambas. Esta nos mostra o estilo do evangelizador, chamado a testemunhar e anunciar a mensagem cristã conformando-se a Jesus Cristo, seguindo a Seu mesma vida.
O Filho do homem veio para servir e dar a sua vida como resgate para muitos (cf. Mc 10,45)

Estas palavras constituíram o programa de vida dos sete beatos que a Igreja hoje inscreve solenemente na gloriosa fileira dos Santos. Com coragem heróica eles consumiram a sua existência na consagração total a Deus e no serviço generoso aos irmãos. São filhos e filhas da Igreja, que escolheram a vida do serviço seguindo o Senhor. A santidade na Igreja teve sempre a sua fonte no mistério da Redenção, que já prefigurava o profeta Isaias na primeira Leitura: o Servo do Senhor, o justo que «fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas» (Is 53,11), este Servo é Jesus Cristo, crucificado, ressuscitado e vivo na glória. A celebração hodierna constitui uma confirmação eloquente dessa misteriosa realidade salvífica. A tenaz profissão de fé destes sete discípulos generosos de Cristo, a sua conformação ao Filho do Homem resplandece hoje em toda a Igreja.

Jacques Berthie, nascido em 1838, na França, foi desde muito cedo um enamorado de Jesus Cristo. Durante o seu ministério paroquial, desejou ardentemente salvar as almas. Ao fazer-se jesuíta, queria percorrer o mundo para a glória de Deus. Pastor incansável na Ilha de Santa Maria e depois em Madagascar, lutou contra a injustiça, levando alívio para os pobres e enfermos. Os malgaxes o consideravam um sacerdote vindo do céu, e diziam: Tu és o nosso “pai e mãe”! Ele sefez tudo para todos, haurindo na oração e no amor do Coração de Jesus a força humana e sacerdotal para enfrentar o martírio, em 1896. Morreu dizendo: «Prefiro antes morrer que renunciar à minha fé». Queridos amigos, que a vida deste evangelizador seja um encorajamento e um modelo para os sacerdotes, para que sejam homens de Deus como ele o foi! Que o seu exemplo ajude os numerosos cristãos que são perseguidos por causa da sua fé nos dias de hoje! Que a sua intercessão, durante este ano da fé, produza frutos em Madagascar e no Continente africano! Que Deus abençoe o povo malgaxe!

Pedro Calungsod nasceu aproximadamente no ano 1654, na região de Visayas, nas Filipinas. Seu amor a Cristo o inspirou a preparar-se como catequista com os missionários jesuítas da região. Em 1668, junto com outros dois jovens catequistas, acompanhou o Padre Diego Luiz de San Vitores para as Ilhas Marianas com o fim de evangelizar o povo Chamorro. Nesse lugar, a vida era difícil e os missionários enfrentaram a perseguição nascida da inveja e de calunias. Pedro, contudo, demonstrou uma grande fé e caridade, e continuou catequizando os seus muitos convertidos, dando testemunho de Cristo através de uma vida de pureza e dedicação ao Evangelho. O seu desejo de ganhar almas para Cristo se sobrepunha a tudo, e isso o levou a aceitar decididamente o martírio. Morreu no dia 2 de abril de 1672. Algumas testemunhas contaram que Pedro poderia ter fugido para um lugar seguro, mas escolheu permanecer ao lado do Padre Diego. O sacerdote, antes de ser morto, pôde dar a absolvição a Pedro. Que o exemplo e o testemunho corajoso de Pedro Calungsod inspire o dileto povo das Filipinas a anunciar corajosamente o Reino e ganhar almas para Deus!

Giovanni Battista Piamarta, sacerdote da Diocese de Brescia, foi um grande apóstolo da caridade e da juventude. Percebia a necessidade de uma presença cultural e social do catolicismo no mundo moderno, por isso se dedicou ao progresso cristão, moral e profissional das novas gerações, com a sua esplêndida humanidade e bondade. Animado por uma confiança inabalável na Providência Divina e de um profundo espírito de sacrifício, enfrentou dificuldades e fatigas para dar vida a diversas obras apostólicas, entre as quais: o Instituto dos pequenos artesãos, a Editora Queriniana, a Congregação masculina da Sagrada Família de Nazaré e a Congregação das Humildes Servas do Senhor. O segredo da sua vida, intensa e ativa, residia nas longas horas que ele dedicava à oração. Quando estava sobrecarregado pelo trabalho, aumentava o tempo do encontro, de coração a coração, com o Senhor. Demorava-se de muito bom grado junto do Santíssimo Sacramento, meditando a paixão, morte e ressurreição de Cristo, para alcançar a força espiritual e voltar a lançar-se, sempre com novas iniciativas pastorais, à conquista do coração das pessoas, sobretudo dos jovens, para levá-los de volta para as fontes da vida.

«Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, pois, em vós, nós esperamos!» Com essas palavras, a liturgia nos convida a fazer nosso este hino a Deus criador e providente, aceitando o seu plano nas nossas vidas. Assim o fez Santa Maria del Carmelo Salles y Barangueras, religiosa nascida em Vic, Espanha, em 1848. Vendo a sua esperança preenchida, após muitas dificuldades, ao contemplar o progresso da Congregação das Religiosas Concepcionistas Missionárias do Ensino, pôde cantar junto com a Mãe de Deus: «Seu amor de geração em geração, chega a todos que o respeitam». A sua obra educativa, confiada à Virgem Imaculada, continua a dar frutos abundantes entre os jovens e através da entrega generosa das suas filhas que, como ela, se confiam ao Deus que pode tudo.

Passo agora para Marianne Cope, nascida em 1838 em Heppenheim, na Alemanha. Com apenas um ano de vida, foi levada para os Estados Unidos, e em 1862 entrou na Ordem Terceira Regular de São Francisco, em Siracusa, Nova Iorque. Mais tarde, como Superiora geral da sua congregação, Madre Marianne abraçou voluntariamente a chamada para ir cuidar dos leprosos no Havaí, depois da recusa de muitos. Ela partiu, junto com seis irmãs da sua congregação, para administrar pessoalmente um hospital em Oahu, fundando em seguida o Hospital Mamulani, em Maui, e abrindo uma casa para meninas de pais leprosos. Cinco anos depois, aceitou o convite para abrir uma casa para mulheres e meninas na Ilha de Molokai, partindo com coragem e, encerrando assim seu contato com o mundo exterior. Ali, cuidou do Padre Damião, então já famoso pelo seu trabalho heróico com os leprosos, assistindo-o até a sua morte e assumindo o seu trabalho com os leprosos. Em uma época em que pouco se podia fazer por aqueles que sofriam dessa terrível doença, Marianne Cope demonstrou um imenso amor, coragem e entusiasmo. Ela é um exemplo luminoso e valioso da melhor tradição de religiosas católicas dedicadas à enfermagem e do espírito do seu amado São Francisco de Assis.

Kateri Tekakwitha nasceu no que hoje é o Estado de Nova Iorque, em 1656, filha de pai Mohawk e de mãe Algoquin cristã, que lhe transmitiu a fé no Deus vivo. Foi batizada aos 20 anos de idade, para escapar da perseguição, se refugiou na Missão São Francisco Xavier, perto de Montreal. Ali ela trabalhou, fiel às tradições culturais do seu povo, embora renunciando as convicções religiosas deste, até a sua morte com 24 anos. Levando uma vida simples, Kateri permaneceu fiel ao seu amor por Jesus, à oração e à Missa diária. O seu maior desejo era saber e fazer aquilo que agradava a Deus.

Kateri impressiona-nos pela ação da graça na sua vida, carente de apoios externos, e pela firmeza na sua vocação tão particular na sua cultura. Nela, fé e cultura se enriqueceram mutuamente! Possa o seu exemplo nos ajudar a viver lá onde nos encontremos, sem renunciar àquilo que somos, amando a Jesus! Santa Kateri, protetora do Canadá e primeira santa ameríndia, nós te confiamos a renovação da fé entre os povos nativos e em toda a América do Norte! Que Deus abençoe ospovos nativos!

A jovem Anna Schäffer, de Mindelstetten, quis entrar em uma congregação missionária. Nascida em uma família humilde, ela conseguiu, trabalhando como doméstica, acumular o dote necessário para poder entrar no convento. Neste emprego, sofreu um grave acidente com queimaduras incuráveis nos seus pés, que a prenderam em um leito pelo resto da vida. Foi assim que o seu quarto de enferma se transformou em uma cela conventual, e o seu sofrimento, em serviço missionário. Inicialmente se revoltou contra o seu destino, mas em seguida, compreendeu que a sua situação era uma chamada amorosa do Crucificado para O seguisse. Fortalecida pela comunhão diária, tornou-se uma intercessora incansável através da oração e um espelho do amor de Deus para as numerosas pessoas que procuravam conselho. Que o seu apostolado de oração e de sofrimento, de oferta e de expiação seja para os crentes de sua terra um exemplo luminoso e que a sua intercessão fortaleça a atuação abençoada dos centros cristãos de curas paliativas para doentes terminais.

Queridos irmãos e irmãs! Estes novos Santos, diferentes pela sua origem, língua, nação e condição social, estão unidos com todo o Povo de Deus no mistério de Salvação de Cristo, o Redentor. Junto a eles, também nós aqui reunidos com os Padres sinodais, provenientes de todas as partes do mundo, proclamamos, com as palavras do salmo, que Senhor é «o nosso auxílio e proteção», e pedimos: «sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos» (Sal 32, 20-22). Que o testemunho dos novos Santos, a sua vida oferecida generosamente por amor a Cristo, possa falar hoje a toda a Igreja, e a sua intercessão possa reforçá-la e sustentá-la na sua missão de anunciar o Evangelho no mundo inteiro.


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Dia do Beato João Paulo II




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domingo, 21 de outubro de 2012

Narrativa de três companheiros de São Francisco de Assis

Um dia, em segredo, Bernardo aproximou-se de Francisco, que ainda não tinha nenhum companheiro. «Irmão, disse-lhe Bernardo, por amor ao meu Senhor, que mos confiou, quero distribuir todos os meus bens da maneira que te pareça mais adequada.» Francisco respondeu: «Amanhã iremos à igreja e o livro dos Evangelhos revelar-nos-á a maneira o que Senhor ensina aos Seus discípulos». Na manhã seguinte levantaram-se e, acompanhados por outro homem chamado Pedro, que também desejava tornar-se irmão, foram até à igreja. [...] Entraram para orar e, porque não tinham tido instrução e não sabiam onde encontrar a palavra do Evangelho sobre a renúncia ao mundo, pediram ao Senhor que Se dignasse revelar-lhes a Sua vontade assim que abrissem o livro.

Terminada a oração, Francisco tomou o livro fechado e, ajoelhando-se diante do altar, abriu-o. O primeiro texto que leu apresentava este conselho do Senhor: «Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu». Francisco regozijou-se com esta descoberta e deu graças a Deus. Mas como tinha verdadeira devoção pela Santíssima Trindade, quis ter a confirmação através de um triplo testemunho. Abriu então livro pela segunda e pela terceira vez. Na segunda vez, leu: «Nada leveis para o caminho» (Lc 9,3) e na terceira: «Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo» (Lc 9,23). [...] Francisco disse: «Irmãos, eis a nossa vida e a nossa regra, e de todos os que quiserem juntar-se ao nosso grupo. Ide e fazei tudo o que aqui ouvistes!»

Bernardo, que era muito rico, partiu: ao vender tudo o que possuía, obteve uma grande soma de dinheiro, que distribuiu na sua totalidade pelos pobres da cidade. [...] A partir deste momento, os três viveram segundo a regra do santo Evangelho que o Senhor lhes tinha mostrado. É o que São Francisco diz no seu testamento: «Foi o próprio Senhor que me revelou que eu devia viver segundo a forma do santo Evangelho.»


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sábado, 20 de outubro de 2012

Frase do dia

"Hoje, que o ambiente está cheio de desobediência, de murmuração, de bisbilhotice, de enredos, temos que amar mais do que nunca a obediência, a sinceridade, a lealdade, a simplicidade - e tudo isso com sentido sobrenatural, que nos fará mais humanos."

S. Josemaria Escrivá


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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Somos todos servos inúteis - São Boaventura

Parecem ter alcançado o grau mais elevado esses que, com todo o coração e sem fingimento, são de tal maneira senhores de si, que nada mais procuram do que ser desprezados, não ser tidos em conta e viver na humildade. [...] Enquanto não chegardes aí, pensai que nada fizestes. Com efeito, como somos todos «servos inúteis», nas palavras do Senhor (Lc 17, 10), mesmo que façamos tudo bem, enquanto não alcançarmos este grau de humildade não estaremos na verdade, mas estaremos e caminharemos na vaidade.

Sabes também que o Senhor Jesus começou por fazer antes de ensinar. Mais tarde, haveria de dizer: «Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29). E quis praticá-lo realmente, sem fingimento. Fê-lo de todo o coração, como era manso e humilde de todo o coração e em verdade. N'Ele não havia dissimulação (cf. 2Cor 1, 19). 

Estava de tal maneira mergulhado na humildade, no desprezo e na abjecção, aniquilara-Se de tal maneira aos olhos de todos, que quando começou a pregar e a anunciar as maravilhas de Deus, e a fazer milagres e coisas admiráveis, ninguém Lhe dava valor, antes O desprezavam e troçavam Dele dizendo: «Não é este o filho do carpinteiro?», e outras coisas parecidas. Assim se cumpre a palavra de São Paulo: «Aniquilou-Se a Si mesmo, tomando a condição de servo» (Fil 2, 7), e não apenas de servo comum, pela encarnação, mas de um servo inútil, através da Sua vida humilde e desprezada.


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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

No silêncio do coração - Beata Teresa de Calcutá

Escuta em silêncio. Quando o teu coração transborda com um milhão de coisas, não consegues ouvir a voz de Deus. Mas, assim que te pões à escuta da voz de Deus no teu coração pacificado, ele enche-se de Deus. Isso requer muitos sacrifícios, mas se temos realmente o desejo de rezar, se queremos rezar, temos de dar este passo. Trata-se apenas do primeiro passo, mas se não o dermos com determinação, nunca alcançaremos a última etapa, a presença de Deus.

É por isso que a aprendizagem deve ser feita desde o início: escutar a voz de Deus no nosso coração; e Deus põe-Se a falar no silêncio do coração. Depois, da plenitude do coração sobe o que a boca deve dizer. Aí opera-se a fusão. No silêncio do coração, Deus fala e tu só tens de escutar. Depois, da plenitude do teu coração que se encontra repleto de Deus, repleto de amor, repleto de compaixão, repleto de fé, a tua boca falará.

Lembra-te, antes de falares, que é necessário escutar e só então, das profundezas de um coração aberto, podes falar e Deus ouvir-te-á.


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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Dia de Santo Inácio de Antioquia

"Deixem-me ser a comida das feras, pelas quais me será dado saborear Deus. Eu sou o trigo de Deus. Tenho de ser triturado pelos dentes das feras, para tornar-me pão puro de Cristo."




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Vantagens do casamento entre um homem e uma mulher



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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Se os pastores se confessarem, os fiéis também se confessarão - D. Javier Echevarría

O povo de Deus deseja que os bispos e sacerdotes sejam mestres de santidade precisamente por procurarem por ela todos os dias, através da vida sacramental e do seu próprio ministério. Eles devem ser homens que oram com fé, que amam apaixonadamente o sacramento da Eucaristia e o sacramento da Confissão, e os vivem com piedade sincera para se enriquecerem de graças e serem portadores da boa notícia aos outros sacerdotes e a todos fiéis.

A utilização destes meios, instituídos por Jesus Cristo para nos identificarmos com Ele, faz com que os fiéis, ouvindo os pastores, ouçam o Senhor; vendo orar os pastores, se sintam movidos a orar eles próprios; e percebendo que os pastores recorrem à confissão constantemente, recebam também eles o perdão sacramental.

É de muita valia meditar no exemplo de muitos santos, como o Cura d'Ars, São Pio de Pietrelcina, São Josemaría Escrivá e o ainda mais recente beato João Paulo II. Como o papa Bento XVI nos afirmou, eles deixaram um exemplo vivo de amor pelo sacramento da penitência, e podem fortalecer a nossa consciência de devermos ser bons pastores, que sabem dar a vida pelas suas ovelhas.

Instando os sacerdotes a frequentemente sentarem-se ao confessionário, muitas almas irão lavar os seus pecados, e, daquele ministério, desabrocharão vocações para o seminário, para a vida religiosa e para bons pais e mães de família.

Também é interessante cuidarmos bem das homilias do ponto de vista doutrinal e com o dom de línguas. Para muitos fiéis, a missa dominical, com a homilia correspondente, é a única oportunidade de ouvir a mensagem de Cristo. Com um compromisso sempre renovado, a pregação será muito eficaz, especialmente se voltada à própria alma: se vivermos o que dizemos e pregarmos o que vivemos. in Sínodo dos Bispos


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Felizes vós - Santo Ambrósio

«Felizes vós, os pobres». Nem todos os pobres são felizes, pois a pobreza é uma coisa neutra: pode haver pobres bons e maus. Bem-aventurado o pobre que invoca o Senhor e Ele o atende (Sl 33,7): pobre em erros, pobre em vícios, o pobre no qual o príncipe deste mundo nada encontrou (Jo 14,30), o pobre que imita aquele Pobre que, sendo rico, Se tornou pobre por nós (2Co 8,9). É por isso que Mateus dá a explicação completa: «Felizes os pobres de espírito», pois o pobre de espírito não se ufana, não se engrandece no seu pensamento humano. Esta é, então, a primeira beatitude.

[«Felizes os mansos» escreve Mateus em seguida.] Tendo-me libertado de todos os pecados, estando satisfeito com a minha simplicidade, isento de mal, resta-me moderar o meu carácter. De que me serve não possuir bens materiais, se não for manso e tranquilo? Porque seguir o caminho certo é, evidentemente, seguir Aquele que diz: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29).

Dito isto, lembrai-vos de que sois pecadores: chorai os vossos pecados. Chorai os vossos erros. E é razoável que a terceira beatitude seja para aqueles que choram os seus pecados, pois é a Trindade que perdoa os pecados. Purificai-vos, pois, com as vossas lágrimas e lavai-vos com o vosso choro. Se chorardes por vós mesmos, ninguém terá de chorar por vós. Todos temos os nossos mortos para chorar; morremos quando pecamos. Que o pecador chore por si mesmo e se arrependa, a fim de se tornar justo, pois «o que advoga a sua causa parece ter razão» (Pr 18,17).


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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

50 anos depois do início do Concílio Vaticano II - Pe. Duarte da Cunha

Para quem nasceu depois do encerramento do Concílio e actualmente tem como missão organizar encontros de bispos europeus, imaginar uma reunião de mais de 2000 bispos é impressionante. Que em períodos de 2 meses, durante quatro anos, todos os bispos católicos do mundo se tenham encontrado para juntos escreverem uma série de documentos que fossem, ao mesmo tempo, capazes de confirmar e reforçar a fé dos católicos e tornar mais actual a sua expressão, é algo de imponente.

Em quatro anos, foram preparados, discutidos, corrigidos e aprovados 16 documentos. Hoje estes são ainda actualíssimos, não apenas para padres e teólogos, mas para todos os que desejam perceber melhor o modo como a Igreja está presente neste mundo. Infelizmente pouca gente os leu seriamente e quase ninguém hoje os lê. Muitas vezes são tratados como se fossem apenas mais textos, sem que uma pessoa se dê conta do valor especial destes textos escritos por todos os bispos em comunhão com o Papa. Bento XVI, porém, quis recordar o Concílio 50 anos depois da sua abertura para levar as pessoas a lerem estes tesouros da fé católica.

Mas estes textos não são simples e foram muitas vezes mal usados. Nos anos sessenta e mesmo até aos anos oitenta, houve muita gente que pretendeu que os textos pouco interessavam porque deviam ser considerados apenas uma etapa de um processo de modernização da Igreja, e que, por isso, o importante era o “espírito” do Concílio. Com isto houve uma tendência a dizer que com o Concílio se assistiu a uma ruptura entre o antes e o depois e que antes era tudo errado e depois era tudo bom. Este tipo de interpretações, marcadas, segundo me parece, por uma absorção da mentalidade mundana do tempo que queria negar tudo o que fosse do passado e julgava poder inventar tudo de novo – todas as relações sociais, as regras, os ideais e valores, etc – levou a que o Concílio fosse abusivamente usado para todo o tipo de bizarrices doutrinais, litúrgicas, pastorais. Cada um se sentia no direito de inventar uma nova liturgia, de defender novas ideias, de propor uma nova moral. Hoje este tempo passou – mesmo que ainda haja quem não se tenha dado conta –, e a infecundidade de uma tal atitude, por toda a Europa, mostra que estava errada.

Pelo contrário, os três grandes Papas: Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI, todos eles protagonistas do próprio Concílio, permitiram uma leitura dos documentos que mostram o verdadeiro valor do Concílio. Não se pode perceber o significado deste Concílio e o sentido dos seus documentos sem a ajuda do magistério dos Papas.

Dois princípios podem e devem ser utilizados. Um primeiro, vem-nos de Karol Wojtyla (cf. “Nas fontes do renovamento” – livro comentário do então arcebispo de Cracóvia sobre o Concílio). Dizia o futuro Papa que todos os Concílios têm como missão enriquecer a fé dos crentes. Um enriquecimento conceptual – perceber melhor aquilo em que acreditamos, distinguindo o que seja erro do que é a verdade revelada – e um enriquecimento da experiência de fé – viver de modo mais profundo e autêntico a fé. Também o Concílio Vaticano II, com acrescida razão por pretender desde o início ser um Concílio pastoral - deve ser lido neste sentido. Por isso, todas as interpretações ou todos os abusos que recorrem ao “espírito” contra a “letra”, e que em vez de enriquecer a fé levam a uma perda da fé, evidentemente que não respeitam a vontade dos padres Conciliares e não reconhecem a presença do Espírito Santo na aula conciliar.

O segundo princípio é dado pelo actual Papa quando fala da hermenêutica da continuidade. Ou seja, da interpretação do que o Concílio disse dentro da Tradição dinâmica da fé e não em ruptura com o passado. Neste sentido, se alguém – de tendência tradicionalista o progressistas, para dizer bem o mal do Concílio – pretende que o Concílio contradiz aquilo que a Igreja dizia antes, não percebeu o Concílio. A continuidade é compatível com o desenvolvimento, e, nesse sentido podemos dizer que há coisas que hoje se percebem melhor ou que se percebem como resposta para os novos desafios que antes não eram conhecidos. Mas a continuidade não é compatível com a ruptura, e por isso, aqueles que pretendem que desde São Paulo até ao Concílio Vaticano II só houve decadência, não são verdadeiramente católicos, e não vêem a fecundidade da fé manifesta em todas as épocas da história em tantos santos e tantas obras e tão empolgante cultura, e, além disso, peca por orgulho pensando ser melhor dos seus antepassados.

Será óptimo que também a minha geração e as que seguem, com este Ano da Fé, possam conhecer o Concílio para enriquecerem a fé e para se sentirem membros de uma realidade histórica – a Igreja – que nos liga sem interrupções aos Apóstolos e ao próprio Jesus.


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sábado, 13 de outubro de 2012

Homens e mulheres de negócios ajoelhados em Outubro

Empresários e profissionais de todos os níveis ajoelhar-se-ão durante todo o mês de Outubro para rezar o terço nos Estados Unidos. Promovida pelo Catholic Business Journal, a campanha é uma resposta aos pedidos de oração pelas próximas eleições nos EUA e o seu objectivo é promover a liberdade de religião e de consciência, além da proteção da vida humana no seu momento de maior fragilidade. 

"A 7 de outubro, a batalha de Lepanto reagiu aos avanços avassaladores do Império Otomano contra o cristianismo", diz a fundadora do jornal, Karen Walker. "O terço tem sido a arma secreta do cristianismo há séculos", acrescenta ela. "Precisamos desesperadamente da ajuda de Maria. Não podemos vencer esta bantalha sem ela. Os ataques contra a liberdade religiosa por parte do governo federal, juntamente com os ataques gratuitos contra a vida humana e a família, são as batalhas que enfrentamos hoje. Quem teria imaginado, há um ano atrás, que hoje nós não poderíamos praticar a nossa fé cristã e a nossa convicção neste país? Que todos os empregadores e todo o pessoal médico seriam obrigados a apoiar o assassinato dos nascituros? Quem teria imaginado que o estado de Massachusetts iria fazer a mesma votação sobre o suicídio assistido que já aconteceu em Oregon e Washington, privando os pacientes idosos da sua dignidade, que vem de Deus, e destruindo a missão da profissão médica, que se manifesta no juramento de Hipócrates?". 

Dick Lyles, apresentador do programa de rádio em que a iniciativa foi anunciada e autor de best-sellers da área dos negócios, concorda com o projecto. "Lembro-me de quando começamos a rezar o terço na escola pela conversão da Rússia. A Rússia parecia forte e ameaçadora... Mais tarde, quando as coisas começaram a ruir na Rússia e as igrejas começaram a ser reconstruídas, percebemos as preces tinham sido atendidas. Hoje a situação é parecida. Estamos num momento da história em que as forças laicistas são tão ameaçadoras quanto qualquer exército do passado. É por isso que pedimos para as pessoas rezarem o terço todos os dias durante o mês de Outubro."

Outubro foi escolhido em reconhecimento de todas as vitórias impossíveis conseguidas pelos cristãos ao longo da história graças ao terço, desde o século XIII, quando se conseguiu a conversão dos cátaros de São Domingos e se venceu a batalha de Muret, em 1213, na qual 870 cristãos derrotaram um exército de 34 mil soldados. É também o mês da festa de Nossa Senhora do Rosário, comemorado em todo o mundo no dia 7 de outubro, além de uma boa maneira de se preparar para o Ano da Fé, que começa em 11 de outubro. De todos os "milagres" do terço, além da batalha de Lepanto e de muitos outros eventos importantes da história mundial, destaca-se a incrível história ocorrida em 1945 no Japão, quando um padre e sete leigos sobreviveram à explosão da bomba atómica em Hiroshima, apesar de estarem perto do ponto da explosão. 

"Nós estávamos a viver a mensagem de Fátima", disseram os sobreviventes. Eles foram estudados durante trinta anos pelos cientistas, que não encontraram nenhuma razão aparente para a sua sobrevivência. O padre Pio dizia que o terço é uma arma poderosa contra o diabo, e vários papas, ao longo dos séculos, recomendaram rezá-lo com devoção, especialmente em tempos de crise e de dificuldades. João Paulo II escreveu sua carta apostólica Rosarium Virginis Mariae no dia 16 outubro de 2002, e Bento XVI exortou os fiéis em inumeráveis ocasiões a rezarem o terço. Agora, empreendedores e homens de negócio também respondem: "Sim, nós vamos rezar o terço!". 

Para mais informações sobre a campanha: www.CatholicBusinessJournal.biz in Zenit


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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Frase do dia

"Se há uma igreja que remonta a Jesus Cristo e aos Apóstolos, em que o subjectivismo simplesmente não existe, e onde uma autoridade visível (o Magistério) sempre foi e será responsável pela salvaguarda da fé, essa Igreja só pode ser a Igreja Católica Apostólica Romana. Esta Igreja não está sujeita às intempéries da História, nem às modas de cada época, nem aos gostos dos fregueses." 

Marco Monteiro Grillo, ex-luterano


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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

10 ideias para viver o Ano da Fé - D. David Ricken

1. Ir à Missa

O Ano da Fé pretende promover o encontro com Jesus. Isso acontece mais imediatamente na Eucaristia. Ir à missa com frequência consolida a fé pessoal através das Escrituras, do Credo, de outras orações, da música sagrada, da homilia, recebendo a Comunhão, e fazendo parte de uma comunidade de fé.

2. Ir à Confissão

Tal como pela Missa, os católicos encontram força e aprofundam a fé pela participação no Sacramento da Penitência e Reconciliação. A Confissão alenta as pessoas a regressarem a Deus, a expressarem arrependimento por terem caído e a abrirem as suas vidas para o poder curativo da graça de Deus. Perdoa as faltas do passado e dá força para o futuro.

3. Conhecer as vidas dos santos

Os santos são exemplos intemporais de como se vive uma vida cristã, e dão-nos uma grande esperança. Eles foram pecadores que persistiram em estar mais perto de Deus, e além disso apontaram caminhos por onde podemos servir a Deus: no ensino, no trabalho missionário, na caridade, na oração, ou simplesmente procurando agradar a Deus nas acções e decisões correntes da vida diária.

4. Ler a Bíblia diariamente

A Escritura permite um acesso em primeira mão à Palavra de Deus e conta a história da salvação humana. Os católicos podem rezar as Escrituras (pela lectio divina ou por outros métodos) para ficar mais em sintonia com a Palavra de Deus. Em qualquer caso, a Bíblia é uma necessidade para crescer no Ano da Fé.

5. Ler os documentos do Vaticano II

O Concílio Vaticano II (1962-1965) marcou o início de uma grande renovação da Igreja. Teve impacto na forma de celebrar a Missa, no papel dos leigos, na compreensão que a Igreja tem de si mesma e das suas relações com outros Cristãos e com não-Cristãos. Para continuar essa renovação, os católicos precisam de entender o que é que o Concílio ensinou e como é que isso beneficia a vida dos crentes.

6. Estudar o Catecismo

Publicado exactamente 30 anos depois do começo do Concílio, o Catecismo da Igreja Católica abrange as crenças, os ensinamentos morais, a oração e os sacramentos da Igreja Católica num só volume. É um recurso para crescer na compreensão da fé.

7. Ser voluntário na paróquia

 O Ano da Fé não pode ser só estudo e reflexão. A base sólida das Escrituras, do Concílio e do Catecismo deve ser traduzida para a acção. A paróquia é um bom lugar para começar, e os talentos de cada um ajudam a construir a comunidade. As pessoas serão bemvindas para tarefas de acolhimento, música litúrgica, leitores, catequistas e outros serviços na vida da paróquia.

8. Ajudar quem precisa

O Vaticano convida os católicos a dar esmola e tempo para ajudar os pobres durante o Ano da Fé. Isto significa encontrar pessoalmente Cristo nos pobres, marginalizados e nos mais vulneráveis. Ajudar os outros põe os católicos olhos nos olhos diante de Cristo e é exemplo para o mundo.

9. Convidar um amigo para a Missa

O Ano da Fé pode ser global na finalidade, focando na renovação da fé e na evangelização de toda a Igreja, mas a verdadeira mudança acontece ao nível local. Um convite pessoal pode fazer a diferença para alguém que se afastou da fé ou que se sente excluído da Igreja. Todos nós conhecemos pessoas assim, por isso todos nós podemos fazer um convite amável.

10. Viver as bem-aventuranças na vida diária

As bem-aventuranças (Mateus 5, 3-12) são um óptimo modelo para a vida cristã. A sua sabedoria pode ajudar todos a ser mais humildes, pacientes, justos, transparentes, amáveis, inclinados ao perdão e livres. É precisamente o exemplo de fé vivida necessário para atrair pessoas para a Igreja durante este ano.


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Feliz ano novo! Ano da Fé




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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sobre a cura do surdo-mudo - Jean Tauler

Temos de examinar de perto o que torna um homem surdo. Por ter escutado as insinuações do inimigo, por ter ouvido as suas palavras, o primeiro casal dos nossos antepassados foi o primeiro a ficar surdo. E nós também, a seguir a eles, de modo que já não conseguimos ouvir ou compreender as inspirações amorosas do Verbo Eterno. E, no entanto, sabemos bem que o Verbo Eterno está no fundo do nosso ser, mais inefavelmente perto de nós e em nós do que o nosso próprio ser, na nossa própria natureza, nos nossos pensamentos; nada do que podemos nomear, dizer ou compreender está tão perto de nós e nos está tão intimamente presente como o Verbo Eterno. E o Verbo fala sem cessar no homem. Mas o homem não consegue ouvir, devido à grande surdez que o aflige. 

Do mesmo modo, foi de tal maneira atingido nas suas outras faculdades que também se tornou mudo e já não se conhece a si próprio. Se quisesse falar do seu interior, não conseguiria fazê-lo, pois não sabe qual é a sua situação e não reconhece o seu próprio modo de ser.

O que é então esse murmurar incomodativo do inimigo? É toda a desordem cujo reflexo ele te mostra e te persuade a aceitar, servindo-se do amor ou da procura das coisas criadas, deste mundo e de tudo o que lhe está ligado: bens, honrarias, até mesmo amigos e pais, até a tua própria natureza, resumindo, tudo o que te traz o gosto dos bens deste mundo decaído. É disso tudo que é composto o seu murmurar.

Então vem Nosso Senhor: mete o Seu dedo sagrado no ouvido do homem, aplica-lhe saliva na língua, permitindo-lhe recuperar a palavra.


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8 custos sociais do divórcio

1. O divórcio dos pais aumenta a taxa de delinquência dos filhos.

2. Os filhos que não vivem com os pais juntos, são os delinquente sque cometem os crimes mais graves.


3. Os adolescentes que não vivem com ambos os pais juntos estão mais sujeitos ao alcoolismo e drogas.


4. O risco dum padrasto abusar de uma rapariga é 6 vezes maior do que se for o próprio pai.


5. É 70 vezes mais provável que um bebé seja assassinado por um padrasto do que pelo seu pai.


6. Os filhos de divorciado têm mais sexo precoce e mais filhos fora do casamento.


7. Os divorciados têm um maior risco de doença mental, suicídio e acidente mortal.


8. O divórcio aumenta a pobreza, especialmente entre as mulheres.


Fonte: http://www.religionenlibertad.com/articulo.asp?idarticulo=24825


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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Sessão inaugural do Sínodo dos Bispos

"Os cristãos não devem ser mornos nem indiferentes, esse é o maior perigo para o cristianismo de hoje."
Papa Bento XVI



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A extinção do não-lince ibérico - Pe. Gonçalo Portocarrero

Um suplemento do PÚBLICO de 27-7-2012 noticiou que, «pela primeira vez, um lince-ibérico, proveniente do programa de reprodução em cativeiro, teve crias em liberdade». Com efeito, a fêmea Granadilla, nascida em Espanha e libertada em 2010, teve quatro crias. Os técnicos da Junta da Andaluzia dizem tratar-se de «um enorme impulso para o futuro da espécie na região» (Recicla, nº 8, Julho-Setembro 2012, pág. 6).

A boa notícia ecológica é muito de saudar, dado o fundado receio de extinção desta raça ibérica. O número de crias é ainda insuficiente para assegurar a sobrevivência da espécie, mas os técnicos da Junta andaluza regozijaram com o feliz nascimento dos quatro pequenos linces, que a fêmea Granadilla deu à luz no país vizinho.

Como Bento XVI referiu na sua última visita à Alemanha, nomeadamente no seu discurso ao Bundestag, a ecologia é uma das grandes conquistas dos tempos modernos. Nem sempre se teve uma tão nítida consciência de que os recursos naturais, que são escassos, são património de toda a humanidade, sem esquecer as gerações futuras. Portanto, a preservação da natureza é uma obrigação que a todos incumbe e responsabiliza. Em boa hora as organizações ambientalistas sensibilizaram os poderes públicos para a necessidade de respeitar os ecossistemas, porque os vindouros também têm direito a essas riquezas naturais.

Com efeito, a obrigação de conservar os recursos naturais faz sentido sobretudo em relação às novas gerações, porque serão elas as beneficiárias desse património que, também por essa razão, não pode ser liquidado irresponsavelmente. Se assim é, a subsistência da humanidade é a primeira e a mais urgente obrigação ecológica. Não faria sentido, aliás, conservar um bem que depois a ninguém aproveitaria. Contudo, parece existir um especial pudor em reconhecer a dramática situação demográfica portuguesa, só comparável – e, certamente, não por acaso! – à não menos grave crise económica e social.

Fecham-se, todos os anos, centenas de escolas no país, mas ninguém diz que é por falta de alunos ou, mesmo que alguém o insinue, os poderes públicos não têm a coragem de promover a natalidade. É certo que a insustentabilidade da Segurança Social se deve, em boa parte, à inversão da pirâmide demográfica, mas as entidades oficiais estão mais empenhadas na contracepção e no aborto livre do que na consolidação da família. Há milhares de professores no desemprego e os sindicatos pretendem que seja o ministério a resolver a sua difícil situação laboral, mas esquecem que nenhuma portaria ministerial pode «criar» os alunos que seriam necessários para justificar esses postos de trabalho. Organizam-se marchas e abaixo-assinados contra o fecho das maternidades, mas do que se precisa realmente é de mais mães e de mais bebés e, para isso, são urgentes medidas que contrariem a trágica quebra da natalidade. Com um tão diminuto número de nascimentos, é óbvio que não se justificam, em termos económicos, nem tantas nem tão grandes maternidades.

A cura da tuberculose converteu o Caramulo numa curiosa cidade fantasma, onde as ruínas dos velhos sanatórios recordam uma numerosa população que, graças ao actual tratamento dessa doença, por meios que dispensam o internamento hospitalar, já não existe. Se não se inverter a actual tendência para o súbito envelhecimento populacional, Portugal corre sérios riscos de se converter, a médio prazo, num país fantasma.
 
Há já algum tempo, o Presidente da República teve por bem alertar para esta prioridade nacional, mas não consta que as entidades oficiais, as organizações ambientalistas e a sociedade civil tenham ficado consciencializadas da gravidade da situação. Nem parece que estejam, por isso, seriamente empenhadas num aumento sustentado dos nascimentos, condição sine qua non para a defesa de todas as outras riquezas naturais.

O homem, intervindo atempada e inteligentemente na natureza, pode evitar a extinção de espécies naturais, como felizmente parece estar a acontecer com o lince-ibérico. Mas os animais não poderão lograr a preservação dos homens, se o ser humano não for capaz de garantir a sua própria sobrevivência.


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domingo, 7 de outubro de 2012

Revelações do amor divino - Juliana de Norwich

Deus é, em Si próprio, a justiça por excelência. Todas as Suas obras são justas, e estão ordenadas desde toda a eternidade pelo Seu elevado poder, pela Sua elevada sabedoria, pela Sua elevada bondade. Da mesma maneira que fez tudo pelo melhor, Ele trabalha sem cessar, conduzindo cada coisa ao seu fim. A misericórdia é obra da bondade de Deus; e continuará a operar enquanto o pecado puder atormentar as almas justas. Quando essa permissão for retirada, tudo será estabelecido na justiça, para assim permanecer eternamente.

Deus permite que caiamos. Mas protege-nos, pelo Seu poder e pela Sua sabedoria. Pela Sua misericórdia e pela Sua graça, eleva-nos a uma alegria infinitamente maior. É assim que Ele quer ser conhecido e amado, na justiça e na misericórdia, agora e para sempre. [...] Eu nada mais farei que pecar. Mas o meu pecado não impedirá que Deus opere. A contemplação da Sua obra é uma alegria celeste para uma alma cheia de temor, e que deseja sempre, e cada vez mais amorosamente, fazer a vontade de Deus, com a ajuda da graça.

Esta obra começará aqui na terra. Será gloriosa para Deus e enormemente vantajosa para aqueles que O amam na terra. Quando chegarmos ao céu, seremos testemunhas disso, numa alegria maravilhosa. Esta obra prosseguirá até ao último dia. A glória e a beatitude que daí virão subsistirão no céu, diante de Deus e de todos os Seus santos, para sempre. [...] Aí estará a alegria mais elevada: ver que o próprio Deus é o seu autor. O homem não é senão pecador. Parecia-me que Nosso Senhor me dizia: «Olha! Não tens aqui matéria para seres humilde? Não tens aqui matéria para amar? Não tens aqui matéria para te conheceres a ti própria? Não tens aqui matéria para te alegrares em Mim? Então, por amor de Mim, alegra-te em Mim. Nada Me pode agradar mais.»


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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Talvez em nome de Deus - José Luís Nunes Martins

Só se compreende a vida depois. Nesse sentido, há que analisar o passado e avaliar os momentos vividos, as decisões tomadas e as suas consequências. Os padrões dos nossos juízos e a lógica subjacente ao que sucedeu. É um exercício complicado, pois implica uma racionalidade que evita grandes emoções. Só é possível pensar devidamente aquilo que já aconteceu, uma vez que a absoluta abertura do futuro em relação à liberdade do homem não permite criar esquemas sequenciais entre possibilidades hipotéticas. O futuro é incompreensível porque está absolutamente em aberto.

A saudade, um dos mais belos sentimentos, a doce e atormentadora recordação, o ausente presente, não deixa de ser um obstáculo à vida, pois que, centrando-se no perdido, desfoca a atenção do que existe e está à disposição. A saudade implica o contraste entre o que já se foi e o que se é, concentrando todo o sentir no que (já) se não é. Ora, uma tal lógica castra qualquer tentativa de viver a sério, o que se é... Ao limite, os saudosos não têm sequer recordações, pois a lembrança só existe para o que não está e, neles, o ausente está. O passado é todo morto, e, infelizmente, quem de lá não sai, também...

Só se vive para diante. Sofrer pelas boas recordações ou mesmo sorrir por causa delas é perder tempo para sonhar e realizar sonhos. Construir felicidade. Pouco importa o que se fez, isso ter-nos-á trazido até ao ponto em que estamos, mas daqui para diante, só temos de seguir a mesma linha se for essa a nossa vontade... somos livres. Livres. Livres ao ponto de sermos: nada. E termos de nos fazer, completamente, do início ao fim. A cada dia. Só a falta de imaginação de tantos homens os mantém numa linha que parece obrigatória mas que é objecto de uma escolha inconsciente movida a medo.

Pode-se ser livre e ser-se obediente, sim. Não haja dúvida. Há quem decida livremente seguir outro, por exemplo Deus, e esse será muito mais livre que quem leva a sua vida ao sabor dos apetites, fazendo o que lhe apetece... nunca o que quer ou sonha. Esses pobres de espírito são escravos do seu baixo ventre e de outras animalidades... como se não percebessem que, enquanto humanos, lhes cabe serem muito mais que animais. Passando isso por, tantas vezes, contrariar os instintos e elevar-se a uma condição divina. O desafio de ser santo ou herói (são apenas sinónimos) está ao alcance de todos, apesar da multidão de cobardes ter sempre boas desculpas para não ser... feliz!

Só há santos e heróis para diante. Este tipo de gente não se reforma.

Há pessoas já acabadas com 20 anos e há jovens de 70... os ultrapassados teimam em ficar no que já não é; os outros, em fazer o presente e o futuro, o seu e o dos outros, até o dos cobardes... que tanto esperam por uma intervenção divina que não a percebem quando ela se dá pelas mãos de um qualquer santo ou herói que lhes cruzou a vida... talvez em nome de Deus.

Talvez o sentido da vida não seja assim tão complicado: Amar para ser feliz, realizando sonhos.
Claro que haverá muita gente que vê neste tipo de propostas algo demasiado simples... procurando labirintos de sentir e pensar por onde só eles vagueiam, enquanto perdem tempo. Enquanto morrem em vez de viver.

Realizar é a palavra chave. Fazer o real, partindo da mais nobre matéria-prima: os sonhos. Caberá pois a cada homem ser realizador, sonhando sem grandes lógicas, levantando-se bem cedo a fim de, com as mãos na lama, e movido a amor, esculpir o mundo à imagem dos seus sonhos... realizando-os. Talvez em nome de Deus.

Andando para diante. Ajoelhando-se e erguendo-se. Até morrer.


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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Oração de São Francisco

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre,
fazei com que eu procure mais consolar, que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado;
Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a vida eterna.


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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A China assassina

Há 32 anos a China impôs a “política do filho único”. Feng Jianmei estava grávida de 7 meses mas não podia pagar a multa de 5000€ por ter engravidado pela segunda vez. Então, as autoridades locais de Ankang tentaram metê-la num carro, mas e la fugiu para casa duma tia. As autoridades forçaram o portão, e Feng Jianmei fugiu para as montanhas, onde foi encontrada escondida debaixo duma cama. 

Foi forçada a abortar e o corpo da sua filha posto ao seu lado. Esta imagem correu mundo, mas é apenas um caso dos inúmeros que acontecem por causa desta política monstruosa.

João Silveira




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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Por causa de um livro que li na cadeia

Tinha 29 anos e estava preso há dois anos por causa de um delito. Nessa altura eu via Deus muito longe da minha vida. Via-O no céu e a mim na terra. A única coisa que tinha claro é que Ele existia.

Não sabia nada acerca de S. Josemaria Escrivá, até ao momento em que uma Irmã das Filhas da Caridade me trouxe um livro chamado Amigos de Deus. Depois de ler o referido livro, posso dizer que, agora sim, sei que Deus não está só no céu e na terra, mas também está dentro de mim.

Na minha infância tive uma boa educação católica mas na adolescência os meus amigos diziam-me: “Deus não existe, que tolice, temos que progredir, é preciso ser moderno…”. E deixei-me levar… Às vezes é bom termos alguém que nos fale claro, e a mim, S. Josemaria falou-me através desse livro.

Dei-me conta de há quanto tempo tinha abandonado o Senhor na minha vida, e de quanto o tinha defraudado. Aí comecei a entender que Deus não é um número de emergência para chamar só em caso de uma urgência; descobri que temos de O amar nos bons e nos maus momentos, e tê-Lo sempre ao lado, porque sem Ele, não podemos fazer nada.

Graças a esse livro comecei um caminho de que até hoje não me arrependi, de ter empreendido. Comecei a ler todos os livros de S. Josemaria e emprestava-os aos meus companheiros da cadeia, que não mos devolviam!

Ao passar a cruz das JMJ pela prisão, algo forte me abanou o coração e nasceu em mim um sonho, um projeto maravilhoso: trazer a minha irmã, que vivia no meu país, à JMJ de Madrid e participar com ela. Eu trabalhava na lavandaria da prisão e ganhava muito pouco dinheiro, mas poupando podia começar a fazer projetos a sério.

Naquela altura a minha irmã tinha 20 anos, estudava na Universidade e não tinha meios económicos para poder vir. A minha família desmembrou-se há seis anos: o meu pai abandonou a minha mãe e deixou-as, a ela e à minha irmã, praticamente sem proventos. A minha irmã, é certo, estuda graças a meu pai, mas com muitos esforços.

Envolvido neste sonho, pus toda a minha esperança no Senhor e, depois de me privar até do mínimo durante um ano, consegui juntar o dinheiro necessário e mandar-lho. Assim, ela pôde inscrever-se na JMJ com a delegação oficial da Conferência Episcopal do meu país.

Quando parecia que o sonho começava a tornar-se realidade, negaram-me a licença de sair para assistir à JMJ. Tinha cumprido 4 anos de uma pena de 6, faltavam 3 meses para ter a liberdade condicional, e inexplicavelmente, a prisão, sabendo que a minha irmã vinha e que eu tinha juntado o dinheiro com muito sacrifício, negou-me a licença sem apresentar qualquer razão.

A dois meses da JMJ sentia-me destroçado; tinha escrito cartas ao director da prisão, ao juiz, às Guarda prisional da Penitenciária… expliquei-lhes a minha situação e o desejo de participar com a minha irmã na JMJ, depois de 4 anos sem a ver e sem ver ninguém da minha família, já que em Espanha não tenho ninguém. Não recebia resposta e já começava a perder a esperança. Via a JMJ do outro lado do muro e estava quase a dar-me por vencido. Nesse momento, a minha irmã começou uma novena a S. Josemaria, 9 dias de mortificação, oração e recolhimento, pedindo que me dessem essa licença de que tanto precisava.

Já me tinha acomodado à ideia de que só a minha irmã estaria em Madrid em Agosto; para mim isso era o mais importante. Contudo, não deixava de sentir por dentro a impotência de que, apesar de tanto esforço, de tantas privações, não ia poder acompanhá-la e que teria de me conformar com vê-la durante duas horas por trás de um vidro. Uma viagem tão longa para vê-la apenas assim!

Então, sucedeu o milagre: um dia depois da minha irmã ter terminado a novena, o décimo dia, chegou o despacho da Guarda prisional, que autorizava a minha saída durante os seis dias da JMJ para ir a Madrid e reencontrar-me com ela.

Nem queria acreditar, mas por fim chegou a data da JMJ e voltei a ver a minha irmã. O momento culminante dessa semana foi o encontro dos jovens com o Papa em Quatro Ventos. Naquela noite decidi não fazer esperar mais o Senhor; decidi entregar-Lhe a minha vida, viver só para Ele. Viver em santidade, santificar a minha vida e a dos outros.

S. Josemaria ensinou-me a viver: esse homem fez-me reagir e devo-lhe muito do que sou. Ele formou-me espiritualmente e ajudou-me a purificar-me por dentro, a perdoar, a pedir perdão, a perdoar-me a mim mesmo, e ensinou-me que Jesus é realmente nosso amigo, nosso Pai, e que nos ama mais que ninguém. Antes de O conhecer eu não tinha nada, não era nada. Agora sou feliz e a minha vida, graças a Ele, por fim ganhou sentido.

Agora que já cumpri a pena, regressei à minha terra diferente de como entrei na prisão; e tudo graças a Deus, que pegou na minha vida para a reconstruir de novo. Agora que Lhe entreguei a minha vida estou a preparar-me para, se Deus quiser, entrar no seminário. 
J.A. in opusdei.pt


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