quarta-feira, 28 de junho de 2017

Bispo americano: "casais" do mesmo sexo não podem receber Comunhão nem ter ritos fúnebres

O Bispo de Springfield (EUA), Mons. Thomas Paprocki, emitiu um decreto no qual explica que as pessoas envolvidas em relações com pessoas do mesmo sexo não podem receber a Sagrada Comunhão nem sequer têm direito aos ritos fúnebres católicos, a não ser que tenham dado sinais de arrependimento antes da morte.

Sendo um pecado grave e público, o Bispo limitou-se a explicar a doutrina da Igreja em relação a esta matéria e a esclarecer os seus sacerdotes e os seus fiéis de como devem agir nestes casos. O decreto explica ainda que as pessoas que se encontram nesse tipo de relações não podem ser padrinhos de Baptismo nem de Crisma, nem sequer ser leitores ou ministros na Liturgia.

As crianças que vivem com pessoas nessa situação poderão receber os sacramentos desde que existam garantias que estão preparadas e que serão sempre educadas na Fé católica. 

Os sacerdotes estão proibidos de participar ou abençoar "casamentos" entre pessoas do mesmo sexo, e nenhum destes "casamentos" poderá ocorrer em edifícios da diocese.

Mons. Paprocki explica ainda que todas as pessoas devem ser respeitadas. E que será justamente punido quem violar as disposições deste decreto: http://www.dio.org/uploads/files/Communications/Press_Releases/2017/20170623Same-Sex_Marriage_Policies_Decree_6-12-2017.pdf


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Santo Ireneu resume a Fé Católica e a importância da unidade na Igreja

A Igreja disseminada por todo o mundo, até aos confins da Terra, recebeu dos apóstolos e dos seus discípulos a Fé num só Deus, Pai Todo-Poderoso, que “fez o Céu, a Terra, o mar e tudo quanto contém” (Ex 20, 11; Act 4, 24); num só Cristo Jesus, Filho de Deus, que encarnou pela nossa salvação; e no Espírito Santo que, através dos profetas, anunciou os desígnios de Deus e a vinda do bem-amado Jesus Cristo nosso Senhor, o seu nascimento da Virgem, a sua Paixão, a sua ressurreição de entre os mortos, a sua ascensão em corpo e alma aos céus, na glória do Pai, para “sujeitar todas as coisas “ (Ef 1, 22) e ressuscitar a carne de todo o género humano – a fim de que, diante de Cristo Nosso Senhor, nosso Deus, nosso Salvador e nosso Rei, segundo os desígnios do Pai invisível, “todo o joelho se dobre nos Céus, na Terra e nos infernos, e toda a língua O confesse” (Fil 2, 10-11) e de que Ele julgue com justiça todas as criaturas. 

Esta pregação que a Igreja recebeu, esta Fé, é guardada com cuidado, como se a Igreja habitasse uma só casa; embora disseminada por todo o mundo, acredita em tudo isto de forma idêntica em toda a parte, como se tivesse “um só coração e uma só alma” (Act 4, 32); prega, ensina e transmite esta mensagem com voz humana, como se tivesse uma só boca. As línguas que se falam no mundo são diversas, mas a força da tradição é uma e a mesma. As Igrejas estabelecidas na Germânia não crêem nem ensinam coisas diferentes das dos Iberos ou dos Celtas, ou das do Oriente, do Egipto ou da Líbia, nem das que foram fundadas no centro do mundo [a Terra Santa]. 

Assim como o Sol, criatura de Deus, é único e o mesmo em todo o mundo, assim a pregação da verdade brilha em toda a parte, iluminando todos os homens que querem “conhecer a verdade” (1 Tim 2, 4).

Santo Ireneu de Lião in 'Adversus haereses' (Contra as heresias), I, 10, 1-2


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terça-feira, 27 de junho de 2017

Cardeal Raztinger explica que o Papa não pode fazer tudo o que quer

O Papa não pode fazer tudo o que quer. Não é um monarca absoluto, como por vezes aconteceu com alguns Reis. É completamente o oposto: ele é o garante da obediência. Ele é o garante do facto de que não seguimos a sua opinião ou a de qualquer outra pessoa, mas professamos a Fé de sempre da Igreja que ele, "oportuna e inoportunamente", defende contra as opiniões do momento. 

O Senhor nos assegurou, e dois mil anos de história da Igreja o demonstram, que Ele cumpre estas promessas até mesmo com Papas maus e inadequados; que a Palavra de Deus será justamente explicada e assim será preservada a Fé, que não é  uma mera opinião mas um dom de Deus.

Cardeal Joseph Ratzinger, homilia no dia 22 de Agosto de 1999 na 'St. Johannes Kirche'


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O simbolismo do ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

O quadro foi pintado no estilo bizantino da Igreja Oriental. O objectivo desse estilo de arte não é mostrar uma cena ou pessoas, mas transmitir uma mensagem espiritual.


1. Em grego as letras significam: Mãe de Deus.
2. O quadro original foi coroado em 1867.
3. A estrela significa que Maria nos guia até Jesus, guindo-nos no mar da vida até ao porto da salvação.
4. Abreviação do Arcanjo São Miguel.
5. O Arcanjo São Miguel apresenta a lança, a vara com a esponja e o cálice da amargura.
6. A boca de Maria guarda silêncio.
7. Túnica vermelha cor da realeza.
8. O Menino Jesus segura as mãos de Maria que não segura as mãos do Menino Deus, permanecendo aberta, como forma de convite para pormos as nossas mãos na sua, unindo-nos a Jesus; e os dedos que apontam para o Filho mostram que Ele é o caminho.
9. Abreviação do Arcanjo São Gabriel.
10. Maria olha directamente para nós, não para Jesus nem para o Céu nem para os anjos.
11. São Gabriel com a cruz e os cravos.
12. Abreviatura de Jesus Cristo em grego.
13. Jesus veste roupas da realeza. O halo ornado com uma cruz proclama que ele é Jesus Cristo.
14. A mãe esquerda de Maria sustenta Jesus: a mão do consolo que Maria estende a todos que a ela recorrem nas lutas da vida.
15. A sandália desatada, simboliza a humildade de Nosso Senhor Jesus Cristo e também a esperança de um pecador que, agarrando-se a Jesus, busque a Sua misericórdia. O Menino ainda levanta o pé, para não deixar a sandália cair, para salvar aquele pecador.
16. Manto azul, com o forro verde sobre a túnica vermelha são as cores da realeza. Apenas a Imperatriz podia usar estas combinações de cores. O Azul também era o emblema das mães da época.
Todo o fundo dourado mostra a importância de Maria; é o símbolo de poder e nobreza, da glória do Paraíso para onde iremos, levados pelo perpétuo socorro da Santíssima Mãe de Deus.

in espelhodejustica.blogspot.com


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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Cardeal Burke conta como começou a Missa Antiga na sua antiga diocese



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São Josemaria explica que as verdades de Fé e Moral não mudam

Permitam-me que insista repetidamente: as verdades de fé e de moral não se determinam por maioria de votos, porque compõem o depósito – depositum fidei – entregue por Cristo a todos os fiéis e confiado, na sua exposição e ensino autorizado, ao Magistério da Igreja.

Seria um erro pensar que, pelo facto de os homens já terem talvez adquirido mais consciência dos laços de solidariedade que mutuamente os unem, se deva modificar a constituição da Igreja, para a pôr de acordo com os tempos. Os tempos não são dos homens, quer sejam ou não eclesiásticos; os tempos são de Deus, que é o Senhor da História. E a Igreja só poderá proporcionar a salvação às almas, se permanecer fiel a Cristo na sua constituição, nos seus dogmas, na sua moral. 

in Amar a Igreja, 30–31


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domingo, 25 de junho de 2017

Temos de purificar a alma pela obediência à verdade

«Castificantes animas nostras in obedientia veritatis» (1Pe 1, 22). A obediência à verdade deveria "castificar" a nossa alma, e desta forma guiar à recta palavra e à recta acção. Por outras palavras, falar para encontrar aplausos, falar orientando-se segundo o que os homens querem ouvir, falar em obediência à ditadura das opiniões comuns, é considerado como uma espécie de prostituição da palavra e da alma. 

A "castidade" à qual o apóstolo Pedro faz alusão não é submeter-se a estes protótipos, não procurar os aplausos, mas procurar a obediência à verdade. E penso que esta seja a virtude fundamental do teólogo, esta disciplina até severa da obediência à verdade que nos torna colaboradores da verdade, boca da verdade, porque não falemos neste rio de palavras de hoje, mas realmente purificados e tornados castos pela obediência à verdade, a verdade fale em nós. E desta forma podemos ser verdadeiramente portadores da verdade.

Papa Bento XVI na homilia da Missa com os Membros da Comissão Teológica internacional (06.X.2006)


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sábado, 24 de junho de 2017

Dia de S. João Baptista, o santo da penitência

Fazem penitências corporais diárias? Deviam ter cuidado. Ou é uma grande ajuda para a santidade ou então torna-se uma estrada para o orgulho e fariseísmo.
S. João Baptista

Um aviso de São Jerónimo

S. Jerónimo, ao escrever para uma mulher chamada Celantia sobre a questão das penitências corporais, faz um aviso cuidadoso:
Está atenta quando começares a mortificar o teu corpo através da abstinência e do jejum, para que não te comeces a imaginar perfeita e uma santa; porque a perfeição não consiste nesta virtude. É apenas uma ajuda; uma disposição; um meio, ainda que dos bons, para chegar à verdadeira perfeição.
A Igreja Católica, claro, incita-nos à prática da penitência corporal. Manter longe do nosso corpo aquilo que ele quer. Como São Jerónimo nos lembra, é apenas um meio para alcançar um fim. Os jejuns e as penitências não são nunca um fim em si mesmos.

Penitências Corporais Diárias: o bom e o mau

Tudo o que está acima serve como aviso. No entanto, devemos também reconhecer um número de factores para aqueles de nós que vivemos nas culturas ocidentais:
  1. Vivemos na era mais materialista da humanidade (disponibilidade de TV, DVDs, iPads, smartphones, carros, sexo)
  2. Vivemos na maior idade do marketing (anúncios na televisão, placares, centros comerciais, publicidades nos jornais, banners na internet)
  3. Vivemos na cultura mais luxuosa (confortável) da história humana (não transpiramos, não caminhamos, não caçamos a comida, não colhemos os vegetais, não moemos os cereais, não lavamos a roupa à mão)
Penso que todos concordamos que este ambiente cada vez mais materialista tem um efeito negativo sobre nós. Muito do nosso fascínio com a "reality TV", a sensação de não ser livre e as manias de sobrevivencialismo está relacionado com a nossa intuição interior de que algo mudou na sociedade... e de que algo mudou dentro das nossas almas.
Lá dentro, sabemos que os que fazem "trabalhos pesados" e as pessoas como os "agricultores" são quase naturamente virtuosas devido aos seus trabalhos. Eu apercebi-me disto uma vez na confissão.

Uma epifania de penitência um dia na confissão

Enquanto estava ajoelhado na confissão, um sacerdote examinou a minha constelação de pecados confessados e depois disse, “Meu filho, precisas de temperança e fortaleza. Posso recomendar uma penitência diária?
Em primeiro lugar fiquei chocado. Na minha cabeça pensei, “Hmm, não me pode dar só 5 Ave Marias para que eu possa ir almoçar?” mas lá bem dentro da minha alma eu percebi que isto era uma coisa que eu precisava. Ele então explicou e recomendou algumas penitências corporais diárias. Exercícios para pôr a minha alma flácida em forma. É como fazer flexões ou correr pela alma. Nos velhos tempos chamavam-lhe “teologia ascética” que vem da palavra grega askesis, que significa “treino atlético.”

Exemplos de Penitências Diárias

Aqui estão então alguns exemplos de penitências corporais diárias:
  • saltar uma refeição todas as Sextas
  • não comer carne às Sextas
  • não comer snacks
  • não usar sal, pimenta, molho ou manteiga quando querem usar
  • não pedir a vossa escolha #1 no menu mas a #2, quando vão a um restaurante
É claro que as penitências corporais devem ser secretas e devemos fazer um movimento da mente para oferecer este pequeno sacrifício à Glória de Deus em acção de graças. Devemos fomentar uma atitude de alegria. Caso contrário é apenas fariseísmo.
Existem algumas penitências corporais diárias que devem ser esclarecidas com um director espiritual.
  • pequena pedra no sapato
  • pôr a água do choveiro no frio antes de sair de lá
  • dormir no chão
  • acordar a meio da noite para uma oração de vigília
Mais uma vez, não façam isto sozinhos. O diabo vai frustrar-vos. Precisam de um director espiritual. Nunca iriam começar a tomar medicamentos fortes sem a vigilância de um médico experiente. O mesmo se passa para grandes penitências, que podem afectar-vos com profundidade tanto emocionalmente como fisicamente.
Se não têm um director espiritual, eu gravei um podcast com a minha experiência sobre como encontrar um muito bom: Podcast (em inglês): Como encontrar um director espiritual.

Taylor Marshall


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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Indulgências para quem rezar esta oração ao Sagrado Coração

(Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar este acto de reparação piedosamente, e indulgência plenária se o acto se recitar publicamente na solenidade do Sagrado Coração de Jesus) 

Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é deles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados, diante do vosso altar, para vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é de toda parte alvejado o vosso dulcíssimo Coração. 

Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós, mais de uma vez, cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos a vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, mas também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade não Vos querendo como pastor e guia, ou, faltando às promessas do baptismo, sacudiram o suavíssimo jugo da vossa santa Lei.

De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-vos, mas particularmente dos costumes e imodéstias do vestir, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfémias contra Vós e vossos santos, dos insultos ao vosso vigário e a todo o vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino Amor, e enfim, dos atentados e rebeldias oficiais das nações contra os direitos e o magistério da vossa Igreja.

Oh, se pudéssemos lavar com o próprio sangue tantas iniquidades! Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação que Vós oferecestes ao Eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar todos os dias sobre os nossos altares.

Ajudai-nos, Senhor, com o auxílio da vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a viveza da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e pelos nossos próximos, impedir por todos os meios novas injúrias à vossa divina Majestade e atrair ao vosso serviço o maior número de almas possível.

Recebei, oh! benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria Santíssima Reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes até á morte no fiel cumprimento dos nossos deveres e no vosso santo serviço, para que possamos chegar todos à Pátria bem-aventurada, onde Vós, com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais, Deus, por todos os séculos dos séculos. Assim seja.

Papa Pio XI in Miserentissimus Redemptor, carta encíclica sobre o dever da reparação ao Sagrado Coração de Jesus - 8.V.1928


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A devoção ao Santíssimo Coração de Jesus em Portugal


A Rainha D. Maria I conheceu a mensagem de Sta. Margarida Maria Alacoque e soube que o Senhor desejava "entrar com pompa e magnificência na casa dos príncipes e dos reis, para aí ser honrado tanto quanto foi ultrajado, desprezado e humilhado na sua Paixão". Procurou, pois, empenhadamente, cumprir e fazer cumprir, nos seus Reinos e Domínios, todos os pedidos que o Senhor dirigia, em vão, ao Rei de França. [...]

Mandou erigir em Lisboa uma grandiosa basílica, a primeira do mundo inteiro, dedicada ao culto do Sagrado Coração de Jesus, a fim de propagar em Portugal esta devoção. Colocou, pelas suas próprias mãos, a primeira pedra e inaugurou-a solenemente a 14.11.1789. Fundou pouco depois o primeiro convento português da Ordem da Visitação, a Ordem de Santa Margarida Maria.[...]


Real Basílica do Santíssimo Coração de Jesus - Estrela, Lisboa

Anos antes, e como já se disse na introdução deste livro, a Rainha pedira ao Papa Pio VI que aprovasse para Portugal o Ofício e a Missa do Sagrado Coração, já concedidos à Polónia. O Papa aprovou o pedido, concedendo Ofício e Missa próprios para Portugal, além de particulares indulgências. [...]

Pediu ainda a Piedosa que o dia que a Igreja consagra ao Coração de Jesus fosse considerado santificado no calendário litúrgico português. O Papa também aprovou.
Finalmente, em 7 de Julho de 1779, a soberana obteve do Papa a autorização para consagrar os seus Reinos e Domínios ao Sagrado Coração de Jesus.
Espalhou-se por Portugal inteiro esta devoção. Fundam-se numerosas confrarias, erigem-se capelas, igrejas e santuários. Inicia-se um luminoso percurso, que iria levar a devoção ao Coração divino do Redentor a todas as terras que prosperavam, então, debaixo da sombra bendita da Bandeira das Cinco Chagas.

"Mensagem ao Rei de França atendida pela Rainha de Portugal"
in Santa Margarida Maria e a devoção em Portugal ao Sagrado Coração de Jesus,
António Carlos de Azeredo
Fevereiro 2004


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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Tentaram impedir que os militares participassem na procissão do Santíssimo em Toledo

Primeiro proibiram. Depois disseram que os militares poderiam ir em regime de voluntariado, explicando que nenhum estava obrigado. Os militares responderam aos políticos com uma presença maciça na procissão de 'Corpus Christi', como se pode ver no vídeo. Nesse dia, em Toledo, a temperatura ultrapassava os 40ºC. É bom ver que as forças armadas continuam fiéis à Tradição. 


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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Carta de S. Luís Gonzaga à sua Mãe antes de morrer

A graça e a consolação do Espírito Santo estejam sempre convosco. A vossa carta encontrou-me ainda vivo na região dos mortos; mas agora espero ir em breve louvar a Deus eternamente na região dos vivos. Pensava mesmo que a esta hora já teria dado esse passo.

Se a caridade, segundo São Paulo, ensina a chorar com os que choram e a alegrar-se com os que estão alegres, muito grande deve ser a alegria de Vossa Senhoria, pela graça que Deus Vos concede na minha pessoa, chamando-me à verdadeira alegria e dando-me a segurança de O não poder perder jamais.

Confesso-vos, ilustríssima Senhora, que me perco e arrebato na contemplação da divina bondade, mar sem praia e sem fundo, que me chama a um descanso eterno por um trabalho tão breve e pequeno; que me convida e chama ao Céu para aí me dar aquele soberano bem que tão negligentemente procurei, e que me promete o fruto daquelas lágrimas que tão parcamente derramei.

Por conseguinte, ilustríssima Senhora, considerai bem e ponde todo o cuidado em não ofender esta bondade de Deus, como certamente aconteceria se viésseis a chorar como morto aquele que vai viver na contemplação de Deus e que maiores serviços vos fará com as suas orações do que nesta terra vos prestava.

A nossa separação será breve; lá no Céu nos tornaremos a ver; lá seremos felizes e viveremos para sempre juntos, porque estaremos unidos ao nosso Redentor, louvando-O com todas as forças da nossa alma e cantando eternamente as suas misericórdias. Se Deus toma novamente o que nos tinha dado, não o faz senão para o colocar em lugar mais seguro e ao abrigo de qualquer perigo, e para nos dar aqueles bens que acima de tudo desejamos. 

Digo tudo isto para que Vós, Senhora minha Mãe, e toda a família, aceiteis a minha morte como um dom precioso da graça. A vossa bênção de mãe me assista e me ajude a alcançar com felicidade o porto dos meus desejos e esperanças. Escrevo-vos com tanto maior prazer quanto é certo que não me resta outra ocasião para vos testemunhar o respeito e o amor filial que vos devo.

Da Carta escrita por São Luís Gonzaga à sua mãe (Acta Sanctorum, Iuni, 5,578 - Séc.XVI)


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terça-feira, 20 de junho de 2017

13 frases que demonstram o tremendo valor da Santa Missa

1- Na hora da morte, as Santas Missas que tivermos ouvido devotamente serão a nossa maior consolação.

2- Na Santa Missa, Deus perdoa todos os pecados veniais que estamos determinados a evitar.

3- Na Santa Missa, Deus perdoa os nossos pecados desconhecidos (esquecidos) que jamais confessámos.

4- O poder de Satanás sobre nós é diminuído.

5- Cada Missa irá connosco ao Julgamento e implorará por perdão para nós.

6- A cada Missa temos diminuída a punição temporal devida aos nossos pecados, mais ou menos, de acordo com o nosso fervor.

7- Assistindo devotamente à Santa Missa rendemos a maior homenagem possível à Sagrada Humanidade de Nosso Senhor.

8- Através do Santo Sacrifício, Nosso Senhor Jesus Cristo repara por muitas das nossas negligências e omissões.

9- Ouvindo piedosamente a Santa Missa, oferecemos às Almas do Purgatório o maior alívio possível.

10- Uma Missa ouvida durante a nossa vida será de maior benefício do que muitas ouvidas por nós depois da nossa morte.

11- Através da Santa Missa, somos preservados de muitos perigos e infortúnios, que de outra forma cairiam sobre nós.

12- Encurtamos o nosso Purgatório a cada Missa.

13- Durante a Santa Missa, ajoelhamo-nos entre uma multidão de santos Anjos, que estão presentes no Adorável Sacrifício com reverente temor.


São Leonardo de Porto Maurício in 'The Hidden Treasure: Holy Mass', Edit. TAN Books, 1952


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Os 4 Cardeais dos 'Dubia' escreveram nova carta ao Papa Francisco

Em Novembro de 2016 foi divulgada uma carta aberta ao Papa escrita por 4 Cardeais, contendo algumas dúvidas sobre a 'Amoris Laetitia'. Esta Exortação Apostólica do Papa Francisco tem estado envolta em polémica porque tem sido interpretada por muitos Bispos de forma contrária à doutrina católica sem que a Santa Sé os corrija. 

Os 4 Cardeais voltaram agora a escrever ao Papa Francisco, num texto assinado pelo Cardeal Carlo Cafarra e divulgado hoje no blogue do vaticanista Sandro Magister. A carta foi escrita no dia 25 de Abril e entregue ao Papa no dia 6 de Maio. Vale a pena ler este texto que tão bem expressa o sentido de obediência ao Sucessor de Pedro mas também a obrigação de defender as verdades da fé católica. 

"A nossa consciência força-nos…"

Beatíssimo Padre,

é com uma certa trepidação que me dirijo a Vossa Santidade nestes dias do tempo pascal. Faço-o em nome dos Em.mos Senhores Cardeais Walter Brandmüller, Raymond L. Burke, Joachim Meisner, e em meu próprio nome.

Desejamos antes de mais renovar a nossa absoluta dedicação e o nosso amor incondicionado à Cátedra de Pedro e à Vossa augusta pessoa, na qual reconhecemos o Sucessor de Pedro e o Vicário de Jesus: o “doce Cristo na terra”, como gostava de dizer Sta. Catarina de Sena. Não é a nossa em absoluto aquela posição de quantos consideram vacante a Sede de Pedro, nem a de quem pretende atribuir também a outros a responsabilidade indivisível do “munus” petrino. Move-nos tão-só a consciência da responsabilidade grave que provém do “munus” cardinalício: ser conselheiros do Sucessor de Pedro no seu ministério soberano; e do Sacramento do Episcopado, que “nos constituiu como bispos para apascentar a Igreja, por Ele adquirida com o seu próprio sangue” (Act 20, 28).

A 19 de Setembro de 2016, entregámos a Vossa Santidade e à Congregação para a Doutrina da Fé cinco “dubia”, rogando-Lhe que dirimisse incertezas e fizesse clareza sobre alguns pontos da Exortação Apostólica pós-sinodal “Amoris Laetitia”.

Não tendo recebido qualquer resposta da parte de Vossa Santidade, chegámos a decisão de, respeitosa e humildemente, pedir-Lhe Audiência, conjunta, se assim Lhe aprouver. Juntamos, como é praxe, uma Folha de Audiência em que expomos os dois pontos que desejaríamos poder tratar com Vossa Santidade.

Beatíssimo Padre,

passou já um ano desde a publicação de “Amoris Laetitia”. Neste período foram dadas em público interpretações de alguns passos objectivamente ambíguos da Exortação pós-sinodal, não divergentes do, mas contrárias ao permanente Magistério da Igreja. Conquanto o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé tenha declarado mais de uma vez que a doutrina da Igreja não mudou, apareceram numerosas declarações de bispos, cardeais e até mesmo de conferências episcopais, que aprovam o que o Magistério da Igreja jamais aprovou. Não apenas o acesso à Santa Eucaristia daqueles que objectiva e publicamente vivem numa situação de pecado grave, e pretendem nela continuar, mas também uma concepção da consciência moral contrária à Tradição da Igreja. Sucede assim – oh, e quão doloroso é vê-lo! – que o que é pecado na Polónia é bom na Alemanha, o que é proibido na Arquidiocese de Filadélfia é lícito em Malta, e assim por diante. Vem-nos à mente a amarga constatação de B. Pascal: “Justiça do lado de cá dos Pirenéus, injustiça do lado de lá; justiça na margem esquerda do rio, injustiça na margem direita”.

Numerosos leigos competentes, que amam profundamente a Igreja e são solidamente leais à Sé Apostólica, dirigiram-se aos seus Pastores e a Vossa Santidade, para serem confirmados na Santa Doutrina no que respeita aos três sacramentos do Matrimónio, da Confissão e da Eucaristia. Aliás, nestes últimos dias, em Roma, seis leigos provenientes de todos os Continentes propuseram um Seminário de estudo que contou com grande assistência, e que deu pelo título significativo de: “Fazer clareza”.

Diante de tão grave situação, em que muitas comunidades cristãs se estão a dividir, sentimos o peso da nossa responsabilidade, e a nossa consciência força-nos a pedir humilde e respeitosamente Audiência.

Apraza a Vossa Santidade recordar-se de nós nas Vossas orações, como nós Vos asseguramos que o faremos nas nossas; e pedimos o dom da Vossa Bênção Apostólica.

Carlo Card. Caffarra

Roma, 25 de Abril de 2017
Festa de São Marcos Evangelista

*

FOLHA DE AUDIÊNCIA

1. Pedido de clarificação dos cinco pontos indicados nos “dubia”; razões para tal pedido.

2. Situação de confusão e desorientação, sobretudo entre os pastores de almas, "in primis" os párocos.


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segunda-feira, 19 de junho de 2017

O incrível milagre eucarístico de Sokólka

Todos os dias, em todos os altares do mundo, dá-se o maior milagre possível: o da transformação do pão e do vinho no verdadeiro Corpo e Sangue de Jesus Cristo. No entanto, ao recebermos a comunhão, podemos tocá-lO apenas pela fé, pois aos nossos sentidos é oferecida apenas a forma do pão e do vinho fisicamente inalteradas pela consagração. O que é que, afinal, traz à nossa fé o acontecimento eucarístico de Sokólka?

Foi no domingo, 12 de Outubro de 2008, logo após a beatificação do servo de Deus Pe. Miguel Sopocko. Durante a Santa Missa iniciada na igreja paroquial de St. António de Sokólka às 8h30, durante a distribuição da Comunhão, caiu a um dos sacerdotes aos pés do altar uma Hóstia consagrada. O sacerdote interrompeu a distribuição da Comunhão, pegou nela e, de acordo com as normas litúrgicas, colocou-a no vasculum, um pequeno recipiente com água que se encontra normalmente ao lado do sacrário, servindo para o sacerdote lavar os dedos após a distribuição da Comunhão. A Hóstia deveria dissolver-se nesse recipiente.

No fim da Missa, a irmã Júlia Dubowska, sacristã da Congregação das Irmãs Eucarísticas, em serviço na paróquia, tendo a consciência de que a Hóstia consagrada levaria algum tempo a dissolver-se, a pedido do Pe. Stanislaw Gniedziejko, pároco da paróquia, despejou o conteúdo do vasculum noutro recipiente e colocou-o no cofre que se encontra na sacristia da paróquia. Só a Irmã e o Pároco tinham as chaves do cofre.

Ao fim de uma semana, no dia 19 de Outubro, Domingo das missões, a irmã Júlia – questionada pelo pároco sobre o estado da Hóstia – foi ver o cofre. Ao abrir a porta, sentiu um aroma delicado a pão ázimo. Quando abriu o recipiente, viu a água limpa com a Hóstia a dissolver-se e no meio desta uma mancha arqueada com uma cor vermelha intensa, lembrando um coágulo de sangue, com a forma de uma espécie de partícula viva de um corpo. A água permanecia incolor.

A Irmã informou imediatamente o Pároco, que veio logo com os sacerdotes locais e o missionário Pe. Ryszard Górowski. Todos ficaram surpreendidos e atónitos com o que viram.

Mantiveram discrição e prudência, não esquecendo o peso do acontecimento, pois tratava-se de Pão consagrado que, pelo poder das palavras de Cristo no Cenáculo, é verdadeiramente o Seu Corpo. Do ponto de vista humano, foi difícil definir se a forma alterada do fragmento da Hóstia é o resultado de uma reacção orgânica, química ou de outro tipo de acção.

Imediatamente notificaram do sucedido o Arcebispo Metropolitano de Bialystok, Edward Ozorowski, que se dirigiu a Sokólka juntamente com o chanceler da cúria, os sacerdotes prelados e catedráticos. Todos ficaram profundamente comovidos com o que viram. O Arcebispo mandou proteger a Hóstia, esperar e observar o que iria acontecer.

No dia 29 de Outubro, o recipiente com a Hóstia foi transportado para a capela da Misericórdia Divina na casa paroquial e colocado no sacrário. No dia seguinte, por decisão do Arcebispo, retirou-se a Hóstia com a mancha visível da água, colocou-se num pequeno corporal e em seguida no sacrário. Deste modo se conservou a Hóstia durante três anos, até ter sido solenemente levada para a igreja, no dia 2 de Outubro de 2011. Durante o primeiro ano foi guardada em segredo. Foi um tempo de reflexão sobre o que fazer, pois tratava-se de um sinal de Deus que era necessário interpretar.

Até meados de Janeiro de 2009, o fragmento da Hóstia alterada secou de forma natural e permaneceu como coágulo de sangue. Desde essa altura não mudou de aparência.

Em Janeiro de 2009, o Arcebispo ordenou que se fizessem análises pato-morfológicas à Hóstia e a 30 de Março desse ano criou uma comissão eclesial para analisar o fenómeno.

O fragmento da Hóstia em forma alterada recolhido foi analisado pela Prof. Dr.ª Maria Sobaniec-Lotowska e pelo Prof. Dr. Stanislaw Sulkowski – de forma independente um do outro, com vista a uma maior credibilidade dos resultados, – pato-morfologistas da Universidade de Medicina de Bialystok. As análises foram realizadas no Instituto de Pato-morfologia dessa universidade. O trabalho de ambos os especialistas foi regido pelas normas e obrigações dos cientistas para analisar cada problema científico de acordo com as directrizes do Comité de Ética da Ciência da Academia das Ciências Polacas. As análises foram descritas e fotografadas exaustivamente. A documentação completa foi entregue à Curia Metropolitana de Bialystok.


Quando foram recolhidas as amostras para análise, a parte não dissolvida da Hóstia consagrada estava já embebida no tecido. Porém, a estrutura de sangue acastanhado do fragmento da Hóstia não perdeu nada da sua clareza. Este fragmento estava seco e frágil, intimamente ligado à restante parte da Hóstia em forma de pão. A amostra recolhida foi o suficiente para realizar todas as análises indispensáveis.

Os resultados de ambas as análises independentes sobrepuseram-se completamente. Concluíram que a estrutura do fragmento da Hóstia analisado é idêntica a tecido do músculo do coração de uma pessoa viva, mas em estado de agonia. A estrutura da fibra do músculo do coração e a estrutura do pão estavam interligadas de forma muito estreita, de forma impossível de realizar por ingerência humana (vide declaração da Prof. M. Sobaniec-Lotowska na reportagem “O Milagre Eucarístico de Sokólka”, Lux Veritatis 2010).

As análises realizadas provaram que não foi adicionada nenhuma outra substância à Hóstia consagrada, mas que o seu fragmento tomou a forma de tecido do músculo do coração de uma pessoa em estado de agonia. Este tipo de fenómeno não é explicável pelas ciências naturais, sendo que os ensinamentos da Igreja nos dizem que a Hóstia entregue para análise é o Corpo do próprio Cristo pelo poder das Suas próprias palavras proferidas durante a Última Ceia.

O resultado das análises pato-morfológicas datadas de 21 de Janeiro de 2009 foram incluídas no protocolo entregue na Cúria Metropolitana de Bialystok.

Para concluir, no comunicado oficial que emitiu, a Cúria Metropolitana de Bialystok afirmou o seguinte: «O acontecimento de Sokolka não se opõe à fé da Igreja, antes pelo contrário, confirma-a. A Igreja professa que, após as palavras da consagração, pelo poder do Espírito Santo, o pão se transforma no Corpo de Cristo e o vinho no Seu Sangue. Para além disso, trata-se de um chamamento para que os ministros da Eucaristia distribuam o Corpo do Senhor com fé e cuidado e que os fiéis O recebam com adoração.»


in sokolka.archibial.pl


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'Corpus Christi' na Alemanha após a II Guerra Mundial

Há 70 anos, em 1947, a procissão do 'Corpus Christi' na cidade de Colónia foi grandiosa. Convém relembrar que a II Guerra Mundial tinha acabado há apenas 2 anos e que nesse momento a Alemanha estava praticamente destruída. É comovente ver a Fé de um povo que põe a sua confiança em Deus. Precisamos disto.


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domingo, 18 de junho de 2017

Oração por Portugal



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Há várias décadas que Inglaterra não via uma ordenação sacerdotal em Rito Antigo

Ninguém se lembra ao certo quando foi a última ordenação sacerdotal seguindo o Rito Romano Antigo em Inglaterra mas hoje voltou a acontecer. O Arcebispo de Liverpool, Mons. Malcolm McMahon, ordenou dois sacerdotes da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP): Alex Stewart e Krzysztof Sanetra. Rezemos pelo ministério destes novos sacerdotes que tanta falta fazem à Igreja.









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sábado, 17 de junho de 2017

Beato Charles de Foucauld descreve como Deus o tirou dos maus caminhos

Ia-me afastando mais e mais de Vós, meu Senhor e minha vida, e a minha vida começava a ser uma morte, ou antes, era já uma morte a vossos olhos. E neste estado de morte me conserváveis ainda. 

A fé tinha desaparecido por completo, mas o respeito e a estima haviam permanecido intactos. Concedíeis-me outras graças, meu Deus, mantínheis em mim o gosto pelo estudo, pelas leituras sérias, pelas coisas belas, a repugnância pelo vício e pela fealdade. Fazia o mal, mas não o aprovava nem o amava. Dáveis-me essa vaga inquietação de uma má consciência que, por adormecida que esteja, nem por isso está morta.

Nunca senti esta tristeza, este mal-estar, esta inquietação, senão nessa altura. Era, pois, um dom vosso, meu Deus; que longe estava eu de suspeitar de que assim fosse! Que bom sois! E, ao mesmo tempo que impedíeis a minha alma, por essa invenção do vosso amor, de se afundar irremediavelmente, preserváveis o meu corpo: pois se tivesse morrido nessa altura, teria ido para o inferno. Os perigos da viagem, tão grandes e tão numerosos, de que me fizestes sair como que por milagre! A saúde inalterável nos lugares mais malsãos, apesar de tão grandes fadigas! 

Ó meu Deus, como tínheis a vossa mão sobre mim, e quão pouco eu a sentia! Como me protegestes! Como me abrigastes sob as vossas asas, quando eu nem sequer acreditava na vossa existência! E, enquanto assim me protegíeis, e o tempo ia passando, parecia-Vos que tinha chegado o momento de me reconduzir ao cercado.

Desfizestes, apesar de mim, todos os laços maus que me teriam mantido afastado de Vós; desfizestes mesmo todos os laços bons que me teriam impedido de ser, um dia, todo vosso. Foi a vossa mão, e só ela, que fez disto o começo, o meio e o fim. Que bom sois! 

Era necessário fazê-lo, para preparar a minha alma para a verdade; o demónio é excessivamente senhor de uma alma que não é casta, para nela deixar entrar a verdade; não podíeis entrar, meu Deus, numa alma onde o demónio das paixões imundas reinava como senhor. Queríeis entrar na minha, ó Bom Pastor, e fostes Vós que dela expulsastes o vosso inimigo.

Beato Charles de Foucauld (1858-1916), eremita e missionário no Saara in 'Retiro em Nazaré', Novembro de 1897


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Jovem dominicana: "Deus chamou-me no YouTube"

"Imagina que tens 26 anos e vives com outras quinze mulheres como tu. Não podes deixar a casa onde estás, não podes casar, levantas-te às 5h20 da manhã e só podes falar 2 vezes por dia". Começa assim o artigo da "Marie Claire" da África do Sul que dedicou à jovem Lauren Franko.
Embora Lauren já não use esse nome, mas faz-se passar por Irmã Maria Teresa do Sagrado Coração. Sim, concluíram bem: Lauren é religiosa.

A vocação dela contada numa revista de moda
Com faces coradas e sorriso contagiante, Lauren conta a história à revista. Com naturalidade e sinceridade, alegria e leveza. Tanto que a jornalista não hesita em retratá-la como «uma pessoa com mente brilhante e um grande sentido de humor».
E como é que se fez freira? Lauren conta que sempre quis ser, mas percebeu que nem sempre era compreendida quando na sua infância dizia que o que ela queria ser quando fosse grande era religiosa. «Por isso, quando um dia pediram na escola que nos vestíssimos daquilo que quiséssemos ser em adultos, eu vesti-me de criadora de gado».
Abandona a Igreja e experimenta outras religiões
Depois veio a adolescência e Lauren desorientou-se. Abandonou a Igreja e experimentou outras religiões. Realmente, experimentou de tudo: «Pensava que era normal e que isso me faria bem. Mas a verdade é que fiquei vazia. A nossa sociedade nunca diz: "Se isto não deu, experimenta com Deus"».
Regresso à Igreja católica
Cansada com o vazio, regressou à Igreja Católica. Na universidade recomeçou a fazer oração e, embora continuasse a ter um namorado, o desejo de ser freira regressou. No entanto, julgava que por causa do que tinha vivido na adolescência não poderia vir a ser; e andava muito triste com isso.
O YouTube e uma música
«Certa noite, no meu quarto, comecei a rezar. Mas também queria ouvir a minha música favorita. Pus os headphones e fui ao YouTube buscar a música. Mas em vez de ouvir a canção, ouvi a letra: "Queres casar comigo". Imediatamente desliguei a música e disse "sim" a Deus. De alguma forma, eu já tinha tomado a decisão, mas isto confirmou-me».
À volta, incompreensão
A reacção nos círculos mais próximos foi terrível: os pais irritaram-se com ela, as amigas quiseram chantageá-la dizendo que ia perder a liberdade e ia entrar num ambiente patriarcal que a ia escravizar. Mas nada travou a decisão de Lauren, que entrou no mosteiro dominicano de Summit, New Jersey (EUA), com 20 anos de idade.
Admiração da jornalista
A pergunta agora é simples: de que forma tratou uma revista de moda como a Marie Claire a vida de uma jovem de 20 anos dentro de quatro paredes de um mosteiro? A resposta é simples: com admiração. Basta ler o artigo e reler o relato das orações, do trabalho manual, do silêncio que vivem durante o dia (refeições também), as penitências que fazem para bem do mundo, incluindo a vida de castidade.
«A dificuldade – diz sobre este assunto a agora Irmã Maria Teresanão está tanto em renunciar à actividade sexual, como em renunciar à proximidade e sintonia de uma relação matrimonial. Eu renunciei voluntariamente à possibilidade de ter um marido com quem caminhar na vida, com quem partilhar alegrias e tristezas, renunciei a abraçar e a ser abraçada. E é difícil, sobretudo nos momentos em que Deus parece estar distante».
Sexualidade e celibato
Mas nem tudo é renúncia: «A sexualidade é uma realidade que deve ser valorizada, e eu valorizo-a. O vazio que esta falta de relação deixa é provocado precisamente para poder abrir um espaço para Deus. Porque, ainda que esse vazio possa ser difícil, é também a minha grande satisfação. Tenho uma paixão profunda por Deus! E sendo freira possa amar da maneira mais radical possível: renunciando a tudo pelo meu Amor. Esta relação é muito mais intensa do que qualquer relação humana pode ser. É verdade, tenho esposo: Deus».
A família e a vocação
Com o andar do tempo, a família aceitou a vocação de Lauren e, uma vez por mês, visita-a. E mesmo continuando a ser difícil - «tenho saudades de ir às compras ou de ir à missa com a minha mãe», reconhece Lauren – o sorriso não larga o seu rosto. De facto, daqui um ano professará os votos solenes... e não tem medo daquilo que está para vir!
Selar um casamento com Deus
«Quando o fizer, renunciarei a ter seja o que for; ficarei ligada até à morte. Pensei muito neste passo e vou dá-lo com muita segurança». E assim selará o casamento com Deus tão desejado por ela: um casamento que surpreende até revistas como a Marie Claire, e que teve o seu primeiro sinal naquela tarde em que ouvia no YouTube a canção preferida.


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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Beato Pio IX explica a perfeita harmonia entre Fé e Razão

Não só não pode jamais haver desarmonia entre a fé e a razão, mas uma serve de auxílio à outra, visto que a recta razão demonstra os fundamentos da fé, e cultiva, iluminada com a luz desta, a ciência das coisas divinas; e a fé livra e guarda a razão dos erros, enriquecendo-a de múltiplos conhecimentos. 

Por isso a Igreja, longe de se opor ao cultivo das artes e das ciências humanas, até as auxilia e promove de muitos modos. Porquanto não ignora nem despreza as vantagens que delas dimanam para a vida humana; pelo contrário, ensina que, derivando elas de Deus, o Senhor das ciências [1 Rs 2, 3], se forem bem empregadas, conduzem para Deus, com o auxílio de sua graça. 

Nem proíbe [a Igreja] que tais disciplinas, dentro de seu respectivo âmbito, façam uso de seus princípios e métodos próprios; mas, reconhecendo embora esta justa liberdade, admoesta cuidadosamente que não admitam em si erros contrários à doutrina de Deus ou ultrapassem os próprios limites, invadindo e perturbando o que é do domínio da fé.

Papa Pio IX, Concílio Vaticano I (1869-1870), Sessão III, Cap. IV 


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