sábado, 30 de junho de 2012

Preces para pedir sacerdotes santos

- Para conseguir o perdão dos pecados. Dai-nos, Senhor, sacerdotes santos. 
- Para que não nos falte a Eucaristia.
- Para que as crianças conservem a graça.
- Para que a juventude conheça e siga a Cristo.
- Para que os mais velhos conformem as suas vidas de acordo com a Lei de Deus.
- Para que tenhamos lares cristãos.
- Para que na nossa terra se viva a união e a caridade cristã.
- Para que os doentes recebam os auxílios espirituais.
- Para que nos acompanhem na hora da morte e ofereçam a Missa por nós.
- Santa Maria, Mãe da Igreja, alcançai-nos do Senhor sacerdotes santos.


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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Papa declarou venerável Dom Álvaro del Portillo



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O Homem é imagem de Deus - Beato João Paulo II

«Deus disse: façamos o homem à Nossa imagem, à Nossa semelhança» (Gn 1,26). Como se o Criador entrasse em Si mesmo; como se, criando, não chamasse apenas do nada à existência dizendo: «Faça-se!», mas, de uma maneira particular, tirasse o homem do mistério do Seu próprio ser. E é compreensível que assim fosse, porque não se tratava somente do ser, mas da imagem. A imagem deve reflectir; deve reproduzir, em certo sentido, a substância do seu protótipo. [...] É evidente que esta semelhança não deve ser entendida como um «retrato», mas como o facto de este ser vivo ter uma vida semelhante à de Deus.

Definindo o homem como «imagem de Deus», o livro do Génesis mostra aquilo pelo qual o homem é homem, aquilo pelo qual é um ser distinto de todas as outras criaturas do mundo visível. A ciência, sabemo-lo, fez e continua a fazer, nos diferentes domínios, numerosas tentativas para mostrar as ligações do homem com o mundo natural, para mostrar a sua dependência deste mundo, a fim de o inserir na história da evolução das diferentes espécies.

Respeitando totalmente essas investigações, não nos podemos limitar a elas. Se analisarmos o homem no mais profundo do seu ser, veremos que ele é mais diferente do que semelhante ao mundo da natureza. É igualmente neste sentido que procedem a antropologia e a filosofia, quando procuram analisar e compreender a inteligência, a liberdade, a consciência e a espiritualidade do homem. O livro do Génesis parece ir à frente de todas estas experiências da ciência e, ao dizer do homem que ele é «imagem de Deus», faz-nos compreender que a resposta ao mistério da sua humanidade não deve ser procurada na sua semelhança com o mundo da natureza. O homem assemelha-se mais a Deus que à natureza. É neste sentido que o salmo diz: «Vós sois deuses!» (Sl 82,6), palavras que Jesus retomará.


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Os hipócritas que vão à Missa - Pe. Gonçalo Portocarrero

A propósito do despropósito dos católicos não praticantes


Foi há já algum tempo que uma pessoa, algo impertinente, disparou contra mim, à queima-roupa, a razão da sua não prática religiosa:
- Eu não vou à Missa porque está cheia de hipócritas!

Apesar de não ser um argumento propriamente original – na realidade, nem sequer é um argumento – o tópico deu-me que pensar, sobretudo porque é esgrimido, com frequência, pelos fervorosos «católicos não praticantes» que, como é sabido, abundam. São, em geral, fiéis descomprometidos, ou seja, pessoas baptizadas que dispensam a prática religiosa colectiva, com a desculpa de que nem todos os praticantes são cristãos exemplares.
 
Alguns praticantes são, no sumário entendimento dos que o não são, pessoas duplas, porque aparentam uma fé que, na realidade, não vivem, enquanto outros há, como os ditos não praticantes, que mesmo não cumprindo esses preceitos cultuais, são mais coerentes com a doutrina cristã. A objecção faz algum sentido, na medida em que a vida cristã não se reduz, com efeito, a uns quantos exercícios piedosos.
 

Mas o cristianismo é doutrina e vida: é fé em acção, esperança viva e caridade operativa. Portanto, a prática comunitária é essencial à vida cristã e a praxe litúrgica, embora não seja suficiente, é-lhe necessária. Assim sendo, mesmo que os praticantes não vivam cabalmente todas as virtudes cristãs, pelo menos não descuram a comunhão eclesial, nem a prática sacramental e a vida de oração. Deste modo, cumprem uma das mais importantes exigências do seu compromisso baptismal, ao contrário dos não praticantes, não obstante a sua auto-proclamada superioridade moral.
 
Os fiéis que não frequentam a igreja, à conta dos fariseus que por lá há, deveriam também abster-se de frequentar qualquer local público, porque provavelmente está mais pejado de hipócritas do que o espaço eclesial. Estes novos puritanos deveriam também abster-se de ir aos hospitais que, por regra, estão cheios de doentes, e às escolas, onde pululam os ignorantes. É de supor que o único local digno da sua excelsa presença seja tão só o Céu, onde não consta qualquer duplicidade, pecado, fraqueza, doença, ignorância ou erro. Mas também não, ao que parece, nenhum católico não praticante…
 
Segundo a antropologia cristã, todos os homens, sem excepção, são bons, mas nem todos praticam essa bondade. Um mentiroso não é uma pessoa que não acredita na verdade, mas que não é sincero, ou seja, não pratica a veracidade. Os ladrões são, em princípio, defensores da propriedade privada, mas não a respeitam em relação aos bens alheios. Um corrupto não o é porque descrê da honestidade, mas porque a não pratica. Aliás, as prisões estão repletas de boa gente, cidadãos que crêem nos mais altos e nobres valores éticos, mas que os não praticam.
 
Mas, não são farisaicos os cristãos que são assíduos nas rezas e nas celebrações litúrgicas, mas depois não dão, na sua vida pessoal, familiar e social, um bom testemunho da sua fé? Talvez. Só Deus sabe! Mas, mesmo que o sejam, convenhamos que são uns óptimos hipócritas. Os hipócritas são bons quando sabem que o são e procuram emendar-se, e são maus quando pensam que o não são, justificam-se a si próprios, julgam e condenam os outros. Os crentes que participam assiduamente na eucaristia dominical, sempre que o fazem recebem inúmeras graças e reconhecem, publicamente, a sua condição de pecadores, de que se penitenciam, com propósito de emenda. Mesmo que não logrem de imediato a total conversão, esse seu bom desejo e a participação sincera na celebração eucarística é já um grande passo no caminho da perfeição.
 

Foi por isso que, com alguma ironia e um sorriso de verdadeira amizade, não pude deixar de responder àquele simpático «católico não praticante»: 
- Não se preocupe por a Missa estar cheia de hipócritas: há sempre lugar para mais um!


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terça-feira, 26 de junho de 2012

Querer a todos, compreender, desculpar - S. Josemaria Escrivá

O amor às almas, por Deus, faz-nos querer a todos, compreender, desculpar, perdoar... Devemos ter um amor que cubra a multidão das deficiências das misérias humanas. Devemos ter uma caridade maravilhosa, "veritatem facientes in caritate", defendendo a verdade, sem ferir. (Forja, 559) 

Se vos examinardes com valentia na presença de Deus, vós, tal como eu, sentir-vos-eis diariamente carregados de muitos erros. Quando lutamos por arrancá-los com a ajuda divina, carecem de verdadeira importância e podem ser superados, embora pareça que nunca conseguimos desarraigá-los totalmente. Além disso, independentemente dessas fraquezas, tu contribuirás para remediar as grandes deficiências dos outros, sempre que te empenhares em corresponder à graça de Deus. Reconhecendo-te tão fraco como eles – capaz de todos os erros e de todos os horrores – serás mais compreensivo, mais delicado e, ao mesmo tempo, mais exigente, para que todos nos decidamos a amar a Deus com o coração inteiro. 

Nós, os cristãos, os filhos de Deus, temos de prestar assistência aos outros, pondo em prática honradamente o que aqueles hipócritas retorcidamente elogiavam ao Mestre: Não olhas à condição das pessoas. Isto é, havemos de rejeitar por completo a acepção de pessoas – interessam-nos todas as almas! – embora, logicamente, devamos começar por ocupar-nos daquelas que, por esta ou aquela circunstância, e até só por motivos aparentemente humanos, Deus colocou ao nosso lado. (Amigos de Deus, 162)


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Dia de S. Josemaria Escrivá

"Faleceu repentinamente em Roma a 26 de Junho de 1975, quando acabava de olhar com muita devoção para uma imagem de Nossa Senhora que presidia o seu gabinete de trabalho."


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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Frase do dia

"Os santos amam mais do que as pessoas apegadas ao mundo." 

S. Pio de Pietrelcina


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Papa Paulo VI a comungar por uma cânula





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A fé deve ser instruída - Santo Agostinho

O que vedes no altar de Deus é o pão e o cálice: eis o que os olhos identificam. Mas a vossa fé quer ser instruída e saber que este pão é o corpo de Cristo, e que este cálice é o Seu sangue. O que se verbaliza numa fórmula breve, que pode bastar à fé. Mas a fé procura instruir-se. [...] Como pode este pão ser o Seu corpo, e este cálice, ou melhor, o seu conteúdo, ser o Seu sangue?

Irmãos, é isto que se designa por sacramentos: eles mostram uma realidade e, a partir dela, fazem-nos compreender outra realidade. O que vemos é uma aparência corporal, enquanto o que compreendemos é um fruto espiritual. Se quereis compreender o que é o corpo de Cristo, escutai o Apóstolo, que diz aos fiéis: «Vós sois o corpo de Cristo e cada um, pela sua parte, é um membro» (1Co 12,27). Logo, se sois corpo de Cristo e um dos Seus membros, é o vosso mistério que está sobre a mesa do Senhor, e é o vosso mistério que recebeis. A isto, que sois, respondeis: «Amen» e, com tal resposta, o subscreveis. Dizem-vos: «Corpo de Cristo», e vós respondeis: «Amen». Sede portanto membros do corpo de Cristo, para que este Amen seja verídico. 

Por conseguinte, porque está o corpo no pão? Aqui, ainda, nada digamos sobre nós próprios, mas escutemos antes o Apóstolo que, ao falar deste sacramento, nos diz: «Uma vez que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, porque todos participamos desse único pão» (1Co 10,17). Se compreenderdes estas palavras, estareis na alegria: unidade, verdade, piedade, caridade! «Um só pão»: Quem é este pão único? «Um só corpo, nós que somos multidão». Lembrai-vos de que não se faz pão com um grão apenas, mas com muitos. Sede o que vedes, e recebei o que sois.


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sábado, 23 de junho de 2012

Coisas do demo - João César das Neves

É sempre interessante escrever sobre temas malditos, ocultados pela nossa imprensa, alegadamente aberta e plural. Este é o maldito dos malditos. Em tempos tão diversos e heterodoxos, é estranho constatar a total ausência de alguém central na cultura ocidental há milénios. A nossa época, que multiplica as personagens e faz regressar velhas lendas e figuras clássicas, nunca fala do diabo.

Ao longo da história não houve dúvidas sobre a existência e influência do pai da mentira (Jo 8, 44), tentador (Mt 4, 3), inimigo de toda a justiça (Act 13, 10), ameaçando-nos com as suas malícias e aquele seu lugar maldito - a Geena de fogo (Mt 4, 22), o inferno (Lc 10, 15) - onde podíamos cair. Hoje esses assuntos são totalmente omissos, meras figuras de retórica ou cenas de pantomima.

A razão não pode vir de vivermos em tempos secularizados, pela simples razão que não vivemos nesses tempos. Não só os crentes permanecem a esmagadora maioria da população, mas o actual pluralismo fez renascer múltiplas formas de culto e espiritualidade. Além disso, a falta de referências a Satanás não se verifica apenas entre os ateus, mas também nos devotos. Homilias, orações, livros e discussões teológicas desenvolvem-se quase sem referências às forças do mal e seu poder, antes tão populares. No meio de enorme diversidade de temas e abordagens de uma época turbulenta, Lúcifer parece ausente até das igrejas. O secularismo actual significa, afinal, crença firme em Deus com recusa de Satanás.

É curioso perceber porquê. A razão liga-se ao axioma mais central e indiscutível da nossa cultura. Somos o tempo da liberdade, humanismo, técnica e poder sobre a natureza. Ora nada destrói mais esses valores que saber-nos sujeitos a influências maléficas, que turvam as nossas escolhas, distorcem a nossa humanidade, pervertem as nossas obras e podem dominar a nossa vida. Se existem tentações demoníacas, lá se vão os sonhos de tolerância, humanismo, liberdade. Caímos no real. O ser humano, que se acha radicalmente autónomo e soberano, ainda tolera com diplomacia um deus longínquo, mas nunca se considerará sujeito ao demónio.

Paradoxalmente é também o tempo actual que mais manifesta a evidência do diabo e onde a presença palpável do inferno se tornou mais visível e patente. Os telejornais trazem às nossas salas mais cenas de horror e maldade que alguma vez a humanidade assistiu, e a cada passo vemos personalidades descritas como encarnação do mal absoluto. Mas é na ficção que essa presença surge esmagadora.

Argumentistas de cinema e televisão espremem os miolos para criar os vilões mais funestos, com especial predilecção pela malícia em estado puro. Só assim se explica a obsessão cinematográfica pelos psicopatas, vampiros, extraterrestres, fanáticos e outros seres irredutivelmente cruéis sem elemento redentor. Numa palavra, demónios. Por outro lado a contínua descrição romanceada de estados desesperados e irrecuperáveis, da droga à escravatura e à demência, só pode ser tomada como nostalgia do inferno. Nenhuma criança das eras bárbaras viu tanta mortandade, violação e desumanidade como as nossas nos media.

Assim o demónio, nunca sob o próprio nome, está hoje mais presente que em tempos antigos. Por todo o lado, menos na nossa consciência, onde persiste a ilusão da independência. Isso dá-lhe mais poder. "Há dois erros, iguais e opostos, em que a nossa raça pode incorrer quando de demónios se trata. Um é descrer da sua existência. O outro é crer nela e sentir por eles um interesse excessivo e doentio. A eles, ambos os erros lhes são agradáveis e acolhem com idêntico prazer o materialista e o mago" (C. S. Lewis, 1942, The Screwtape Letters, prefácio).

A evidência que esta aparente ausência é coisa do demo não custa a compreender, pois ela tem terríveis efeitos morais. De facto, não havendo Belzebu, os horrores indizíveis que vemos só podem ser culpa do próximo, a quem portanto agredimos justificadamente. Se o diabo não existe, "o inferno são os outros" (J. P. Sartre, 1944, Huis-clos).


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Frase do dia

"Quem cultiva uma teologia incerta e uma moral relaxada, sem freios; quem pratica, a seu capricho, uma liturgia duvidosa, com uma disciplina de hippies e um governo irresponsável, não é de admirar que propague contra os que só falam de Jesus Cristo invejas, suspeitas, acusações falsas, ofensas, maus tratos, humilhações, intrigas e vexames de todo o género." 

S. Josemaria Escrivá


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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Frase do dia

«Diz o Senhor: "Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Nisto se conhecerá que sois meus discípulos". – E São Paulo: "Levai a carga uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo". – Eu não te digo nada.» 

S. Josemaria Escrivá (Caminho, 385)


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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Chiu! - Pedro Gil

“Silêncio!” O Papa apela ao silêncio. Apanha-nos em pleno mergulho eufórico no mar das novas tecnologias, que estão “Inter mirifica”, entre as maravilhosas invenções da técnica (Vaticano II). Um mar, de maré a encher. Ou vamos ter com ela, ou ela vem ter connosco. Cada dia a net gera 60 mil sites, 2 milhões de vídeos, 5 milhões de imagens. Hoje o facebook tem mais 460 mil perfis do que ontem. O mar é um oceano de coisas boas, sobretudo se não lhe der para brincar aos tsunamis. Por isso, às vezes temos alerta, amarelo pelo menos. Sabíamos que o português médio vê 25 horas de TV por semana. Isto é, em sete dias, um dia e uma noite de olhos na TV. Se esse português viver 70 anos, 10 (dez!) anos, dia e noite, vê TV. A TV mostra-lhe tudo: primaveras árabes, champôs, golos de trivela, tratados de paz, querida júlia e popotas. 

A imaginação corre o mundo; o corpo fica sentado. As estatísticas dizem agora que está também uma hora por dia online. Enfim, o português médio quase é super-homem ou supermulher para aguentar tanto. Os inventores prometem para breve surpreendentes simulações digitais de cheiros e de outras sensações. O melhor é habituar-se, porque a técnica gosta de cumprir promessas. Estaremos envolvidos na “realidade” virtual com a mesma envolvência da “realidade real”. 

O Ricardo Araújo Pereira fez o retrato numa rábula antiga. O pai apanha o filho – uma joia de moço – a espetar-se com uma seringa num braço e diz: “come antes uma peça de fruta que te faz melhor, rapaz...”. E ele: “’tá bem, mas agora não, que estou a conversar com este gafanhoto gigante chamado José António”... Boa observação. Se me sinto bem entre gafanhotos gigantes virtuais, porquê preferir a pera-rocha real? Porque é melhor a “realidade” que o “imaginário”? O mundo “imaginário” são os infinitos pequenos mundos subjetivos. É um mundo criado pelo homem, espelho das suas limitações. O mundo real são as coisas comuns dadas a todos. É uma prenda do criador. Como as outras prendas, fala sobre quem dá e quem recebe. É um mundo criado por Deus, espelho do seu amor louco pelos homens. O desafio é harmonizá-los para que a experiência virtual sirva e melhore a experiência real. Nisso, o silêncio conta muito. 

Compreende-se que Bento XVI olhe “com interesse para as várias formas de sítios, aplicações e redes sociais que possam ajudar o homem atual não só a viver momentos de reflexão e de busca verdadeira, mas também a encontrar espaços de silêncio, ocasiões de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus.” Sítios desses, há alguns, como o “Evangelho Quotidiano” e o “Passo a rezar”. Contudo, o grande teste é procurar o silêncio “off line”. Treinados no “pensamento produtivo”, o silêncio assusta-nos. Quando calamos algum tempo agitamo-nos, sentimo-nos inúteis, e desesperamos por, ao menos, um pouco de Antena 2. Temos os músculos do “pensamento contemplativo” atrofiados e esgotamo-nos em qualquer esforço. 

Em 1998 um professor de jornalismo perguntou ao então cardeal como podem os jornalistas resistir às várias pressões, e Ratzinger respondeu: “parece-me importante que possam ter com certa regularidade um descanso em que possam respirar fundo. Umas temporadas em que possam recuperar o substrato intelectual, o substrato moral, que lhes permita ordenar de novo as suas ideias.” O silêncio regenera. O silêncio é um ingrediente das espiritualidades orientais. Para o cristianismo, o silêncio é, porém, mais do que desligar emoções e amarras para imergir no nirvana da impassibilidade. O silêncio sonha com um inesquecível encontro com Deus. “Deus fala ao homem mesmo no silêncio, também o homem descobre no silêncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus.” E desejar isso não é desejar demais? Podemos ambicionar tanto? 

Bento XVI falou aos céticos em Fátima: “Deus tem o poder de chegar até nós nomeadamente através dos sentidos interiores, de modo que a alma recebe o toque suave de algo real que está para além do sensível”. Mas há uma condição: “para isso exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma”. Torna-se crítico abrir uns minutos diários de solidão para robustecer a relação com Deus. Como? O “português médio” só em TV e net, tem muito por onde escolher. O silêncio ajuda a abreviar a palavra e dizer o essencial. Disse Pascal: “o texto só me saiu longo, porque não tive vagar para o fazer mais curto”. Subscrevo sem relutância.


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Dois santos




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A família brasileira e o Papa - Encontro das Famílias

MARIA MARTA: Santidade, no nosso Brasil, como aliás no resto do mundo, continuam a aumentar as falências matrimoniais. Chamo-me Maria Marta, ele é Manoel Ângelo. Estamos casados ​​há 34 anos e já somos avós. Na qualidade de médico e psicoterapeuta familiares, encontramos muitas famílias, notando nos conflitos de casal uma dificuldade mais acentuada de perdoar e de aceitar o perdão, mas em vários casos constatámos o desejo e a vontade de construir uma nova união, algo duradouro, mesmo para os filhos que nascem da nova união.

MANOEL ÂNGELO: Alguns destes casais re-casados teriam vontade de aproximar-se da Igreja, mas, quando vêm negar-lhes os Sacramentos, a sua decepção é grande. Sentem-se excluídos, marcados por um juízo sem apelo. Estas grandes penas magoam profundamente aqueles que nelas estão envolvidos; são lacerações que se tornam também parte do mundo, são feridas também nossas e da humanidade inteira. Santo Padre, sabemos que a Igreja leva no seu coração estas situações e estas pessoas: que palavras e que sinais de esperança lhes podemos dar?

SANTO PADRE: Queridos amigos, obrigado pelo vosso trabalho de psicoterapeutas a favor das famílias, muito necessário. Obrigado por tudo o que fazeis para ajudar estas pessoas que sofrem. Na verdade, este problema dos divorciados re-casados ​​é um dos grandes sofrimentos da Igreja actual. E não temos receitas simples. O sofrimento é grande, podendo apenas animar as paróquias, os indivíduos a ajudar estas pessoas a suportarem o sofrimento deste divórcio. Digo que é muito importante, naturalmente, a prevenção, isto é, aprofundar desde o início o enamoramento numa decisão profunda, amadurecida; além disso, o acompanhamento durante o matrimónio, de modo que as famílias nunca se sintam sozinhas, mas sejam realmente acompanhadas no seu caminho. Depois, quanto a estas pessoas, devemos dizer – como o Manoel afirmou – que a Igreja as ama, mas elas devem ver e sentir este amor. Considero grande tarefa duma paróquia, duma comunidade católica, fazer todo o possível para que elas sintam que são amadas, acolhidas, que não estão «fora», apesar de não poderem receber a absolvição nem a Comunhão: devem ver que mesmo assim vivem plenamente na Igreja. Mesmo se não é possível a absolvição na Confissão, não deixa talvez de ser muito importante um contacto permanente com um sacerdote, com um director espiritual, para que possam ver que são acompanhadas, guiadas. Além disso, é muito importante também que sintam que a Eucaristia é verdadeira e participam nela se realmente entram em comunhão com o Corpo de Cristo. Mesmo sem a recepção «corporal» do Sacramento, podemos estar, espiritualmente, unidos a Cristo no seu Corpo. É importante fazer compreender isto. Oxalá encontrem a possibilidade real de viver uma vida de fé, com a Palavra de Deus, com a comunhão da Igreja, e possam ver que o seu sofrimento é um dom para a Igreja, porque deste modo estão ao serviço de todos mesmo para defender a estabilidade do amor, do Matrimónio; e que este sofrimento não é só um tormento físico e psíquico, mas também um sofrer na comunidade da Igreja pelos grandes valores da nossa fé. Penso que o seu sofrimento, se realmente aceite interiormente, seja um dom para a Igreja. Devem saber que precisamente assim servem a Igreja, estão no coração da Igreja. Obrigado pelo vosso compromisso!


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terça-feira, 19 de junho de 2012

A Reforma Litúrgica



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Frase do dia

"Se as pessoas conhecessem o valor da Eucaristia, o acesso às Igrejas teria que ser controlado pela força pública." 

Santa Teresinha do Menino Jesus


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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Como o Papa Bento XVI está a reformar a Igreja

– Em 2007 Bento XVI, com o motu proprio "Summorum pontificum", liberalizou o uso do missal romano do rito antigo. 
 – Em 2009 revogou a excomunhão aos quatro bispos consagrados ilicitamente pelo arcebispo D. Marcel Lefebvre e com o motu proprio "Ecclesiae unitatem" abriu o percurso para o regresso dos lefebvriani à plena comunhão com a Igreja. 
– Ainda em 2009, com a constituição apostólica "Anglicanorum coetibus", estabeleceu as regras para a passagem para a Igreja Católica de inteiras comunidades anglicanas com os seus bispos, sacerdotes e fiéis.
– Em 2010 promulgou novas regras, muito severas, quanto aos "delicta graviora" e em particular sobre os abusos sexuais sobre menores. 
– Ainda em 2010 promulgou o motu proprio para a transparência financeira. 
 – Em 2011, com a instrução "Universae ecclesiae" promulgou novas normas para a integração das já existentes sobre a missa em rito antigo.


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A família americana e o Papa - Encontro das Famílias

JAY: Vivemos perto de Nova York. Meu nome é Jay Rerrie, sou de origem jamaicana e trabalho em contabilidade. Esta é a minha esposa Ana e é professora de apoio. E estes são os nossos seis filhos, cujas idades variam de 2 a 12 anos. A partir disto, bem pode imaginar, Santo Padre, como a nossa vida é feita de incessantes corridas contra o tempo, de ânsias, de arranjos muito complicados...Também lá, nos Estados Unidos, uma das prioridades absolutas é manter o emprego e, para o conseguir, é preciso não olhar a horários… E muitas vezes quem padece são precisamente as relações familiares.

ANA: É verdade! Nem sempre é fácil... Santidade, tem-se a impressão de que as instituições e as empresas não facilitam a conciliação dos tempos de trabalho com os tempos da família. Imaginamos que também não seja fácil, para Vossa Santidade, conciliar os seus compromissos sem fim com o repouso. Pode dar-nos qualquer conselho para nos ajudar a encontrar esta harmonia tão necessária? No turbilhão de tantos estímulos impostos pela sociedade actual, como ajudar as famílias a viverem a festa segundo o coração de Deus?

SANTO PADRE: Óptima pergunta, e acho que entendo este dilema entre duas prioridades: a prioridade do emprego, que é crucial, e a prioridade da família; mas como conciliar as duas prioridades? Posso somente tentar dar algum conselho. Primeiro ponto: há empresas que de certo modo permitem qualquer extra para a família – o dia do aniversário, etc. –, tendo concluído que dar um pouco de liberdade, no fim de contas, favorece a própria empresa, porque reforça o amor ao trabalho, ao emprego. Por isso, gostava de convidar os empregadores a pensarem na família, a darem uma mão também para que se possam conciliar as duas prioridades. 

Segundo ponto: parece-me que é preciso, naturalmente, cultivar uma certa criatividade – o que nem sempre é fácil! Mas pelo menos tentemos, em cada dia, trazer qualquer elemento de alegria à família, uma atençãozinha, alguma renúncia à vontade própria para estar com a família, e aceitar e superar as noites, as trevas de que já falámos antes, e pensar a este grande bem que é a família e assim, na grande solicitude de dar algo de bom cada dia, encontrar também uma conciliação das duas prioridades E, finalmente, temos o domingo, a festa! Espero que se respeite, na América, o domingo. É que me parece muito importante o domingo, dia do Senhor e, precisamente como tal, também «dia do homem», para que sejamos livres. Segundo a narração da criação, a intenção originária do Criador era esta: um dia em que todos sejam livres. Nesta possibilidade de um ser livre para o outro, para si mesmo, é-se livre para Deus. E assim penso que defendemos a liberdade do homem, defendendo o domingo e os dias festivos como dias de Deus e, deste modo, dias para o homem. Muitas felicidades para vós todos! Obrigado!


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domingo, 17 de junho de 2012

Frase do dia

"Se algum dos meus filhos espirituais se perde, eu deixo todo o meu rebanho e vou procurá-lo e trazê-lo de volta ao bom caminho." 

S. Pio de Pietrelcina


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sábado, 16 de junho de 2012

Dia do Imaculado Coração de Maria




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Os fracassos enquanto factores de sucesso - José Luís Nunes Martins

Infelizmente as nossas ideias não resultam de análises racionais e objectivas, cimentadas por uma atenção constante a todas os factores em causa. Na esmagadora maioria dos casos, as nossas posições pessoais são fruto de uma atenção constante a toda a informação que confirme aquilo em que já acreditamos, ignorando sempre, de forma muito sistemática e eficaz, qualquer realidade ou ideia inteligente que se oponha a esses nossos pré-conceitos.

Ao longo dos anos, e buscando somente confirmações das tais opiniões, fica-se de tal forma convicto da solidez das teses iniciais, que nada, mas mesmo nada, pode fazer sequer duvidar dessas mundividências tão firmes quanto falsas.

Esta é a razão pela qual as pessoas comuns tanto gostam de ouvir o que já sabem, e, pela mesma ordem de razão, se sentem tão desconfortáveis perante o novo. Afinal, a novidade não é, por definição, aquilo de que se está à espera, quase nunca se enquadra dentro das estruturas existentes, sendo necessárias alterações de fundo para as integrar devidamente. As pessoas preferem mais do mesmo, o velho, o que já está estabelecido; e apenas admitem suaves variações da mesma matriz. O que desafia a inteligência, e pode permitir avanços significativos na nossa capacidade de compreender o mundo, exige uma humildade e agilidade pouco queridas por quem é preguiçoso com as ideias.

Um corolário desta linha tão generalizada de pensamento é a construção da imagem que cada indivíduo tem de si mesmo. Na maior parte das vezes, uma radical dissonância entre o pensamento e a realidade.
As avaliações que fazemos a respeito de nós mesmos não são baseadas em análises correctas dos nossos sucessos e falhanços ao longo da nossa história individual. Tendemos a desculparmo-nos pelos insucessos e a sobrevalorizar as conquistas (por mais insignificantes que sejam). Desta filtragem viciosa decorre inevitavelmente uma imagem de alguém muito mais inteligente, capaz e virtuoso do que nós.
Daqui resulta que nem sequer nos ajudarmos a nós próprios, na medida em que, somos tantas vezes ignorantes da nossa real identidade.

O pensamento quotidiano tende a tentar esquecer de imediato o que não é bem sucedido e a colocar imediatamente de lado o que não sai de forma perfeita. Mas para se atingir a perfeição é preciso apostar na capacidade de corrigir o que correu mal, analisar ao detalhe cada pedaço dos fracassos, estudando-o, corrigindo-o e aprendendo com ele. Assim, fracassos, quanto maiores melhor.
Os sucessos animam, e os fracassos deviam ter o mesmo efeito, até mais, porque neles se encontra a matéria-prima mais valiosa para a criação de futuros sucessos. Sendo que, espíritos mais elevados, mesmo perante um sucesso prestam atenção redobrada ao que existiu de menos positivo, a fim de aproveitar cada oportunidade para se aperfeiçoarem.

A preguiça de pensamento prefere esquecer e começar de novo, considerando qualquer fracasso ocorrido como algo do qual devemos distanciar-nos quanto antes.

Os fracassos de quem ousa desafiar-se a si mesmo, são sucessos, porque a simples tentativa é um sucesso por si mesmo... será necessário algum génio para descobrir no fracasso as sementes dos sucessos possíveis, mas não é uma tarefa inacessível ao mais comum dos mortais – dos que não têm preguiça de pensar, claro.
A maior parte das pessoas não fracassa, porque prefere desistir.

A grandeza da felicidade é certamente o prémio para quem não se deixou ficar pelos pequenos sucessos, nem se acomodou ao chão ou ao sofá depois dos seus grandes fracassos; e levantou-se, apesar dos medos, para seguir adiante. Rumo ao melhor de si.


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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Oração ao Sagrado Coração de Jesus

Coração de Jesus,
eu confio em vós,
mas aumentai a minha confiança.
Vós dissestes: "Pedi e recebereis".
Confiando nas vossas promessas,
venho pedir vossa ajuda.
Vós estais mais interessado
na nossa felicidade
que nós mesmos.
Por isso ponho em vosso Coração
os meus pedidos,
as minhas preocupações,
os meus sofrimentos
e as minhas esperanças.
Coração de Jesus,
eu confio em Vós,
mas aumentai a minha confiança.
Jesus, manso e humilde de coração,
fazei meu coração semelhante ao vosso.


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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Parabéns Dom Javier! 80 anos de vida



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A família grega e o Papa - Encontro das Famílias

NIKOS: Boa noite! Somos a família Paleologos. Vimos de Atenas. Chamo-me Nikos, e ela é a minha esposa Pania. Estes são os nossos dois filhos: Pavlos e Lydia. Há alguns anos, juntamente com mais dois sócios e investindo tudo o que tínhamos, começámos uma pequena sociedade de informática. Com a chegada da duríssima crise económica actual, os clientes diminuíram drasticamente e os que ficaram adiam cada vez mais os pagamentos. Mal conseguimos pagar os salários dos dois trabalhadores que temos, ficando pouquíssimo para nós, os sócios. Assim, à medida que passam os dias, vai havendo cada vez menos para manter as nossas famílias. A nossa situação é apenas uma dentre muitas, uma entre milhões de outras. Na cidade, as pessoas caminham de cabeça baixa; e já ninguém tem confiança em ninguém, falta a esperança.

PANIA: Mesmo nós, embora continuando a acreditar na providência, temos dificuldade em imaginar um futuro para os nossos filhos. Há dias e noites em que nos perguntamos, Santo Padre, como fazer para não perder a esperança. Que pode a Igreja dizer a toda esta gente, a estas pessoas e famílias sem qualquer perspectiva?

SANTO PADRE: Queridos amigos, obrigado por este testemunho que tocou o meu coração e o coração de todos nós. Que podemos responder? Não bastam as palavras; temos de fazer algo de concreto e todos nós sofremos pelo facto de sermos incapazes de fazer algo de concreto. Comecemos pela política: parece-me que deveria crescer o sentido da responsabilidade em todos os partidos. Não prometam coisas que não podem realizar; não se limitem a procurar votos para si, mas sintam-se responsáveis pelo bem de todos. Que se perceba que política é sempre também responsabilidade humana, moral diante de Deus e dos homens. 

Depois, naturalmente, temos os indivíduos que sofrem e – muitas vezes sem possibilidade de se defenderem – vêem-se obrigados a aceitar a situação como ela é. Mas aqui podemos também dizer: cada um procure fazer tudo o que lhe é possível, pense em si, na família, nos outros, com um grande sentido de responsabilidade, sabendo que os sacrifícios são necessários para avançar. Terceiro ponto: Que podemos fazer nós? Esta é a minha questão, neste momento. Creio que talvez pudessem ajudar as geminações entre cidades, entre famílias, entre paróquias… Agora, na Europa, temos uma rede de geminações, mas trata-se de intercâmbios culturais – sem dúvida, muito bons e muito úteis –, quando talvez haja necessidade de geminações noutro sentido: que realmente uma família do Ocidente, da Itália, da Alemanha, da França... assuma a responsabilidade de ajudar outra família. E o mesmo se diga das paróquias, das cidades: que assumam responsabilidades reais, ajudem concretamente. E podeis estar certos! Eu e muitos outros rezamos por vós, e esta oração não é só dizer palavras, mas abre o coração a Deus e assim gera também criatividade na busca de soluções. Esperamos que o Senhor vos ajude, que o Senhor vos ajude sempre! Obrigado!


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terça-feira, 12 de junho de 2012

É o nosso dever




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Frase do dia

"Reza pelos bons e pelos maus." 

S. Pio de Pietrelcina


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Os noivos de Madagáscar e o Papa - Encontro das Famílias

SERGE: Santidade, somos Fara e Serge, e vimos de Madagáscar. Conhecemo-nos em Florença, onde estamos a estudar – eu engenharia, e ela economia. Iniciámos o noivado há quatro anos e sonhamos, logo que fizermos o doutoramento, voltar ao nosso país para dar uma mão ao nosso povo, inclusive através da nossa profissão. 

FARA: Os modelos de família que predominam no Ocidente não nos convencem, mas estamos cientes de que também muitos tradicionalismos da nossa África precisam de ser em certa medida superados. Sentimo-nos feitos um para o outro; por isso queremos casar e construir um futuro juntos. Queremos também que cada aspecto da nossa vida seja orientado pelos valores do Evangelho. Mas, falando de matrimónio… Santidade, há uma palavra que, mais do que qualquer outra, nos atrai e ao mesmo tempo nos assusta: aquele «para sempre»... 

SANTO PADRE: Queridos amigos, obrigado por este testemunho! Contai com a minha oração neste caminho do noivado e espero que possais criar, com os valores do Evangelho, uma família «para sempre». A Fara aludiu a diversos tipos de casamento: conhecemos o «mariage coutumier» da África e o casamento ocidental. Mesmo na Europa – verdade seja dita –, até ao século XIX, predominava um modelo de casamento diverso do actual: muitas vezes o casamento era, na realidade, um contrato entre clãs, no qual se procurava manter o clã, abri-lo ao futuro, defender as propriedades, etc. A escolha dos noivos era feita pelo clã, esperando que as coisas funcionassem um com o outro. E assim sucedia, em parte, também nos nossos países; lembro-me duma cidadezinha, aonde fui à escola, que as coisas ainda se passavam em grande parte assim. Entretanto, com o século XIX, vem a emancipação do indivíduo, a liberdade da pessoa… e o casamento já não se baseia na vontade alheia, mas na própria escolha; começa-se pelo enamoramento, passa-se ao noivado e depois ao casamento. 

Naquele tempo, estávamos todos convencidos de que este fosse o único modelo certo e que o amor, por si mesmo, garantisse o «sempre», já que o amor é absoluto, quer tudo e, consequentemente, também a totalidade do tempo: é «para sempre». Infelizmente, não era assim a realidade: vê-se que o enamoramento é lindo, mas talvez não sempre perpétuo, tal como o sentimento que não permanece para sempre. Vê-se, pois, que a passagem do enamoramento ao noivado e, depois, ao casamento requer várias decisões, experiências interiores. Como disse, é lindo este sentimento do amor, mas deve ser purificado, deve seguir por um caminho de discernimento, isto é, devem entrar também a razão e a vontade; devem unir-se razão, sentimento e vontade. 

No rito do matrimónio, a Igreja não pergunta: «Está enamorado?» Mas: «Quer…», «Está decidido…». Ou seja: o enamoramento deve tornar-se verdadeiro amor, envolvendo a vontade e a razão num caminho – o caminho do noivado – de purificação, de maior profundidade, de tal modo que realmente o homem inteiro, com todas as suas capacidades, com o discernimento da razão, a força da vontade, possa dizer: «Sim, esta é a minha vida». Penso muitas vezes nas bodas de Caná. O primeiro vinho deixou-os felicíssimos: é o enamoramento. Mas não dura até ao fim: deve aparecer um segundo vinho, isto é, deve ferver e crescer, amadurecer. Um amor definitivo que se torne realmente «segundo vinho» é mais lindo, é melhor do que o primeiro vinho. E é isto que devemos procurar... Aqui é importante também que o eu não fique isolado, o eu e o tu, mas que seja envolvida também a comunidade da paróquia: a Igreja, os amigos… Tudo isto – a personalização plena e justa, a comunhão de vida com os outros, com as famílias que se apoiam umas às outras – é muito importante e só assim, neste envolvimento da comunidade, dos amigos, da Igreja, da fé, do próprio Deus é que cresce um vinho que dura para sempre. Muitas felicidades para ambos!


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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Rir a bom rir



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Não havia comunhão na mão na Igreja dos inícios

D. Athanasius Schneider, 50 anos, é ucraniano. Em 2006 Bento XVI nomeou-o bispo auxiliar da diocese de Karaganda (Casaquistão), uma ex-república soviética com 26% de cristãos, maioritariamente ortodoxa mas com uma pujante comunidade católica. 

Segundo D. Athanasius Schneider, o costume de comungar na mão é "completamente novo", posterior ao Concílio Vaticano II, e não tem raízes nos tempos dos primeiros cristãos, ao contrário do que se alega com frequência. Na Igreja primitiva era necessário purificar as mãos antes e depois do rito, e a mão estava coberta com um corporal, de onde se tomava a forma directamente com a língua: "Era mais uma comunhão na boca do que na mão", afirmou Schneider. De facto, depois de comungar a Sagrada Hóstia o fiel devia recolher da mão, com a língua, qualquer pequena partícula consagrada. Um diácono supervisionava esta operação. Nunca se tocava com os dedos: "O gesto da comunhão na mão tal como o conhecemos hoje era totalmente desconhecido" entre os primeiros cristãos. 

Aquele gesto foi substituído pela administração directa do sacerdote na boca, uma mudança que teve lugar "instintiva e pacificamente" em toda a Igreja. A partir do século V, no Oriente, e no Ocidente um pouco mais tarde. O Papa S. Gregório Magno no século VII já o fazia assim, e os sínodos franceses e espanhóis dos séculos VIII e IX sancionavam quem tocasse na Sagrada Forma. 

Afirma ainda D. Athanasius Schneider que a prática que hoje conhecemos da comunhão na mão nasceu no século XVII em meios calvinistas, onde não se acreditava na presença real de Jesus Cristo na eucaristia. "Nem Lutero", que acreditava nessa presença, embora não na transubstanciação, "o teria feito", disse o prelado. "De facto, até há relativamente pouco tempo os luteranos comungavam de joelhos e na boca, e ainda hoje alguns o fazem assim nos países escandinavos".  

in religionenliberdad.com


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Frase do dia

"Fixa o horário da tua meditação sobre a Palavra de Deus, marca a duração da tua meditação, e não saias do lugar até terminá-la."  

S. Pio de Pietrelcina


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domingo, 10 de junho de 2012

A menina vietnamita e o Papa - Encontro das Famílias

CAT TIEN (menina do Vietname): Olá, Papa. Sou a Cat Tien, venho do Vietname. Tenho sete anos e quero apresentar-te a minha família. Este é o meu papá, Dan; a minha mãe chama-se Tao, e este é o meu irmão Binh. Gostava muito de saber alguma coisa da tua família e de quando eras pequeno como eu...

SANTO PADRE: Obrigado, minha menina; e aos pais: o meu obrigado do fundo do coração. Perguntaste quais e como são as lembranças da minha família. Seriam tantas! Posso dizer apenas poucas coisas. O ponto essencial para nós, para a família era o Domingo, mas o Domingo começava já no Sábado de tarde. O pai dizia-nos quais eram as leituras, as leituras do Domingo, lendo-as num livro muito conhecido naquele tempo na Alemanha, onde se explicavam também os textos. Assim começava o domingo: entrávamos já na liturgia, num clima de alegria. No dia seguinte, íamos à Missa. A minha casa estava perto de Salzburgo, pelo que havia muita música – Mozart, Schubert, Haydn – e, quando começava o Kyrie, parecia o céu aberto. 

Depois era importante o que se passava em casa. Naturalmente, o momento grande do almoço juntos. E também cantávamos muito: o meu irmão é um grande músico; já, desde a adolescência, fazia composições para todos nós, e assim toda a família cantava. O pai tocava cítara e cantava. São momentos inesquecíveis. Além disso, claro, fizemos juntos viagens, caminhadas; vivíamos perto dum bosque, e era muito bom caminhar nos bosques: aventuras, jogos, etc. Numa palavra, formávamos um só coração e uma só alma, com muitas experiências comuns, mesmo em tempos muito difíceis, porque era o tempo da guerra, como antes fora o tempo da ditadura e, depois, o da pobreza. Mas este amor mútuo que havia entre nós, esta alegria até por coisas simples era forte, e assim conseguia-se superar e suportar também estas coisas. 

Parece-me que isto era muito importante: mesmo coisas pequenas faziam-nos felizes, porque eram expressão do coração do outro. E assim crescemos na certeza de que é bom ser uma pessoa humana, porque víamos que a bondade de Deus se reflectia nos pais e nos irmãos. E, verdade seja dita, quando procuro imaginar um pouco como vai ser no Paraíso, sempre me parece que será como o tempo da minha juventude, da minha infância. Como éramos felizes neste ambiente de confiança, alegria e amor, penso que, no Paraíso, deveria ser semelhante à forma como era na minha juventude. Neste sentido, espero voltar «a casa», quando passarei ao «outro lado» da vida.


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sábado, 9 de junho de 2012

Frase do dia

"Não repreendas quando sentes a indignação pela falta cometida. - Espera pelo dia seguinte, ou mais tempo ainda. - E depois, tranquilo e com a intenção purificada, não deixes de repreender. - Conseguirás mais com uma palavra afectuosa, do que ralhando três horas. - Modera o teu génio." 

S. Josemaria Escrivá


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Problemas com a matemática




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Nada justifica limite por idade ou orientação sexual - Rui Nunes

O presidente da Associação Portuguesa de Bioética mostra bem a crise ética que atravessamos, e defendeu ideias absurdas sobre a Procriação Medicamente Assistida:

- Não pode haver imposição de idade. "Estar a sociedade a criar um limite de 45, 50 ou 55 anos é sempre artificial" e "não tem nunca justificação ética", defendeu Rui Nunes em entrevista à Lusa, acrescentando que a única barreira deve ser "o bom senso".

- Orientação sexual não interessa. "Há alguma coisa que não é coerente quando se diz que estas pessoas podem casar, mas não podem ter acesso às técnicas que, no fundo, concretizam aquele casamento ou aquela relação",

- Pode-se escolher o sexo do bebé. "Não é fácil numa sociedade livre proibir-se os pais de escolherem o sexo dos filhos", afirmou, lembrando que "com a liberalização da interrupção da gravidez, os pais podem fazê-lo por vias indirectas".

- "Os grandes motivos da infertilidade conjugal não têm nada de natural", afirmou, acrescentando que as principais razões "têm a ver com o stress, com as radiações, com a idade materna e paterna avançada".


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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Frase do dia

"Desde o começo da minha pregação, preveni-vos contra um falso endeusamento. Não te assustes ao veres-te tal como és: assim, feito de barro. Não te preocupes. Porque, tu e eu somos filhos de Deus, – este é o endeusamento bom – escolhidos desde a eternidade, com uma vocação divina: escolheu-nos o Pai, por Jesus Cristo, antes da criação do mundo, para que sejamos santos diante dele. Nós, que somos especialmente de Deus, seus instrumentos apesar da nossa pobre miséria pessoal, seremos eficazes se não perdermos o conhecimento da nossa fraqueza. As tentações dão-nos a dimensão da nossa própria fraqueza." 

S. Josemaria Escrivá


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As melhores imagens do Papa João Paulo II



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quinta-feira, 7 de junho de 2012

O Corpo de Deus, Astérix, e os hereges - Pe.Nuno Serras Pereira

1. Hoje a Igreja celebra a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, tradicionalmente denominada O Corpo de Deus. Se é verdade que a instituição da Eucaristia se celebra na Quinta-feira Santa não o é menos que não poucas vezes está ela mais centrada na instituição do Sacerdócio ministerial, essencial e qualitativamente diferente do Sacerdócio dos demais fiéis, e no Mandato, isto é, no mandamento Novo que Jesus dá após a lavagem dos pés. Ademais como esse dia não é Santo de Guarda, infelizmente, passa, nos dias de hoje, algo despercebido pela maioria dos fiéis. Pelo que a Igreja, secundando as revelações particulares de uma mística medieval, teve por bem instituir esta solenidade para dar o devido relevo não somente ao Sacrifício da Eucaristia mas também à Presença real no Sacramento do Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, em aparências de humildade, apresentando-se disfarçado nas espécies de simples pão e vinho, para que a Sua Soberania, Majestade e Glória não nos intimidasse a que d’ Ele confiadamente nos aproximássemos, para O adorarmos e, devidamente purificados pelo arrependimento, propósito de emenda, e Confissão Sacramental, O recebermos dentro em nós, de modo a n’ Ele sermos transformados; nem nos aniquilasse por falta das disposições capazes da nossa parte de suportar a visão dos infinitos resplendores da imensidade da Sua Glória. Acresce que é um grande Bem dar testemunho público da Fé processecionando pelas ruas o Senhor, Rei dos corações, das sociedades, das nações, do Universo para que todos cheguem ao Seu conhecimento (união íntima), ou seja, da Verdade que Ele é, e assim se possam salvar.
2. Quando abrimos um livro ficcionado das aventuras de Astérix deparamos sistematicamente com uma página que nos indica o mundo, então conhecido, inteiramente dominado pelos romanos com a exclusão de uma pequeníssima aldeia, que de tão minúscula carece de uma lupa para ser topada, na Gália. A excepcionalidade deste povo insignificante deriva de uma poção, ou remédio, mágica, confeccionada com específicos ingredientes os quais, juntamente com as porções e misturas, são somente conhecidos de um druida, cuja acção é essencial para a produzir. Quem toma esta bebida adquire uma fortaleza tal que se torna capaz de triunfar e devastar qualquer inimigo por mais poderoso que seja. Daí a impotência do império romano em dominar aquela gente, de si, frágil e insignificante.
Os autores desta banda desenhada, provavelmente sem darem conta disso, impregnados como estavam da civilização cristã europeia, na qual nasceram e foram educados, sugerem uma parábola da Santíssima Eucaristia. Esta, de facto, era referida pelos antigos Padres da Igreja, grandes teólogos e Santos que sucederam aos Apóstolos, como poção ou remédio da Imortalidade, como bebida dos fortes, isto é, que torna fortes, vinho, contrariamente ao natural, que gera virgens – a propósito, diziam que enquanto a embriaguez de vinho (natural) tornava um homem numa besta promíscua e violenta, a do Sangue de Jesus (a que chamavam inebriamento), no Santíssimo Sacramento da Eucaristia (o Vinho Sobrenatural), transformava um homem num Anjo puro e pacífico.
O império romano que sujeita e escraviza o mundo significará o poder universal do pecado e da morte. O pequeno povo, em comparação com a população mundial, indica os católicos. A poção, que evidentemente não é mágica, mas sim sobrenatural, não obstante recorrer a elementos naturais necessários, o pão e o vinho, só pode ser feita por Jesus Cristo Ressuscitado através dos Seus Sacerdotes ministeriais (os “druidas”), que Ele, sem mérito algum da parte deles mas por pura gratuidade, configurou Sacramentalmente conSigo quando receberam o Sacramento da Ordem. Quem come desse Pão e bebe desse Vinho Comunga com o próprio Jesus Cristo que Se faz nosso alimento para n’ Ele nos transformar e assim nos tornar capazes de vencer o pecado e a morte eterna. Virgens, isto é, entregues a Ele como um coração fiel, uno e indivisível, somos fortalecidos e capacitados para evitar a prostituição e o adultério, ou seja, a entrega aos ídolos e ao pecado: ils sont fous ceux démons et ceux péchés!, Ils sont fous aussis ceux Obamás, ceux Sócrates, ceux Cavacós, ceux Passós Coelhós e  ceux Portás! Caminhando tranquilamente com o menir (“a rocha é Cristo”, como diz S. Paulo – 1 Cor 10, 4)) e “bebericando” como o Astérix avancemos como Igreja militante - cujos membros nesta vida constituem uma milícia, um exército que combate o mal -, batalhando sem descanso pela verdade, pelo bem, pela justiça, pela vida, pelo amor.
3. Na Arquidiocese de Friburgo, na Alemanha, no dia do S. Bonifácio, 5 do corrente, Bispo e mártir, 672-754/5, evangelizador daquelas terras, e como “preparação” para esta festividade tão solene que hoje celebramos o Inimigo arregimentou 140 sacerdotes, à imitação do que fez na Áustria, que assinaram um documento no qual declaravam publicamente que nas suas paróquias autorizavam expressamente a concessão da absolvição e a administração do sacramento da eucaristia “aos divorciados recasados”.
Que alguém cujo casamento não foi nulo, consciente e livremente, se tenha divorciado e posteriormente “casado” pelo civil é certamente um pecado mortal mas não exclui essa pessoa da Igreja. Esta, por seu lado, procura acompanhar com solicitude e amor estes seus filhos/as que se encontram numa situação difícil de modo a que possam com o tempo através das obras boas e da oração aproximar-Se de Jesus Cristo vindo a conformar-se inteiramente com a Sua vontade.
Porém, admitir aos Sacramentos, Confissão e Eucaristia, tais pessoas é muito mais grave do que a situação em que elas se encontram. Constitui uma recusa objectiva da Revelação expressa de Jesus Cristo sobre o casamento como união indissolúvel: “Não separe o homem o que Deus uniu”. Aquilo que nos outros será uma expressão de fraqueza, de fragilidade humana, é aqui erigido pelos sacerdotes num desprezo pela Palavra de Deus, pela Verdade de Fé. Trata-se claramente de uma heresia. Ora o herege formal está pura e simplesmente fora da Igreja. Ao não aceitar a Verdade Divina em virtude da autoridade d’ Aquele que a revelou mostra que se constitui em árbitro discricionário da Verdade, fazendo da sua opinião o critério de discernimento da Revelação Divina. Por outras palavras, revela que não tem Fé sobrenatural.
É muito para reparar que essa situação não é de modo nenhum igual à dos nossos irmãos separados, para usar uma expressão do Concílio Vaticano II. De facto, herege é aquele que sendo católico nega obstinadamente uma ou mais verdades de Fé. Porém, o que nasceu e foi educado numa família não católica ou mesmo herege, como já ensinava Sto. Agostinho, estando de boa-fé, em ignorância invencível, não pode ser arguido de herege. Pelo que estes se encontram de algum modo ordenados à Igreja.


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Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo


"Augustíssimo sacramento é a Santíssima Eucaristia, na qual se contém, se oferece e se recebe o próprio Cristo Senhor e pela qual continuamente vive e cresce a Igreja. O Sacrifício Eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua pelos séculos o Sacrifício da cruz, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã, por ele é significada e se realiza a unidade do povo de Deus, e se completa a construção do Corpo de Cristo. Os outros sacramentos e todas as obras de apostolado da Igreja relacionam-se intimamente com a santíssima Eucaristia e a ela se ordenam." (Código de Direito Canónico, can. 897)


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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Frase do dia

"Qualquer esforço para ser perfeito é inútil se não há caridade." 

S. Pio de Pietrelcina


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terça-feira, 5 de junho de 2012

William Lane Craig e as provas de Deus



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Olhar para o Céu - Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Passeavam há uns minutos sem dizerem nada. As relações entre ambos estavam um pouco tensas. Ela não compreendia como é que alguém que tinha levado nas suas entranhas, que era carne da sua carne e sangue do seu sangue, vinha agora falar-lhe assim. Era uma rebeldia própria da juventude e o entusiasmo acabaria por passar-lhe. Talvez aquelas ideias fossem somente um exacerbado sentimento religioso próprio da idade. Nada para preocupar-se em demasia. A juventude é assim. É um tempo em que se sonha com elevados ideais. Depois, a realidade encarrega-se de “esfriar” os ânimos e, os que foram jovens, acabam por viver como todos os outros viveram. Nem melhor, nem pior. 

«Olha para onde pisas» aconselhou-o. «Ainda vais tropeçar nalguma pedra». «Sabe, mãe, assim é a vida sem sentido. Olhar somente para onde pisamos». Ela não esperava uma resposta destas. Voltou a fazer-se silêncio. Ficar calada seria admitir a “derrota”. «E para onde vais olhar então? Para as estrelas?» perguntou com um certo acento irónico de quem deseja finalizar uma conversa que não lhe parecia ter nenhuma saída. «Exactamente. Para as estrelas. Tenho a sensação de que alguém as pôs lá em cima por algum motivo. Talvez seja para que, quando está escuro, não nos esqueçamos de olhar para o Céu». 

Será que um cristão deve olhar para o Céu? Não manifesta essa atitude um certo egoísmo da sua parte? Não manifesta essa atitude uma certa indiferença em relação à vida nesta Terra? Em relação aos problemas reais que a todos nos angustiam? Há uns anos atrás, dizia o então Cardeal Ratzinger que falar do Céu hoje em dia parece exprimir uma certa “fuga da realidade”. Temos receio de o fazer. Temos medo de parecer covardes em relação aos problemas do dia a dia. Um autor pagão chegou mesmo a afirmar, com um certo desprezo pelo Cristianismo, que devemos olhar sobretudo para a Terra e deixar o Céu para os pardais. O problema é que sem o Céu a vida nesta Terra perde o seu sentido. 

Se o Céu está escuro e encoberto por densas nuvens, a vida fica cinzenta e melancólica. As alegrias tornam-se algo passageiro assim como a própria vida. O máximo que nos podem desejar no dia de anos é que vivamos alguns mais. Que desejo tão raquítico e deprimente para alguém que anseia viver para sempre! Um cristão, ao olhar para o Céu, tem já nesta Terra a alegria da vida eterna. Uma alegria que, como disse Jesus Cristo, nada nem ninguém lhe poderá tirar. Não é uma alegria que vem “depois”. É uma alegria que está dentro. É uma esperança segura de quem sabe que o seu caminhar tem um sentido porque tem uma meta. Olhar para a eternidade leva a dar muito mais importância aos problemas do dia a dia. Leva a sentir a responsabilidade de ajudar os outros de verdade, não só na aparência. Olhar para o Céu recorda-nos que, do modo como vivermos aqui, depende o modo como viveremos depois.


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domingo, 3 de junho de 2012

Hoje é o Domingo da Santíssima Trindade




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Frase do dia

"Ou o amor ou a morte, pois a vida sem amor a Deus é pior do que a morte." 

S. Pio de Pietrelcina


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sábado, 2 de junho de 2012

Catequese e Ortodoxia - Simão Lucas Pires

Somos rápidos a condenar o excesso de zelo, o farisaísmo de quem só vê regras à frente. Mas não deveríamos ser igualmente resistentes à atitude contrária? São Paulo, na Carta aos Romanos, diz com toda a clareza: a fé em Jesus confirma a Lei. E, no entanto, à vigilância a que a Lei e a Doutrina da Igreja nos chamam preferimos muitas vezes os ideais de uma religião vaga, de cujas premissas acerca de um Deus bom e de uma promessa de felicidade tiramos as conclusões que nos dá na gana tirar. Pode ser uma tentação apetecível adaptar o cristianismo à minha visão pessoal do mundo, mas é um erro pensar que desse modo sou mais livre e estou mais perto da verdade.

João Paulo II, na introdução à encíclica Veritatis Splendor, fala na importância desta relação entre liberdade e verdade. Para nós, católicos, a liberdade não é o bar aberto das paixões. É a capacidade sagrada de aderir à verdade e ao bem. O problema é que eu sou pequeno demais, fraco demais, cego demais para perceber sozinho onde é que a verdade e o bem andam. O encontro com Jesus, através da confiança, da oração, do conhecimento do Evangelho e do sacramento da Eucaristia, deve ser o motor do que faço; mas, para que esse desejo de configurar a minha vontade com a Dele seja cada vez mais perfeito, há coisas concretas que preciso ver esclarecidas. A doutrina da Igreja e a voz do seu Magistério têm a esse respeito um papel fundamental. Como é que, com a minha namorada, eu sou o que Jesus quer? O que é que se passa realmente na Missa, naquela série de palavras e gestos a que assisto e a que presto assentimento? O que é a salvação eterna, o que é o inferno? Acreditamos que a verdadeira resposta a estas e outras perguntas é a que nos dá o Magistério da Igreja, porque acreditamos numa coisa extraordinária: acreditamos que os bispos são os sucessores dos Apóstolos. É frequente a obediência ser vista como inimiga da liberdade; a obediência à Igreja, porém, no que diz respeito às exigências morais e ao significado dos ritos, é a forma mais plena de liberdade - porque a autoridade à qual obedecemos, nas figura dos bispos e do Papa, é uma autoridade derivada de Cristo e da Sua presença na Igreja. Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

A aceitação da Doutrina da Igreja e o conhecimento aprofundado do que nela está em causa é o seguimento natural da fé em Jesus. É importante, por isso, regressar à catequese. Recusar a tendência de transformar a prática cristã num debate de estilos, em que uns são mais "conservadores" e outros mais "liberais", e aprender, de facto, o significado e o peso dos conteúdos ligados à fé. É importante conhecer o que a Igreja diz sobre a liturgia, sobre a oração, sobre os sacramentos, sobre a moral. Não por obsessão moralista ou nerdismo religioso. Por amor a Deus, que por amor deu ao seu povo a Igreja como guia e inspirou a palavra dela para que se tornasse uma arma da justiça aqui na terra. Sem catequese, afastados da ortodoxia, corremos o risco de cair na armadilha do humanismo, na armadilha da naturalização da religião; na armadilha de pensar que sou eu a medida das coisas, que tudo vale em função da minha opinião e da experiência psicológica que faço disso. A humildade a que somos chamados tem também que ver com isto. Pois Cristo é a resposta aos problemas do homem, mas o cristianismo não é um programa de auto-ajuda: é o nosso caminho de regresso a casa. E ninguém conhece melhor esse caminho do que aqueles em quem Deus confiou para serem nossos guias. Há coisas muito simples que posso fazer para saber mais sobre a minha própria fé. Os sacerdotes, em primeiro lugar, estão aí para satisfazer a nossa sede de verdade. E o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, por exemplo, é um livro simples que não custa mais do que cinco euros e cabe no bolso das calças de qualquer pessoa.

Na Missa, chegada a altura do Credo, a assembleia dos fiéis protagoniza em conjunto um momento incrivelmente belo e poderoso - um momento em que, pela palavra, os contornos da própria vida são alargados. Uma das coisas que então proclamamos é a crença na Igreja, na sua santidade e no seu carácter apostólico. Que eu saiba pôr nessa verdade de fé o meu coração inteiro. in essejota.net


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Frase do dia

"Só sabe dizer 'sim' quem souber dizer 'não'. É tão difícil dizer 'sim' quando deve ser e 'não' quando tem de ser, tantas vezes contra tudo e contra todos. Mas seria isso que faria a diferença. E seria o mais benéfico para o mundo. A verdade não vai por maiorias. São os interesses, a imagem, as pressões que nos deixam sem liberdade." 

Pe.Vasco Pinto Magalhães


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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Precisamos de cristãos com esta coragem!




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Frase do dia

"A minha pequenez, sabendo que devo em cada dia, começar e recomeçar a ser fiel ao Senhor para ajudar o próximo. Porque não posso dar o que não possuo: pelo procuro ser um homem de oração – e ainda tenho muito que aprender – um homem de expiação – e aqui também tenho muito que aprender – e também um homem de apostolado, sabendo que aprendo muito com as outras pessoas, sejam da Obra (Opus Dei) ou não."  

D. Javier Echevarría


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Vários testemunhos sobre Liberdade - José P. Frazão e Aura Miguel

Faz dez anos que Aurélio deixou as ruas de Setúbal. Rumou à Associação de Vale d'Acor, que há quase duas décadas recupera toxicodependentes no concelho de Almada. Foi ali que Aurélio diz ter encontrado a liberdade. Longe da outra vida triste e miserável.

- O senhor sente-se livre agora?
- Livre. Livre e muito livre.
- Se a pergunta fosse feita na outra fase da sua vida, também diria que era livre...
- Na outra vida era livre, mas não era. Tinha que ir pedir dinheiro para a droga, tinha que ter aquilo todos os dias. Não era livre quando ia arrumar carros no cruzamento. No Verão, tirava 100 euros por dia. Era tudo para aquilo. Livre sou agora.
- Qual é a sua esperança?
- A minha esperança é ser feliz.

Quando Aurélio nasceu, Pedro já era adolescente. Foi militar, empregado de mesa e caixeiro-viajante. De cabelo branco, 57 anos, tem no corpo três décadas sem sentido, de consumo de drogas duras, de conhecimento profundo do Portugal ilegal.

- Tive dinheiro com fartura. Acabei por perder tudo. Ainda tenho duas filhas, sou casado - casei há 25 anos pela Igreja. A minha mulher nunca me abandonou, mas, nos últimos anos de consumos, já não tinha ninguém. Nem família. Cheguei ao ponto das pessoas se encontrarem comigo na rua e mudarem de lado para não bater comigo de frente.

A liberdade de tomar mais responsabilidades
Pedro teve a experiência de ficar sem o que se tem. E é necessariamente mais livre quem tem muito? Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI, aceita o desafio de responder. Está em Lisboa, num edifício com vista para a Avenida da… Liberdade.

- Eu ganho muito bem, mas não sou rico no sentido de ter muito património. Mas ganho muito bem e isso é público.
- O dinheiro traz liberdade?

Fernando Ulrich faz uma longa pausa antes de responder. Quebramos o silêncio.

- É uma provocação...
- Não, não... É uma questão muito interessante.

O presidente do BPI olha em frente e procura uma resposta no inexpressivo canto da sala.

- É tudo relativo. Neste momento, por causa desta pergunta, estava a olhar para trás, quando não ganhava nada bem, quando era mais novo. Se era mais ou menos livre? Não consigo sentir uma grande diferença. À medida que a vida avança, nós vamos também assumindo responsabilidade perante outras pessoas, a propósito de dinheiro. Ganhar melhor dá liberdade de poder tomar mais responsabilidades.

Respostas em clausura
A Europa e o mundo esperaram um dia por uma certa jovem, formada em relações internacionais, que reunia todas as condições para uma carreira de sucesso. Mas um chamamento fê-la entregar-se ao Carmelo, um mosteiro de clausura, quando tinha 27 anos. O nome fica no anonimato.

- A minha relação com Jesus - é a coisa mais importante na minha vida - faz conhecer-me melhor. Vejo que talvez não fosse assim tão livre, interiormente. Vejo egoísmos, vejo caprichos meus, cedências e até disparates que podia ter evitado e não evitei. Entregava-me àquele emprego e, mesmo assim, chegava ao fim do dia e não tinha aquela plenitude de felicidade interior. Eu até lhe digo mais: foi literalmente como se tivesse esgotado todas as possibilidades de realização humana e profissional. Eu tinha 350 amigos e passei a ter 3, porque bastavam-me. Era como se o meu coração estivesse cativo. Apercebi-me que o meu coração estava cativo de Jesus. Estava apaixonada por ele.

- Lá fora podia fazer o que lhe apetecia, do outro lado das grades. Aonde é que se joga a liberdade aqui dentro?

- A liberdade tem que ver com as convicções profundas que eu tenho, que eu alimento, sobre as quais eu reflicto. Depois, as decisões que eu tomo são em função dessas convicções. Além disso, essa liberdade precisa sempre ser educada, moldada, iluminada e ajudada. Normalmente, tem que ser maior do que nós, porque senão ficamos nós a medida da nossa liberdade: o meu querer, o meu gosto, gosto ou não gosto, apetece-me ou não me apetece. Isso não é e não nos torna felizes.


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